quarta-feira, 28 de junho de 2017

A AUTORIA DO LIVRO DE ATOS

SEMINÁRIO PRESBITERIANO FUNDAMENTALISTA DO BRASIL.
Curso Modular de Atos dos Apóstolos
Professor visitante: Rev. João França
Módulo I – O Pano de Fundo  de Atos dos Apóstolos
Aula 01 – Questões Introdutórias ao Livro.

ATOS DOS APÓSTOLOS

INTRODUÇÃO:

            O livro de Atos dos Apóstolos narra os primeiros trinta anos após a ascensão de Jesus ao Pai. Um livro riquíssimo no qual devemos mergulhar para o entendermos.  Este é um capítulo inspirador da História da Igreja. Na verdade, o Livro que nos propomos estudar neste curso é a primeira história eclesiástica neotestamentária[1].
            Este livro trata de modo particular como viveu a Igreja logo após a entronização[2] de Cristo! O título atribuído ao livro já suscitou na vida da igreja algum certo debate, os que preferem o título conforme se encontra em nossas bíblias “PRAXEIS APOSTOLWN” (Praxeis Apostolon) ou “Práticas dos Apóstolos” tem um apoio na Igreja Primitiva[3], outros tem sugerido que o título do livro é infeliz e que por isso deveria chamar-se Atos do Espírito Santo.[4]Mas, certamente falta evidências suficientes para isto. Devemos considerar Atos como a continuação da obra de Cristo Jesus por meio dos apóstolos como o verso de abertura deste livro parece nos indicar: “Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar” e prossegue no verso seguinte apoiando essa pressuposição básica “até ao dia em que, depois de haver dado mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos que escolhera, foi elevado às alturas.”.

I – QUESTÕES INTRODUTÓRIAS (AUTORIA):
            O livro de Atos dos Apóstolos é resultado da inspiração do Espírito Santo sobre a vida de seu autor. É claro que o autor primeiro deste livro bíblico é Deus. Mas, sua inspiração divina não deve distrair a nossa atenção do autor humano. A tradição eclesiástica (a tradição da igreja) tem atribuído a autoria deste livro a Lucas.
Mas, será que tal tradição se sustenta? Será que podemos provar que Lucas tenha escrito o livro de Atos? Para isso faremos três importantes procedimentos: 1. Faremos uma comparação entre Atos e o Evangelho; 2. Analisaremos a História da Igreja Primitiva; e por fim, 3. Olharemos para o restante do Novo Testamento para ver se existe alguma evidência da autoria lucana deste livro.
  1. O EVANGELHO DE LUCAS COMPARADO COM ATOS:
Nosso trabalho se ocupará agora de uma comparação entre os dois livros neotestamentários. E quando procedemos com a comparação surgem dois tipos de evidências importantes que sugerem com muita força que uma só pessoa escreveu ambos os livros. Tais evidências são classificas de 1. Explícita (aquela que está claramente indicando que é o mesmo autor); 2. Implícita (aquela que sugere a autoria comum dentro do corpo textual), vejamos:
  1. Evidências Explícitas:
Em Atos 1.1 nós lemos as seguintes palavras: “Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar”
Aqui o escritor do livro fala de “seu primeiro livro”, dando a entender que Atos é faz parte de uma obra em dois volumes. Também somos informados que ele escreveu o livro destinado a uma pessoa de nome Teófilo. Agora vejamos o prólogo de Lucas 1.1-4:
Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares e ministros da palavra, igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem, para que tenhas plena certeza das verdades em que foste instruído.

            Então, nesta simples comparação podemos observar que o livro de Atos dos Apóstolos trata-se de um segundo tomo de uma obra única. Kistemaker mais uma vez é elucidativo neste aspecto:
O Evangelho de Lucas e Atos estão estreitamente relacionados devido à dedicatória desses dois livros a Teófilo (Lc 1.3; At 1.1). Casualmente, o tratamento excelentíssimo Teófilo parece inferir que este pertencia a uma alta classe social (comparem-se 23.26; 24.3; 26.25). E ainda, o versículo introdutório de Atos (1.1) revela que esse é o segundo volume que Lucas escreveu e uma continuação do primeiro (o Evangelho).[5]

Vale salientar que tanto “Lucas quanto Atos são anônimos, no sentido estrito da palavra”[6], por isso, se faz necessário determinarmos o autor de ambas as obras, mas pelo que as evidências nos apresentam apenas um autor escreveu estes dois livros.

  1. Evidências Implícitas:
Além das evidências explícitas da autoria de Lucas para Atos dos Apóstolos encontramos muitos escritores que reconhecem essa similaridade na obra Atos-Lucas. Conforme nós percebemos em Lucas 1.1-4 o autor se esforçou em apresentar um relato ordenado das coisas como ocorreram. O livro de Atos também segue basicamente a mesma estrutura. Há semelhanças entre os livros, entre as quais destacamos:
a.       Eles se desenvolvem em estilo episódio.
b.      Há temas paralelos em ambos os livros.
c.       Também há expectativas no livro de Lucas que só se cumprem em Atos: “porque os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste diante de todos os povos: luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo de Israel.” Lucas 2.30-32.
O ministério de Jesus, segundo o evangelho de Lucas, explica a salvação e a promessa à Israel. Mas só em Atos vemos a salvação de Deus que serve em formas significativas como uma luz para revelação aos gentios.
  1. O TESTEMUNHO DA IGREJA PRIMITIVA DA AUTORIA LUCANA:
Desde o quarto século a igreja tem sempre reconhecido que Lucas é o autor de Atos-Lucas. Analisaremos isso observando os manuscritos neotestamentários; bem como, o testemunho epistolar dos pais da igreja.
  1. Os Manuscritos:

Nos anos de 1952 foi encontrado o famoso manuscrito conhecido como p75 (Papiro 75) ele é datado do ano 175-200 d.C. Este manuscrito possui o escrito que conhecemos como o Evangelho de Lucas e no final deste escrito encontramos a seguinte expressão: EUAGGELION KATA LOUKAN (EUANGELION KATA LOUKAN – O Evangelho Segundo Lucas) este manuscrito certamente nos indica que o terceiro evangelho foi escrito por Lucas e que por consequência também ele é o autor do livro de Atos.
  1. Os Escritos pós-apostólicos:
As evidencias externas apontam para que Lucas tenha escrito Lucas-Atos é bastante forte, conforme vemos nos informa Carson[7]; pois, o fragmento Muratoriano datado por volta de 170 a 190 d.C. coloca na sua lista dos livros do Novo Testamento Lucas como autor de Atos dos Apóstolos; Irineu na sua obra contra as heresias documenta este fato da autoria de Lucas para Atos. E as palavras do manuscrito antimarcionistas em 160-180 são esclarecedoras:

            “Lucas é sírio, natural de Antioquia, por profissão um médico. Foi discípulo dos apóstolos e mais tarde acompanhou Paulo até o seu martírio. Serviu ao Senhor sem distrações, sem esposa, sem filhos. À idade de 84 anos adormeceu na Beócia, cheio do Espírito Santo”[8]


            Outro personagem da História da Igreja que confirma ser Lucas o autor de Atos é Eusébio de Cesárea em sua História Eclesiástica: “Lucas[...]fez menção dos censos em Atos”.

  1. O NOVO TESTAMENTO E BUSCA DO AUTOR DE ATOS DOS APÓSTOLOS.

Agora precisamos olhar para o Novo Testamento e investigar se o mesmo apresenta alguma indicação de que o Autor de Atos seja Lucas.
  1. Pistas da autoria no Novo Testamento:
Vale salientar mais uma vez que tanto o Evangelho de Lucas quanto o livro de Atos são anônimos e que não tem indicação alguma de sua autoria. Notamos no capítulo 1.3 do Evangelho Lucano a seguinte declaração:
igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem,”
Vemos aqui que ele não cita seu próprio nome. Mas, uma coisa é certa Teófilo certamente o conhecia muito bem. Esta questão da identificação da autoria não foi um problema para Teófilo, mas tem suscitado um debate longo para nós. Mas, o Novo Testamento nos fala mais sobre o nosso autor:
1º Ele não é um apóstolo:
“Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram,  2 conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares
            Quando o autor diz “conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram testemunhas” está informando que ele não fora uma testemunha ocular de tais fatos, logo não era um apóstolo.
2º Tanto Atos quanto o Evangelho partilham de “semelhanças no estilo e na linguagem e compartilham de preferências teológicas”[9] F.F. Bruce nos apresenta algumas dessas preferências: “Sentimentos católicos (i.e. universais), interesse pelos gentios, importância às mulheres, tendências apologéticas semelhantes, aparições do Cristo ressurreto limitadas à Judéia e o julgamento de Cristo perante Herodes Antipas[10]
  1. Lucas e as Informações sobre ele:
 O autor é alguém muito bem-educado o teólogo Barclay nos lembra:
Embora o Livro não diga, desde os primeiros tempos se sustentou que Lucas é seu autor. Sabemos muito pouco a respeito de Lucas; só há três referências a ele no Novo Testamento (Colossenses 4:14; Filemom 24; 2 Timóteo 4:11). Estas referências nos permitem assegurar duas coisas sobre ele. Em primeiro lugar, Lucas era médico; segundo, era um dos colaboradores mais apreciados por Paulo e um de seus amigos mais fiéis, porque foi seu companheiro em sua última prisão. Podemos deduzir uma coisa: Lucas era um gentio. Colossenses 4:11 inclui uma lista de menções e saudações àqueles que estão circuncidados, quer dizer os judeus; e o versículo 12 começa com uma nova lista, e concluímos naturalmente que sou tráfico de gentios. portanto nos encontramos ante o interessante feito de que Lucas é o único autor gentil no Novo Testamento. Poderíamos ter adivinhado que Lucas era um médico, porque instintivamente utiliza termos médicos. No Lucas 4:35, quando fala do homem que tinha o espírito de um demônio imundo, Lucas utiliza a frase: "derrubando-o em meio deles", e a palavra que utiliza é o termo médico correto para convulsões. No Lucas 9:38 descreve ao homem que pede a Jesus: "Rogo-te que veja meu filho". A palavra que utiliza é o termo convencional para a visita de um médico a um paciente. O exemplo mais interessante da preferência do Lucas por termos médicos é um dito sobre o camelo e o buraco da agulha. Três autores do Evangelho nos dão esse dito (Mateus 19: 24; Marcos 10:25; Lucas 18:25). Para a palavra agulha tanto Marcos como Mateus utilizam o termo grego raphis que se refere à agulha de um alfaiate ou caseira; somente Lucas utiliza o termo belone que é o nome técnico da agulha de um cirurgião. Lucas era médico, e os termos médicos fluíam naturalmente de sua pluma.[11]

Conclusão:
Conforme temos visto podemos aprender que o Autor de Atos é alguém cujo nome é Lucas. Não há grandes contestações em ralação a posição tradicional da igreja em identificar este escrito como vindo da pluma de Lucas o autor do Evangelho.
Descobrimos que este livro é a segunda parte de um outro, ou seja, do terceiro Evangelho, portanto, é uma continuação do primeiro. O título do Livro tem sido motivo de especulações e de sugestões para a alteração do foco de estudo, pois, alguns sugerem que este Livro deveria se chamar Atos do Espírito Santo e outros preferem chamar o livro Atos de Jesus Cristo , já que parece indicar que tratar-se da continuação da obra de Cristo pelo que se pode perceber dos versos iniciais deste livro; entretanto, a igreja sempre entendeu que Livro trata da ação de  Cristo em benefício da Igreja  por meio do ministério apostólico.





[1] Ainda que MARSHALL considere essa avaliação como algo de um leitor mediano, essa pressuposição histórica básica é evidente (MARSHALL, I. Howard. Atos – Introdução e Comentário, São Paulo: Vida Nova, 1983, p.14).
[2] Aqui referimo-nos ao fato da ascensão, pois, sabemos que Cristo reina desde os dias da eternidade, e que quando ressuscitou Deus, O Pai lhe assegurou todo poder (Mateus 28.18-19)
[3]Irineu, Against Heresies 3.13.3; Clemente de Alexandria Stromata 5.82; Tertuliano, Fasting 10. Os Códices Sinaiticus, Vaticanus e Bezae trazem essa tradução. Manuscritos minúsculos fornecem extensões: “Atos dos Santos Apóstolos” e “Atos dos Santos Apóstolos de Lucas o Evangelista”.
[4] Veja-Se KISTEMAKER, Simon J. Comentário a Atos – volume 1. São Paulo: Cultura Cristã, 2003, p.17 – no qual ele contesta também essa tentativa de colocar tal título no livro.
[5] KISTEMAKER, Simon. Comentário a Atos – volume 1. São Paulo: Cultura Cristã, 2003, p. 40
[6] CARSON, D.A; MOO, Douglas; MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1997, p.208
[7] Ibid, p. 209
[8] Apud, KISTEMAKER, Simon. Comentário a Atos – volume 1. São Paulo: Cultura Cristã, 2003, p. 39

[9] PINTO, Carlos Osvaldo. Foco e Desenvolvimento no Novo Testamento. São Paulo: Editora Hagnos, 2008, p.109
[10] BRUCE, F.F. The Acts of the Apostles, p. 2
[11] BARCLAY, William. Atos. Tradução: Carlos Biagini. Disponível em: http://www.iprichmond.com/atos acessado em 07/03/2017.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

A LIDERANÇA DO HOMEM PIEDOSO

A LIDERANÇA DO HOMEM PIEDOSO
Rev. João Ricardo Ferreira de França.

Exposição Bíblica:
Salmos 101:
Texto:
Salmo de Davi

1Cantarei a bondade e a justiça; a ti, SENHOR, cantarei.
 2 Atentarei sabiamente ao caminho da perfeição. Oh! Quando virás ter comigo? Portas a dentro, em minha casa, terei coração sincero. 3 Não porei coisa injusta diante dos meus olhos; aborreço o proceder dos que se desviam; nada disto se me pegará. 4 Longe de mim o coração perverso; não quero conhecer o mal.  5 Ao que às ocultas calunia o próximo, a esse destruirei; o que tem olhar altivo e coração soberbo, não o suportarei.  6 Os meus olhos procurarão os fiéis da terra, para que habitem comigo; o que anda em reto caminho, esse me servirá.  7 Não há de ficar em minha casa o que usa de fraude; o que profere mentiras não permanecerá ante os meus olhos.  8 Manhã após manhã, destruirei todos os ímpios da terra, para limpar a cidade do SENHOR dos que praticam a iniqüidade.
 (Salmo 101.1-8 ARA)

Introdução:

            As famílias cristãs precisam de liderança. Nestes últimos tempos a as famílias estão desgovernadas; pais e filhos estão num navio estão aderiva; há muita falta de liderança na vida igreja e das famílias – os maridos não estão mais governando o lar de forma piedosa, as mulheres não estão sendo submissas aos seus esposos.
            Este salmo é conhecido na história da igreja como o salmo do chefe da família. Aqui reflete a liderança fiel do lar cristão pode ser apresentada neste trecho das Escrituras. Como liderar a família que o Senhor nos confiou?

I – LIDERE A FAMÍLIA COM JUSTIÇA E MISERICÓRDIA (vs.1)
            Aqui nós aprendemos que Davi introduziu um compromisso com a integridade com as palavras inicias deste salmo “CANTAREI a misericórdia e o juízo; a ti, SENHOR, cantarei” (Salmos 101.1 ACF).
            Davi estava se alegrando na “misericórdia e no juízo”, pois, como rei da nação deveria demonstrar isso. Liderar com esses atributos, assim deste mesmo modo o líder do lar deve proceder, devem governar. Olhando para a prática cristã atual você homem tem governado seu lar com o amor [חֶֽסֶד  - hased]? Nós devemos lembra o que Cristo nos ensina em Efésios 5.25: “Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela,”.
            O Puritano William Gouge tem algo a nos dizer sobre isso: “Da parte do marido, não existe dever algum que possa ser cumprido corretamente, a não ser que esteja temperado com amor[...] seu olhar, suas palavras, seu comportamento  e todo o  seu agir com a esposa precisa ser temperado com amor [...] Assim como o sal precisa ser a primeira coisa a ser colocada na mesa e a última a ser tirada e ser comido com cada pedaço de carne, da mesma maneira o amor precisa ser a primeira coisa que entra no coração do marido e a última coisa que sai dele e de estar misturado em cada ação relacionada com a esposa”[1]
            De modo similar deve ocorrer com os nossos filhos; pois, não os devemos discipliná-los com excessiva auteridade e severidade, semblante carrancudo, palavra ameaçadoras e ultrajantes, tratamento duro demais, correção severa demais,[...]
            Como devemos corrigir os nossos filhos? Como devemos liderar usando a disciplina?  O pai precisa corrigir  sua esposa e filhos, mas com brandura, cumprindo a lei de Cristo conforme Gálatas 6.1-2: “Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão, olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado. 2 Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo.”
            Como proceder na correção de nossos filhos? Outro puritano Samuel Lee nos ensina:
Que repreensões oportunas e prudentes  sejam ministradas de acordo com a natureza  e o tipo das ofensas deles. Começa com brandura; usa todos os argumentos persuasivos para, se possível, atraí-los e cativá-los para os caminhos de Deus.
            Mas, às vezes a repreensão é necessária , até mesmo a repreensão  com um ira santa, caso um membro da família seja contumaz em seus pecados. No entanto, devemos precaver-nos das chamadas explosões do temperamento e de gritos desnecessários. As repreensões devem ser ministradas com muito respeito e humildade.
            Quando não devo repreender a minha esposa? Não devemos repreender na presença dos filhos e dos empregados, para que não enfraqueça a autoridade da mesma sobre os subordinados (filhos e empregados)[2], no caso de faltas cometidas por crianças devemos  repreendê-las em particular, caso não tenho feito na frente de outros. Devemos fazer as distinções entre fraquezas, pecados não cometidos com rebelião, e rebelião ostensiva de forma escandalosa e persistente.  Levemos sempre Efésios 6.4 em nosso coração: “E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor.”


II – FAÇA DEVOCIONAIS PESSOAIS (vs. 2)

            Aqui no Salmo 101 ainda somos ensinados a cuidar de nossa própria alma, de nosso próprio coração: “Atentarei sabiamente ao caminho da perfeição. Oh! Quando virás ter comigo? Portas a dentro, em minha casa, terei coração sincero. (Psa 101:2 ARA)” Aqui Davi se compromete em ser íntegro porque ele anelava pela presença graciosa de Deus. O termo sabiamente “אַשְׂכִּ֤ילָה  - ‘askilah” – significa “prudência”, “sabedoria”, “saber”. O poeta aqui buscava comunhão com Deus; a busca da santidade á a busca por Deus (Salmos 15.1-5; Isaías 57.15); por isso, devemos mantes uma vida piedosa em nosso lar, buscar comunhão pessoal com Deus.  A pergunta “quando virás a mim”? É a ideia de Deus vim trazer um certa nutrição e vida a alma (alguma benção)

III – COMPORTE-SE COM INTEGRIDADE PIEDOSA EM SUA CASA (vs. 2b)
            Davi ainda nos ensina “Andarei em minha casa com um coração sincero. (Salmos 101:2 ARC)” – a palavra hebraica usada aqui para “sincero” é a palavra “בְּתָם  - betam” – ser correto, o sentido é ser completo. Servir a Deus com um coração bastante piedoso – algo fundamental na vida do líder do lar.
IV – MANTENHA A PUREZA DE SEU LAR (vs.3-5,7-8)

            Como líderes de nossas casas devemos manter um coração puro, uma vida pura diante de Deus e dos homens. O nosso coração não pode ser alimentado pelo engano.  Nossa prática deve ser a vida de piedade (vs.6).




[1] BEEKE, Joel R.; JONES, Mark. Teologia Puritana – Doutrina para a Vida. São Paulo: Vida Novo, 2017, p. 1217.
[2] Veja-se as perguntas do Catecismo maior 130-132.

sábado, 1 de abril de 2017

SALMO 100 - APRENDENDO A RENDER GRAÇAS AO SENHOR

SALMO 100 - APRENDENDO A RENDER GRAÇAS AO SENHOR
Rev. João Ricardo Ferreira de França
Introdução:
      O salmo que temos diante de nós é um salmo bastante conhecido. Não existe cristão que não o conheça. O livro de Salmos é o mais importante do Antigo Testamento. O que significa o título deste livro? “A Bíblia Hebraica simplesmente chama o Livro dos Salmos, tehillim, em hebraico "Louvores".”[1]Kraus nos lembra que os judeus que “falam hebraico ou aramaico, o ‘saltério’, que conta com 150 salmos, conhecem o livro pelo “título de ~yLihiT. (tehillîm) = ‘cânticos de louvores’, ‘cânticos de adoração’, ‘hinos’.[2]
Muitos ignoram que o Saltério é a formação de cinco livros (Liv. I cap.1-41; Liv II cap. 42-72; Liv III cap. 73-89;  Liv. IV cap.90-106; Liv.V cap.107-150).]
      Este salmo é um cântico de triunfo do nosso Deus. Alguns tem sugerido que este poema foi composto para “a companhar a apresentação de uma oferta em ações de graças ao Senhor”[3] Na igreja primitiva, o salmo 100 era usado para as orações matutinas, e com o passar do tempo ele foi usado para chamar o povo a adoração. Este salmo pode ser estruturado em três ideias fundamentais:
1.      Convite para adoração (vs. 1-3)
2.      Convite para a gratidão (vs.4)
3.      A razão para a gratidão (vs.5)
Consideremos:

I – O CONVITE PARA ADORAÇÃO (vs.1-3)
          O escritor deste salmo inicia a sua poesia de forma bastante interessante. Ele começa com uma informação importante. Este poema trata-se de um “מִזְמ֥וֹר ” [ salmo] ele é litúrgico! Foi feito para ser cantado. As palavras inicias deste salmo são parecidas com o as do salmos 98.4 “Celebrai com júbilo ao SENHOR, todos os confins da terra; aclamai, regozijai-vos e cantai louvores.
1.      Convite missiológico:

            Percebemos que o convite é missiológico, ele é universal. Uma vez que Yahweh é o senhor do universo inteiro, ele tem o direito de chamar toda a sua criação ao culto, ou seja para louvá-lo.
“celebrai” [הָרִ֥יעוּ (hari’u)]. Aqui  o sentido é de estar disposto para louvar e presta-lhe honra.
2.                  É um convite para o culto: No verso 2 temos o poeta diz “servi” no hebraico temos a palavra “עִבְד֣וּ (‘iveru)" que pode ser traduzida por “culto”, pois, esta palavra possui uma gama de significados:
a.      Pode indicar a ação de um escravo “servo”[Jeremias 34.14 – “Ao fim de sete anos, libertareis cada um a seu irmão hebreu, que te for vendido a ti e te houver servido seis anos, e despedi-lo-ás forro; mas vossos pais não me obedeceram, nem inclinaram os seus ouvidos a mim.”]
b.      O exercício dos súditos em relação ao soberano [Jeremias 27.7 - Todas as nações servirão a ele, a seu filho e ao filho de seu filho, até que também chegue a vez da sua própria terra, quando muitas nações e grandes reis o fizerem seu escravo. ]
c.       O serviço prestado ao Senhor [Êxodo 23.25 - E servireis ao SENHOR vosso Deus, e ele abençoará o vosso pão e a vossa água; e eu tirarei do meio de vós as enfermidades. ]

As nações gentílicas são aqui convocadas pelo salmista a adorarem aquele que é soberano; e isso começa com o culto que nós prestamos; o culto tem como alvo nos preparar para sermos missionários. Como? Anunciando e convocando as nações para o culto, para a celebração pactual, daí o nome divino ser enfatizado neste salmo [יְהוָ֣ה ]
Mas, como deve ser este culto? Como deve ser este servi ao Senhor? A resposta ainda está aqui no verso 2 – “servi ao senhor com alegria” ou como diz o hebraico “בְּשִׂמְחָ֑ה  - em alegria”. O culto ao senhor deve ser jubiloso! Devemos serví-lo com o coração alegre; obedecer com alegria as suas leis! Suas ordenanças, seus preceitos e tudo aquilo que ele requer que façamos devem ser feito com alegria. E entrar na sua presença com louvor. No original aqui o sentido é estar diante de sua face com louvor, a palavra “פָנָ֗יו ” que significa literalmente: “face ou rosto”, aqui indica que nossa atitude litúrgica deve ser alegre porque estamos diante de Deus em toda a celebração pactual; a nossa tradução diz que devemos entrar na presença de Deus com um hino, na verdade o original declara que devemos entrar com “um grito de alegria”. Um louvor alegre diante dele!

3.        É um convite para conhecer ao Senhor: O convite para a adoração envolve a ideia de se convidar os homens para conhecer a Deus. Conforme vemos no verso 3: “Sabei que o SENHOR é Deus; foi ele quem nos fez, e dele somos; somos o seu povo e rebanho do seu pastoreio.”
Aqui o imperativo do verbo “conhecer” [דְּע֗וּ ] foi traduzido por “saber”, o que está aqui em voga é a ordem de Deus! Mas o que significa conhecer a Deus aqui? Equivale a confessá-lo, a amá-lo. Precisamos conhecer a Deus, pois, somente assim poderemos a amá-lo de forma desinteressada, sem baraganhas, amá-lo simplesmente porque ele é o nosso Deus; por que precisamos conhecer a Deus?
  1. Porque foi ele quem nos criou
  2. Porque ele nos fez seu povo
  3. E nos tornamos por sua vontade, suas ovelhas e ele é o nosso Pastor supremo!
O Salmista reflete sobre a soberania de Deus. Primeiro, revelando que nos fez “עָ֭שָׂנוּ (ashanu)” o sentido é fazer manufaturado; Deus é criador do seu povo; a doutrina da eleição se vê claramente no texto, pois, nos dize que “foi ele quem nos fez, e dele somos (Salmos 100:3 ARA)” .
II – O CONVITE PARA AÇÕES DE GRAÇA (vs.1, 4)
Agora devemos nos lembrar que este salmo é um convite para a agradecer a Deus. Nós estamos aqui nesta noite para agradecermos a Deus. Porque sabemos que este salmo é um salmo de agradecimento. Primeiro porque o primeiro verso deste salmo nos indica isso “מִזְמ֥וֹר לְתוֹדָ֑ה (mizemor letodah)” que lit. significa “melodia para sacrifico de ações de graça” isso o coloca entre os salmos de ações de graça.  O termo “תוֹדָ֑ה” não está precisamente claro, será que trata-se do sacríficio de ações de graças?
1 Esta é a lei das ofertas pacíficas que alguém pode oferecer ao SENHOR. 12 Se fizer por ação de graças, com a oferta de ação de graças trará bolos asmos amassados com azeite, obreias asmas untadas com azeite e bolos de flor de farinha bem amassados com azeite. 13 Com os bolos trará, por sua oferta, pão levedado, com o sacrifício de sua oferta pacífica por ação de graças. 14 E, de toda oferta, trará um bolo por oferta ao SENHOR, que será do sacerdote que aspergir o sangue da oferta pacífica. 15 Mas a carne do sacrifício de ação de graças da sua oferta pacífica se comerá no dia do seu oferecimento; nada se deixará dela até à manhã.
 (Lev 7:11-15 ARA)
Ou será que se trata do cântico de ações de graças? Ou ainda trata-se da liturgia de ações de graças[4], a resposta certamente encontra-se aqui no verso 4: “4 Entrai por suas portas com ações de graças e nos seus átrios, com hinos de louvor; rendei-lhe graças e bendizei-lhe o nome. (Salmos. 100:4 ARA)
Temos aqui um convite para a adoração cheia de gratidão diante do senhor. Há um imperativo para se achegar ao ato de adoração “בֹּ֤אוּ (bob’u)” “venham para entrar” – entrem! Aqui figura-se aqui a ideia dos sacerdotes nas portas dos átrios (Templo ? ou Tabernáculo?) conclamando todo o povo à adoração!
Entrar pelas portas, pode se referir, exatamente a entrar pelos portões do templo. Os que entram no templo e se apresentam em seus átrios são encorajados a chegar-se com jubilosa gratidão diante do Senhor.

III  - O  MOTIVO PARA A GRATIDÃO (vs.5)
            O poeta termina oferecendo as bases da gratidão a Deus. As razões são sumarizadas aqui no texto de forma ímpar. Por que você deve prestar um culto de gratidão a Deus? Não porque tenha recebido alguma bênção provinda do Senhor! Não! O motivo, a base de prestarmos um culto de gratidão é bondade de Deus! Deus é bom!
            O adjetivo hebraico “ט֣וֹב ” [tov] aponta para a bondade intriseca do ser divino. Deus é supremamente bom, por isso, merece culto, adoração e atos de ações de graça! A segunda motivação que devemos deter para o ato de ações de graça é a certeza do “amor eterno de Deus”, a palavra hebraica “חַסְדּ֑וֹ (haseddo)” foi traduzida por “misericórdia”, na verdade aqui deveria ser traduzida por “amor pactual” é uma amor que perdura e que será louvado pelas gerações seguintes por causa da verdade “אֱמוּנָתֽוֹ (‘emunatho)” ou fidelidade. Aqui a ideia é de que o amor de Deus é eterno, bem como a sua geração subsiste para sempre.



[1] HARMAN, Allan. Salmos. São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p. 14.
[2][2] KRAUS, Joaquim Hans. Los Salmos
[3] HARMAN, Allan. Salmos. São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p.350.
[4] KRAUS, Joaquim Hans. Salmos. Volume 2. p.384.

domingo, 29 de janeiro de 2017

ROMANOS 2. 4 - QUANDO DESPREZAMOS A BONDADE DE DEUS?

SÉRIE DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA:
Livro Estudado: Romanos
Rev. João Ricardo Ferreira de França.
Texto Bíblico: Romanos 2.4-5
“4 Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?
 5 Mas, segundo a tua dureza e coração impenitente, acumulas contra ti mesmo ira para o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus,”

Introdução:
            Temos visto até o presente momento que os judeus se vangloriavam por ser judeus, e que por causa disso, achavam-se no direito de julgar quem quer seja; quando o apóstolo havia demonstrado o pecado dos gentios em termos graves, os judeus diziam que estavam de concordes com Paulo, todavia, Paulo mostrara que eles não haviam entendido o argumento de Paulo; pois, o juízo de Deus vem sobre todos quer sejam gentios ou judeus, não importa.
            Pois, quando os judeus condenavam os outros, a si mesmo se condenavam conforme vimos nos versos 1 a 3 neste capítulo dois de romanos; mas, os judeus não se contentavam com isso, e diziam que este ensino, o do juízo de Deus e de sua ira não se aplicava a eles, pois, eles sabiam que Deus é bom.
            Na verdade, estes indivíduos, estão é menosprezando a bondade de Deus. Essa atitude de desprezo da bondade e longanimidade de Deus mostra-nos o quanto o homem torna-se culpado, pois, entendem a bondade de Deus como sendo uma licença para o pecado. Em outras palavras, considera o amor, a misericórdia, a compaixão e a tolerância de Deus como algo fraco e débil, como se fosse uma atitude frouxa de Deus ante o pecado; os homens se escoram na bondade de Deus como se esta ignorasse o pecado; pois, os que assim agem, dizendo Deus é bom e não vai me punir por nada disso, estão desprezando a Deus e a sua vontade.
            Precisamos analisar com cuidado o versículo 4 para não cairmos no mesmo pecado dos judeus que julgavam conhecer a bondade de Deus, mas na verdade não sabiam realmente o que se trata quando somos culpados de desprezarmos a bondade divina?


I – QUANDO IGNORAMOS A DEUS (vs.4b):
            Considere o uso do verbo ignorar em nosso texto “ἀγνοῶν”[agnoôn] “Ignorando que a bondade de Deus te leva ao arrependimento”; esta palavra grega agnoôn tem o sentido de “não entendendo”; mas é uma palavra que implica em uma atitude intencional. A ideia é que alguém de fato sabendo que essa bondade pode levar o homem ao caminho da redenção; passou a ignorar completamente esta ideia. Os homens conforme conhecemos não querem nem pensar em se arrepender de seus pecados, de suas mazelas de seus corações podres e sem Cristo; mas eles querem experimentar a bondade de Deus; mas ignoram esta fato único que pode levar o homem aos céus!.
            Os homens não querem cogitar a possibilidade de mudar de vida! Eles desprezam a Deus (Romanos 1.30) – aborrecidos de Deus, desprezadores do altíssimo; então, ao ignorar e ao desprezar as verdades de Deus tais como a sua bondade revelada.

II – QUANDO IGNORAMOS QUE ESTA BONDADE NOS CONDUZ PARA ALGUM LUGAR (VS.4c)
            Os homens veem sinais da bondade de Deus por toda parte, mas simplesmente ignoram esta bondade, e ao fazer estão desprezando a Deus. O vocábulo que nos chama a atenção aqui neste texto é “leva” [ἄγει agei ]ao “arrependimento”! Esta palavra significa “conduzir”, “levar”, “carregar”. O que isso significa? O que realmente Paulo quer dizer aqui?
            Bem, certamente o apóstolo está aqui se referindo a incrédulo; Paulo está dizendo que somente a bondade de Deus pode conduzir os homens ao arrependimento! É somente esta bondade benevolente que pode  levar o homem ao caminho da vida e da piedade. Isso é importante para igreja de Deus e todos os crentes compreenderem.

III – DEVEMOS RECONHECER QUE A BONDADE DE DEUS LEVA OS HOMENS AO ARREPENDIMENTO (VS.4.d)

“a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento” (Rom 2:4 ARA)
            A doutrina do arrependimento é necessária na vida da igreja; pois, ela é de fundamental para a vida do cristão e do não cristão. Essa questão é de suma importância para entendermos a doutrina do arrependimento. Todavia, precisamos estar atentos para um fato, muitas vezes acontecem falsos arrependimentos. D. James Kennedy nos lembra algo interessante sobre esta realidade: “O arrependimento falsificado decide que o indivíduo pode fazer algo para aproximar-se de Deus. Outro tipo de arrependimento falso empenha-se em melhorar, mas  confia unicamente em seus próprios esforços ”
            É exatamente isto que temos visto em nossa época por meio dos tele-evangelistas, onde pregam tudo menos o verdadeiro arrependimento para a vida.
            Ora, quando não se prega o arrependimento há uma rebelião contra o ensino claro do evangelho do Senhor Jesus Cristo que exortou os seus discípulos a pregaram o arrependimento aos homens (Lucas 24.47).
            Este aspecto deve ser ressaltado de modo particular aos ministros do evangelho, isto porque muitas vezes temos a tendência de acharmos que todos os que estão na igreja são verdadeiramente homens e mulheres arrependidos; por isso, a declaração de Hodge é de suma importância neste particular: “Ele [o arrependimento] deve ser, portanto, diligentemente  proclamado do púlpito por todo o ministro do evangelho” .
            Esta verdade precisa ser relembrada sempre e urgentemente resgata em nossos dias. O Senhor Jesus conferiu, na Grande Comissão, o dever de seu povo anunciar o evangelho aos pecadores conforme vemos em Marcos 1.15: “dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho.”; ou seja, a chegada do reino torna necessária a chamada ao arrependimento.
            Esta doutrina do arrependimento está permeada por toda a Sagrada Escritura. Pedro após pregar em Pentecostes os homens perguntaram: “O que faremos, varões irmãos?” Pedro não disse: “olha venha aqui a Cristo e depois vocês saibam o que fazer com suas vidas!” Não ele não disse isso! Ele disse: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo”( Atos 2.38).
            A bondade de Deus, em sua Bondade Deus nos concede o arrependimento para a vida conforme lemos em Atos 11.18 “E, ouvindo eles estas coisas, apaziguaram-se e glorificaram a Deus, dizendo: Logo, também aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para vida. ”. Aprendemos com este trecho que o arrependimento é uma obra exclusiva de Deus! É Deus que nos leva ao arrependimento, ele quem nos concede essa graça evangélica, conforme aprendemos em nossa Confissão de Fé. Então, o apóstolo Paulo ao falar da bondade de Deus que leva os pecadores ao arrependimento está dizendo de igual modo que somente Deus pode levar o os ao arrependimento sincero e verdadeiro.


domingo, 22 de janeiro de 2017

A UNIVERSALIDADE DO JUÍZO DE DEUS

Esboço:
I – Não há inocentes diante de Deus. (vs 1)
II – O Juízo de Deus é segundo a verdade . (vs.2)
III – A denúncia do pecado alheio não nos isenta do juízo de Deus (vs.3)
 
SÉRIE DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA:
Livro Estudado: Romanos
Rev. João Ricardo Ferreira de França.
Texto Bíblico: Romanos 2.1-3.

Introdução:
            Chegamos agora o capítulo segundo desta grandiosa carta. Vimos que Paulo encerra o conceito da universalidade do pecado em termos gritantes no capítulo 1. Dos versos 18 a 32, revelando a grande pecaminosidade no que tange aos gentios que não conheciam a Lei de Deus. E agora estamos diante destes grandes textos da Palavra de Deus. Consideremos por alguns estantes o contexto, Paulo descrevera em tons gravíssimo a pecaminosidade dos homens; então, agora no verso primeiro deste capítulo Paulo diz: “Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas. (Romanos 2:1 ARA)”.
            E ai depois de Paulo falar sobre o estado de pecado do gentio, parece que escuta alguém dizer: “Sim, Paulo eu concordo com você! Amém, os gentios são torpes, são impuros e transformam a verdade de Deus em mentira!” Paulo então, para e diz, ei você não entendeu o que eu disse! Por que você se alegra pelo fato de que os gentios, conforme retratei estão em pecado? O homem aqui certamente é uma referência aos judeus neste texto.

I – NÃO HÁ INOCENTES DIANTE DE DEUS (vs.1)
            A primeira coisa que Paulo faz é mostrar que os judeus não estão sem culpa. Os judeus achavam que os gentios eram de fato culpados de todos aqueles pecados que Paulo mencionara no capítulo anterior, mas agora Paulo diz que os judeus não ficam se m culpa. Pois, sabemos que em todo o Antigo Testamento o povo de Israel é retrado como um povo rebelde, como um povo que naturalmente se inclinavam a outros deuses, eram marcados por pecados igualmente terríveis, então quando eles julgavam aos gentios também estavam se condenando; Paulo menciona um fato interessante no verso 24 deste capítulo: “Pois, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por vossa causa. (Rom 2:24 ARA)” Era, precisamente este o ponto, pois, o apóstolo argumenta que os gentios blasfemavam o nome de Deus por causa destes judeus que condenavam a idolatria, e que por muitas, e muitas vezes eram acusados pelos profetas deste mesmo pecado.
            Assim, de modo igual somos nós como igreja, caímos na tentação de acusarmos os outros de seus pecados; e por várias vezes, esquecemo-nos que somos pecadores de igual modo! Jesus ensinou exatamente isso em Mateus capítulo 7. 1-2: “Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também. (Mat 7:1-2 ARA)”.
            Nós somos especialistas em condenar o pecado na vida dos outros! Olhamos, muito para a natureza do pecado na vida dos outros, mas esquecemos de olhar para nós, e para os nossos pecados; lembrem-se, por exemplo, do caso de Davi em 2º Samuel capítulo 12. Natam conta uma história de um homem rico que pegara a ovelha de um homem pobre para servir apenas aos seus amigos igualmente ricos, Davi prontamente se encheu de ira, de raiva, e disse que tal homem merecia a morte; então, Natan se vira diz: “Tu és este homem Davi”!
            Em caso simples, somos rápidos em observar o pecado do outro, uma simples ovelha, mas quando se trata de tomar a mulher alheia, quase sempre somos cegados pelo pecado, e assim, não vemos o quanto pecado está envolto em nossa vida! Devemos ter cuidado ao lançarmos o juízo sobre alguém. E isto nos leva para uma segunda verdade:
II – O JUÍZO DE DEUS É SEGUNDO A VERDADE (vs.2)
Bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade contra os que praticam tais coisas. (Rom 2:2 ARA)”
            O que Paulo quer nos ensinar neste verso agora? Ele simplesmente que nos mostrar que o Juízo de Deus não é conforme o padrão dos homens; não se assemelha aos dos homens. O julgamento do homem nunca é verdadeiro. Nem sempre está de acordo com este padrão que é a verdade! Os judeus pensavam que por ser povo de Deus jamais estariam debaixo da ira de Deus. Paulo prontamente diz: parem, vocês sabem que é o juízo de Deus, e este é segundo a verdade!
            A verdade de Deus era o um tema recorrente de Paulo em todas as suas epistolas considerem, por exemplo, o capítulo 3 verso 4 de Romanos: “De maneira nenhuma! Seja Deus verdadeiro, e mentiroso, todo homem, segundo está escrito: Para seres justificado nas tuas palavras e venhas a vencer quando fores julgado. (Romanos 3:4 ARA)”
            Notem que o foco de Paulo é colocar e mostrar o contraste entre a verdade de Deus e a mentira dos homens; vejam, muitas vezes julgamos alguém não alicerçado na verdade. Mas, muitas vezes julgamos alguém nos simples prazer de condenar, e muito do que nós fazemos é pura mentira, e não reflete a verdade de Deus.
            O juízo de Deus é sempre segundo a verdade. Isto porque muitos de nós podemos a cair naquela ideia de que se somos eleitos de Deus, povo de Deus podemos pecar a vontade – mesmo que seja um simples pecado, uma simples mentirinha! E achamos que os pecados mais escabrosos estes devem  receber o juízo de Deus. Paulo diz que o juízo de Deus é segundo a verdade. A pureza e equidade do ser de Deus exige um tratamento radical com o pecado, e a maneira disso ser feito é com a verdade.
            O juízo de Deus não tem padrões diferentes é sempre o mesmo, os judeus é que faziam essas distinções! Mas, Deus não faz isso, Deus não olha a aparência, o nome o povo judeu olhava a nacionalidade e julgavam pela aparência e nunca segundo a verdade. Isso nos leva para a terceira verdade importante:
III – A DENÚNCIA DO PECADO ALHEIO NÃO NOS ISENTA DO JUÍZO DE DEUS(vs.3)
Tu, ó homem, que condenas os que praticam tais coisas e fazes as mesmas, pensas que te livrarás do juízo de Deus? (Rom 2:3 ARA)
            O julgar de forma temerária pode nos torna em finos hipócritas! É exatamente isso que Paulo nos fala aqui neste texto. Os judeus achavam que o simples fato de condenar o não-judeu e reprovar suas vidas ímpias era suficiente para Deus está em paz com eles, ou seja, Deus se tornara amigos do judeus, segundo eles pensavam, pelo fato de os mesmos mostrarem a vida suja e torpe dos gentios, todavia, eles mesmos faziam as mesmas coisas que os gentios faziam!
            Somos, muitas vezes assim. Achamos que se denunciarmos alguns pecados dos outros somente para aparecermos bem na fita. Um exemplo claro disso é neste tempo de política. Os candidatos expõe os pecados, e as falhas dos outros pelo simples fato de que quer o seu voto! Quer está de bem o com o eleitor, mas não o faz por amor a verdade! Não o faz por saber que é o certo a fazê-lo!
            Os judeus agiam basicamente deste modo, condenavam o pecado nos outros, e diziam que eles estavam perdidos, mas nunca olhavam para si mesmos esqueciam-se de olhar para si mesmos! Paulo diz, ora vocês pensam que podem julgar a prática pecaminosa dos outros e encontrar o favor de Deus, a ponto de se esquivarem-se do juízo? Não. Se o julgar de vocês não forem segundo a verdade – reconhecendo que vocês são também pecadores, e que carecem da graça oferecida por Deus em Cristo Jesus, então Deus vos será por inimigo e exercerá o juízo deles sobre cada um de vocês.
Aplicações:
1. Devemos reconhecer que todos nós somos pecadores diante de Deus.
2. Há uma necessidade de reconhecer que somente Deus é justo em todos os juízos que executa sobre os homens.
3. E que devemos ser justos no julgar, e fazê-lo por amor a verdade de Deus!.