sábado, 20 de agosto de 2022

O QUE É O DIACONATO?

 

IGREJA PRESBITERIANA DE RIACHÃO DO JACUÍPE – BA

INTRODUÇÃO AO DIACONATO.

PROF. Rev. João Ricardo Ferreira de França

AULA 01: O QUE É O DIACONATO?

DATA DA AULA: 03/07/2022.

INTRODUÇÃO:

     Um dos ofícios mais negligenciados na Igreja Presbiteriana certamente é o do diaconato; com isso, não queremos dizer que desprezamos a função e ofício do diácono no que tange a sua atuação, mas nos referimos a ausência de literatura específica sobre este ofício.

     Sobre o ofício de presbítero a literatura é abundante, uma vez que o sistema de governo presbiteriano enfatiza esse ofício. Porém, quando ao diaconato lidamos com a escassez de material destinado à concepção presbiteriana no que diz respeito ao diaconato.

I – O CONCEITO DA PALAVRA DIÁCONO.

     O Novo Testamento usa uma palavra grega muito interessante para definir as atribuições deste tipo de ofício. A palavra que nós encontramos é “dia,konoj”[diácono]. Essa palavra carrega o conceito de “servir”, “ministrar” (ROGERS; RIENCKER, 1995, p.462) Ou seja, ser um diácono é aquele que serve aos OUTROS. Neste sentido todos nós somos diáconos, o pastor, os presbíteros e até mesmo os membros da igreja podem ser considerados diáconos. É assim que se entende a palavra quando aplicada à nossa irmã Febe em Romanos 16.1

TEXTO GREGO

TEXTO PORTUGUÊS

Συνίστημι δὲ ὑμῖν Φοίβην τὴν ἀδελφὴν ἡμῶν οὖσαν διάκονον τῆς ἐκκλησίας τῆς ἐν Κεγχρεαῖς (Rom 16:1 STE)

RECOMENDO-VOS, pois, Febe, nossa irmã, a qual serve na igreja que está em Cencréia, (Rom 16:1 ACF)

 

     Observamos que a palavra “serve” no texto grego original é “διάκονον”. E o sentido aqui não é de um ofício, mas de um serviço. Por outro lado, a Escritura também estabelece o uso para um ofício designado por eleição, neste caso de vemos que o conceito de diácono assume duas conotações importantes:

O sentido estrito (o ofício) ou lato (serviço de qualquer crente).

II – A ORIGEM DO OFÍCIO DE DIÁCONO.

     O diaconato é um oficio especificamente existente no Novo Testamento. É o Novo Testamente que inaugura e instala este ofício devido a dois problemas específico: A expansão numérica da Igreja e ao conflito entre Judeus e Gentios no que tange a distribuição diária dos donativos da igreja local.

a. Atos 6.1-7.

Nesta passagem bíblica encontramos a instituição da primeira junta diaconal na igreja cristã do Novo Testamento. O texto nos mostra a razão e o processo desta escolha.

É-nos dito no texto sagrado que surgiram dois problemas na vida da igreja cristã primitiva. O primeiro foi o número exponencial dos membros novos. Quando se há um crescimento existem também uma multiplicação significativa das dificuldades e problemas na igreja. E, o segundo problema foi a “murmuração” dos crentes não judeus contra os crentes judeus, pois, as viúvas dos primeiros estavam sendo negligenciadas na distribuição diária (Atos 6.1).

b. A convocação Apostólica (atos 6.2)

O primeiro passo dos apóstolos para resolver aquela situação foi convocar uma assembleia eclesiástica para resolver o problema.

E nesta convocação eles declaram que não seria prudente abandonarem a vocação que tinham para se dedicar a observar quem deve ou não receber a cesta básica e os recursos necessários à manutenção. Pois, eles deveriam se dedicarem prioritariamente à pregação da Palavra.  

c. A orientação para a escolha (Atos 6.3-4)

Os apóstolos agora decidem orientar a igreja no processo da escolha de um grupo de oficiais que devam se dedicar a este serviço (diaconia) específico.

A orientação é marcada pelas qualificações destes oficiais, consideraremos estas qualificações mais adiante; por hora, observamos que os apóstolos orientam a escolha passando pelos crivos importantes na vida do povo de Deus.

Destaca-se aqui a razão para que os apóstolos procedam com esta orientação para a igreja cristã: “e, quanto a nós nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra” (Atos 6.4). Ou seja, o ofício do diaconato serve também ao ministério da palavra! Pois, os diáconos, no uso de seus dons viabilizam aos presbíteros docentes a possiblidade de se dedicarem ao ensino da Palavra e a oração.

d. A Eleição dos Diáconos (Atos 6.5-7)

Agora lidamos no nosso texto com a escolha dos homens para exercerem o diaconato na igreja cristã primitiva. Destaca-se neste bloco do texto sagrado que a escolha é realizada pela própria igreja. Os apóstolos poderiam indicar e estabelecer os homens para este ofício, mas optaram para que a igreja tomasse lugar neste processo de eleger os homens que deveriam se dedicar a este ministério.

A igreja escolheu sete homens, conforme foi orientada a fazer (Atos 6.3); não se sabe ao certo porque limitou-se a escolha a sete homens.

Alguns sugerem que se deva ao fato de haver representantes dos diversos grupos (três para os judeus, três para os helenos e um para os prosélitos); outros dizem que motivou-se por causa do número dos dons do Espírito Santo (Isaías 11.2; Apocalipse 1.4; Ou o número tenha sido “escolhido por considerado como sagrado segundo o pensamento dos hebreus”.

Há aqueles que sugerem que o número se baseou no rito dos sete despenseiros dos ritos pagãos na época da escrita deste texto bíblico (CHAMPLIN, 2011, vol.2, p.135). Não se sabe ao certo porque se escolheu e limitou-se a este número; o fato é que a comunidade seguiu à risca as orientações apostólicas. Após a escolha estes homens são apresentados diante dos apóstolos e são ordenados com a imposição de mãos do colegiado apostólico. Aqui temos o surgimento do oficio de diácono na igreja cristã primitiva.

CONCLUSÃO:

     Nosso estudo de hoje procurou apresentar de forma resumida o conceito e o surgimento do ofício de diácono na Igreja cristã primitiva. Vimos que o termo diácono é uma transliteração do vocábulo grego que significa “aquele que serve”. Também observamos que o ofício do diaconato é tipicamente cristão.

A Igreja Cristã da perspectiva do Novo Testamento inicia este ofício na vida dela devido a dois fatores que ocorreram: primeiro, a multiplicação dos discípulos; e, segundo o conflito que foi resultado desse crescimento. Observamos neste estudo que a igreja foi convocada para lidar com este problema; os apóstolos orientaram a igreja na escolha correta que deveriam tomar para resolver o problema, pois, a vocação dos apóstolos era a dedicação à oração e ao ensino da palavra. A escolha foi feita pela igreja local e com isso a igreja continuou a crescer.

quinta-feira, 16 de junho de 2022

HOMEM E MULHER, OS CRIOU [CASADOS]

 

HOMEM E MULHER, OS CRIOU!

Rev. João França.

Introdução:

            A vida a dois é sempre um desafio! Viver um no mundo do outro não é fácil e não é raro haver choques de interesses e de perspectivas. O enunciado de nossa palavra de hoje tem haver com as questões de atribuições no relacionamento de homem e mulher.

I – A RELAÇÃO HOMEM E MULHER

1.     Os Dados Bíblicos.

            Quando nos aproximamos dos dados bíblicos encontramos uma vasta informação sobre os papeis dos homens e mulheres na relação familiar, eclesiástica e marital.

26 E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. 27 E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.  28 E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra. (Gênesis 1:26-28 ACF)

Consideremos alguns aspectos importantes deste texto:

1.     O casal vem à existência pela própria vontade de Deus – sendo uma imagem de Deus (vs.26)

2.     Esta imagem envolve uma unidade prevalecente inicial (vs.27)

3.     O casamento obtém a bênção de Deus com duas ordens especificas:

a.      Trazer filhos santos ao mundo “frutificai e multiplicai-vos” (vs.28ª)

b.     O cumprimento do mandato cultural por meio de famílias (vs.28b)

 

2.     Focalizando o texto

Considere mais de perto o versículo 27 que diz:

E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; HOMEM E MULHER OS CRIOU. ” agora considere Gênesis 5.2: “2 Homem e mulher os criou; e os abençoou e CHAMOU O SEU NOME ADÃO, no dia em que foram criados (Gen 5:2 ACF)”

GÊNESIS 1.27 – NO ORIGINAL HEBRAICO:

O  que aprendemos aqui sobre a relação homem e mulher?

A informação de que tal unidade reflete a Imago Dei no homem que fora criado para adorar a Deus. Que verdade ensina-se aqui? (1) O casamento é uma unidade trazida à existência por Deus. (2) Que violar o casamento é quebrar, manchar e desprezar a Imago Dei que está esculpida no homem. Com este pano fundo exegético pode-se compreender adequadamente o texto de Gênesis 2.18-24. Isto significa que o casamento tem abrangência universal exatamente porque o homem e a mulher foram criados carregando a imagem de Deus Amêl.c;B. (betsalmo).

No que observamos sobre este texto é que o casamento também é companheirismo! Isso é notado no texto de Gênesis 2.18-24:

18 E disse o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele. 19 Havendo, pois, o SENHOR Deus formado da terra todo o animal do campo, e toda a ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome. 20 E Adão pôs os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo o animal do campo; mas para o homem não se achava ajudadora idônea. 21 Então o SENHOR Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; 22 E da costela que o SENHOR Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. 23 E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada. 24 Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne. (Gen 2:18-24 ACF).

 

O que se destaca neste texto:

1.     A solidão de Adão.

2.     O propósito da mulher ser Criada – “afugentar a solidão do homem  e ser um auxiliadora para ele”.

3.     Explicação: O texto apresenta uma breve explicação porque Adão se viu só no mundo. (vs.19-20)

4.     A criação da mulher (vs.21)

5.     A Primeira poesia no mundo dos mortais (vs. 22-23)

6.     Adão dá o seu nome a Eva.

7.     Uma nova formação familiar é explicada (vs.24).

Disso tudo que vimos até agora nos leva a conclusão que o casamento é feito de companheirismo.

II - OS PAPÉIS E ATRIBUIÇÕES NO CASAMENTO.

            Agora chegamos os pais de atribuições do casamento. Na estrutura Bíblica temos os papéis de:

a.      Esposa: Submissão e respeito (Efésios 5.22,33)

b.     Maridos: Amem suas esposas não tratem com amargura e vejam suas esposas como o vaso mais frágil (Efésios 5.25; Colossenses 3.19; 1 Pedro 3.7).

c.      A santificação mutua: 1ª Coríntios 7.14.


sábado, 12 de fevereiro de 2022

OS CINCO PONTOS - DEPRAVAÇÃO TOTAL

 

Estudo: Os Cinco Pontos do Calvinismo.

Depravação Total do Gênero Humano.

Prof. Rev. João França.[1]

INTRODUÇÃO:

Este é um assunto bastante discutido nas mídias sociais, nos grupos de estudos, nas salas de aulas de escola bíblica. Vivemos um novo momento na teologia cristã; tem havido um interesse significativo pelas doutrinas da graça entre os jovens de diversas denominações históricas ou não. Por outro lado, há uma tendência de muitos acharem que os cinco pontos do calvinismo ou Tulip esgota toda doutrina reformada. Na verdade vivemos aquilo que chamo de tulipação da teologia reformada. Na verdade a Tulip é apenas um resumo da soteriologia (doutrina da salvação) do calvinismo ou fé reformada.

Antes de entrarmos na explicação dos cinco pontos é necessário definirmos alguns termos, pois, podem oferecer uma má compreensão do assunto. O primeiro vocáculo é o termo calvinismo. O nome reporta-se à figura de João Calvino (1509-1564) que fixou residência em Genebra e alí atuou como reformador. O nome dele posteriormente foi dado em homenagem a um sistema teológico desenvolvido a partir do estudo das Escrituras, pois, o mesmo ensinava estas verdades em seus escritos, palestras e sermões.[2]

O segundo termo é “os cinco pontos” que se tornou um termo usado para descrever a controvérsia teológica na Holanda nos anos de 1618-1619. Onde um grupo de alunos de um homem chamado Jacob Arminius (1560-1609), publicaram, após sua morte, um protesto conhecido como a Remonstrace que exigia a mudança da concepção soteriológica das igrejas reformadas da Holanda de uma concepção calvinista onde Deus é soberano inclusive na salvação, para uma concepção humanista. Então, para se resolver essa questão se convocou um sínodo nacional na cidade de Dort para tratar deste assunto. E, as resoluções do sínodo foram organizadas em cinco proposições que posteriormente receberam o nome de Tulip, um rosa típica e muito comum na Holanda,  – termo acróstico para o resumo desta posição de Dort. E, mais adiante o termo ficou conhecido como os cinco pontos do calvinismo como uma homenagem, conforme já foi dito, a João Calvino.

EXPOSIÇÃO.

I – TOTAL DEPRAVAÇÃO

            Este é o primeiro ponto a ser considerado. Em resumo aqui se ensina que o homem é “incapaz e avesso à prática de todo bem”[3] espiritual. Isto reporta-se à queda de Adão e Eva pela desobediência ao mandamento especifico de Deus (Gênesis 2.16-17) onde lemos:

16 E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, 17 mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.

            O resultado desta desobediência do casal edênico foi a queda no pecado conforme nos ensina a Palavra de Deus em Gênesis 3.8-19:

8 Quando ouviram a voz do SENHOR Deus, que andava no jardim pela viração do dia, esconderam-se da presença do SENHOR Deus, o homem e sua mulher, por entre as árvores do jardim. 9 E chamou o SENHOR Deus ao homem e lhe perguntou: Onde estás? 10 Ele respondeu: Ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi. 11 Perguntou-lhe Deus: Quem te fez saber que estavas nu? Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses? 12 Então, disse o homem: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi. 13 Disse o SENHOR Deus à mulher: Que é isso que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi. 14 Então, o SENHOR Deus disse à serpente: Visto que isso fizeste, maldita és entre todos os animais domésticos e o és entre todos os animais selváticos; rastejarás sobre o teu ventre e comerás pó todos os dias da tua vida. 15 Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. 16 E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará. 17 E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. 18 Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo.

Notemos que no processo da queda vemos Deus vindo ao homem, o indaga para que o mesmo tenha coragem de confessar seu pecado, mas o que ele faz é transferir sua responsabilidade para a sua esposa; o resultado desta atitude do homem foi o receber uma sentença divina onde todo o caos na criação (cardos e abrolho), bem como toda a crise familiar (o desejo da mulher em dominar o marido) é resultado da desobediência do homem, e sua queda no pecado.

A hereditariedade do pecado é transmitida para a posterioridade de Adão conforme nos ensina o Apóstolo São Paulo:

12 Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.13 Porque até ao regime da lei havia pecado no mundo, mas o pecado não é levado em conta quando não há lei.14 Entretanto, reinou a morte desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual prefigurava aquele que havia de vir

 (Romanos 5.12-14 ARA)

 Diante disso pode-se afirmar o que expressa a posição confessional de Westminster quando declara que este homem é indisposto à prática do bem; verdade bem retratada pelo Apóstolo São Paulo em Romanos 3.9-18:

9 Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; 10 como está escrito: Não há justo, nem um sequer, 11 não há quem entenda, não há quem busque a Deus; 12 todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. 13 A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, 14 a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; 15 são os seus pés velozes para derramar sangue, 16 nos seus caminhos, há destruição e miséria; 17 desconheceram o caminho da paz. 18 Não há temor de Deus diante de seus olhos

O ensino bíblico sobre a Total Depravação é claro em toda a Palavra de Deus que pode ser sumarizado em conceitos básicos:

1)      O homem nasce em pecado – Salmos 51.5: o contexto desta passagem é quando Davi pecou com Bet-seba (vs.1) ele se vê como um homem vil; e, revela que comete tais pecados porque sua natureza é essencialmente pecaminosa.

2)      O homem nasce proferindo mentiras desde o seu nascimento – Salmos 58.3;

3)      E, ele é um cadáver ambulante Efésios 2.1-3.

Este bloco de textos revela a definição do pecado. Plantinga nos lembra que o pecado “não é apenas a quebra da lei, mas também a quebra da aliança com o Salvador. O pecado é uma nódoa na relação pessoal, uma ofensa ao pai divino e benfeitor, uma traição do companheiro ao qual se esta unido por laços santos” e ainda ele diz, ao explicar a passagem de Salmos 51.1-14, que todo “pecado é direcionado, primeiro e finalmente, contra Deus. Digamos então que o pecado é qualquer ato – qualquer pensamento, desejo, emoção, palavra ou feito – ou sua omissão, que desagrada a Deus e merece ser denunciado.”[4]Esta declaração reproduz com amplitude aquilo que se ensina no Breve Catecismo de Westminster na questão de número 14 quando define pecado como “transgressão à lei de Deus”.[5] 


[1] Ministro da Palavra e dos Sacramentos pela Igreja Presbiteriana do Brasil. Atualmente é pastor na Igreja Presbiteriana de Riachão do Jacuípe – BA.

[2] Recomenda-se a leitura: BEEKE, Joel R. Vivendo para a Glória de Deus – Uma Introdução à Fé Reformada. São José dos Campos: Fiel,2010; FERREIRA, Wilson Castro. Calvino: Vida, Influência e Teologia. São Paulo: Luz para o Caminho, 1985; REID, William Stanford. (ed). Calvino e sua Influência no Mundo Ocidental. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana,1990; GEORGE, Thimothy. Teologia dos Reformadores. São Paulo: Vida Nova, 1994.

[3] Confissão de Fé de Westminster – capítulo 6 seção 3

[4] PLANTINGA JR, Cornelius. Não era para ser assim – um resumo da dinâmica e natureza do pecado. São Paulo: Cultura Cristã, 1998, p.26.

[5] Breve Catecismo de Westminster questão 14.

domingo, 9 de agosto de 2020

O QUE É CASAMENTO

 

A DOUTRINA DO CASAMENTO NOS PADRÕES DE WESTMINSTER

SOB A OTÍCA DAS ESCRITURAS SAGRADAS

AULA 01: O QUE É CASAMENTO  ?

Rev. João França.[1]

CFW – CAP.XXIV – SEÇÃO 1: “O casamento deve ser entre um homem e uma mulher; tampouco é lícito ao homem ter mais de uma esposa, ou a esposa ter mais de um esposo, ao mesmo tempo

Introdução:

            Nos dias de hoje o casamento tem estado sob ataque da mídia televisiva radiofônica e impressa. Há muita confusão sobre este assunto inclusive na igreja evangélica de modo geral e nas igrejas oriundas da Reforma de modo específico. Nosso estudo aqui visa esclarecer alguns pontos importantes sobre este precioso tema.

            Inicialmente iríamos considerar o assunto do divórcio, mas observando este tema se faz necessário estudar primeiramente o casamento, pois, somente considerando o matrimônio é possível entender a posição reformada clássica sobre o divórcio e novo casamento. 

I – ASPECTOS DO CASAMENTO:

1.      Uma relação heterossexual [um homem e uma mulher] Mateus 19.5,6 – “5 e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? 6 De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem. (Mat 19:5-6 ARA)” no ato da criação Deus trouxe à existência uma relação entre Adão e Eva e não entre Adão e Ivo.

2.      O casamento é uma relação monogâmica: (Gn.2.24) – “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne. (Gen 2:24 ARA)” A CFW nos ensina com base na palavra de Deus que a relação que é Criada para o casamento é monogâmica.

 

II – O QUE É O CASAMENTO?

·         O  pensamento moderno nos ensina que o casamento é um acordo de convivên cia

·         A Escritura nos ensina de forma clara que Deus foi o autor do casamento (Gn.2.18-24; 3.10-14)

·         O casamento é uma instituição fundacional (alicerce):

·         a. A sociedade em todas as suas formas depende do casamento para existência.

·         b. o ataque ao casamento é uma forma de rebelião contra Deus que criou o casamento.

·         c. O ataque ao casamento se constitui um ataque a família sendo uma afronta a Igreja:

Ver Gênesis 7: 1; 19: 12-14; Josué 2:19; 6:23; Deuteronômio 11: 6; Atos 16:31; João 4:53; Atos 10: 2; 18: 8. De acordo com Josué 7:14, Deus dividiu a nação em tribos, casas e indivíduos. A palavra "casa" é usada como um edifício físico, o templo e o tabernáculo, a igreja (1 Timóteo 3: 5), uma linhagem familiar (tribo: Mateus 10: 6; Lucas 2: 4) e famílias individuais. Ual dual (Marcos 6: 4; Atos 7:10; 16:31). Uma "casa" incluía todos aqueles que viviam sob o teto (e, portanto, sob a autoridade da cabeça) da casa. Isso incluía escravos, parentes etc. No caso de Davi (Salmo 101: 2), era seu palácio e todos os que viviam nele. Mas ela podia ser tão pequena quanto um casal que morava sozinho. (ADAMS, el matrimonio)

III – FALSOS ENSINOS SOBRE O CASAMENTO.

1.      O Casamento é só para procriação:

a.       Ensino da Igreja Romana. –

b.      Alguns protestantes ensinam essa proposição.

c.       Dentro do casamento a procriação (o ter filhos) é permitido, mas não é base fundamental dele [Gn.1.28 – texto do mandato cultural].

2.      Casamento é ter relações sexuais:

d.      A união sexual não deve ser igualada e união matrimonial.

e.       O matrimônio é uma união que implica em união sexual ( 1ª Co 7.3-5)

f.       Se o casamento e a união sexual são a mesma coisa, então, a Bíblia não poderia falar de relações sexuais ilícitas; e quando tratasse da fornicação (porneia) chamaria de casamento informal; e o adultério não se chamaria de adultério, mas de bigamia informal.

g.      Deve-se lembrar que o matrimônio autoriza as relações sexuais, a lua de mel é santa neste aspecto (Hebreus 13.4)  



[1] Pastor na Igreja Presbiteriana do Brasil.

domingo, 24 de maio de 2020

O VALOR DOS SALMOS


O VALOR DOS SALMOS*.
ALLEN P. ROSS
Tradução: Rev. João França#.

É impossível expressar adequadamente o valor do livro dos Salmos à família  da fé. Por aproximadamente três mil anos os salmos têm estado no coração e na  vida espiritual do povo de Deus. A variedade de orações, louvores, hinos, meditações e liturgias na coleção cobrem todos os aspectos de viver para com Deus em um mundo antagônico à fé. Eles sempre foram importantes para a expressão da fé, tanto privada como corporativa. Em Israel a coleção dos salmos formava o livro de hinos do templo, com muitos salmos sendo designados para uso regular em certos dias e em diferentes ocasiões, incluindo festivais e dias santos.
Para os cristãos primitivos, os salmos eram também um tesouro porque o valor deles estão em suas orações e louvores do povo, mas também por causa de sua aplicação a Cristo nos Escritos do Novo Testamento. Ao longo da história, entretanto, os Salmos formaram as orações e os louvores das comunidades em adoração, eles vieram a ser bem conhecidos. Nas congregações cristãs modernas, no entanto, o uso dos salmos quase caiu em detrimento da vida espiritual da igreja, e as orações, hinos e cânticos que substituíram os salmos na adoração não têm a substância, poder e beleza que eles têm.
A mudança é significativa, tendo em vista a importância dos salmos ao longo da história da fé. Quando combinados com crença e entendimento, os salmos foram usados para informar doutrina, inspirar sermões e fornecer o principal recurso para o desenvolvimento da vida espiritual. Kirkpatrick escreveu:
Quando homens e mulheres, abandonando seus chamados comuns, dedicaram suas vidas à devoção e oração em mosteiros e comunidades, o canto dos salmos formava grande parte de seus exercícios religiosos. Com o tempo, a recitação do saltério tornou-se também uma obrigação clerical. Foram elaborados vários esquemas ou usos. Salmos fixos eram geralmente designados para certas horas canônicas, enquanto em outros serviços o restante dos salmos era recitado "em curso".[1]
Holladay ilustrou isso examinando a estrutura dos salmos nas diferentes ordens religiosas, observando que o arranjo se tornou o esboço para a vida de oração da comunidade.[2]
Ao longo da história da igreja, a grande importância do Livro dos Salmos foi reconhecida e proclamada repetidas vezes. Não é meu objetivo aqui coletar dezenas de testemunhas do fato; mas alguns exemplos servirão para apresentar o estudo do livro. Por exemplo, Agostinho descreveu o benefício espiritual que recebeu dos salmos quando escreveu:
Em que sotaques eu me dirigi a Ti, meu Deus, quando li os Salmos de Davi, aquelas canções fiéis, a linguagem da devoção que bane o espírito de orgulho. . . . Como eu te dirigi nesses Salmos! como meu amor por ti foi acendido por eles! Como eu queimei para recitá-los, era possível, em todo o mundo, como um antídoto para o orgulho da humanidade...[3]
Os salmos eram tão valorizados que era necessário um conhecimento profundo deles para a ordenação. Kirkpatrick citou alguns exemplos:
Gennadius, Patriarca de Constantinopla (458-471 d.C.), não ordenaria ninguém que não estivesse recitando diligentemente os salmos; o segundo Concílio de Nicéia (587 dC) concluiu que ninguém deveria ser consagrado bispo a menos que conhecesse o Saltério completamente; e o oitavo Concílio de Toledo (653 dC) ordenou que ninguém fosse promovido a nenhuma posição eclesiástica que não conhecesse perfeitamente toda a coleção[4]
Orar essas orações e cantar esses hinos foram reconhecidos como essenciais para a vida espiritual dos crentes, especialmente aqueles que liderariam as igrejas em devoção e adoração. E esse reconhecimento de sua importância continuou no mundo protestante. Martin Luther disse sobre a coleção: “Você pode, com razão, chamar o Saltério de uma Bíblia em miniatura, na qual todas as coisas descritas mais detalhadamente no restante das Escrituras são reunidas em um belo manual de concisão maravilhosa e atraente”[5]. João Calvino disse dos Salmos:
Aqui, os próprios profetas, vendo que são exibidos para nós como falando a Deus e abrindo todos os seus pensamentos e afetos mais íntimos, chamam, ou melhor, atraem cada um de nós para o exame de si mesmo em particular, para que nenhum dos muitos as enfermidades às quais estamos sujeitos e os muitos vícios com os quais abundamos, podem permanecer ocultos.[6]
E Hooker escreveu: “A escolha e a flor de todas as coisas lucrativas em outros livros, os Salmos contêm mais brevemente e mais comoventes expressões, devido à forma poética com que são escritas”.[7]
Várias coleções de versos foram impressas para a igreja depois Reforma, incluindo seleções dos Salmos, canções e hinos de outras partes da Bíblia, tradições medievais hinos tradicionais  litúrgicos e composições originais padronizadas apartir das Escrituras. Por exemplo, uma das primeiras e mais completas coleções de músicas bíblicas e poemas comparáveis foi The Hymns and Songs of the Church (1623), projetada para complementar o Saltério na liturgia. O New England Bay Psalm Book (1640) incluía versões métricas dos Salmos; tornou-se o texto autorizado para canto congregacional na Nova Inglaterra. Os hinos da igreja após a Reforma, então, foram modelados segundo os tipos no Livro dos Salmos - em 1640, havia mais de 300 edições do Saltério em inglês.[8] Quem estuda os salmos em detalhes entenderá por que eles se tornaram tão importantes para a vida espiritual da igreja; Perowne disse:
Não podemos orar os salmos sem perceber de maneira muito especial a comunhão dos santos, a unicidade da igreja militante  e da Igreja triunfante. Não podemos orar os Salmos sem ter nossos corações abertos, nossas afeições aumentadas, nossos pensamentos atraídos ao céu. Quem pode orar melhor está mais próximo de Deus, conhece melhor do Espírito de Cristo, é o mais preparado para o céu. [9]
O fato de o Saltério, por séculos, ter servido como livro de louvores e orações para a comunidade de adoração, bem como para indivíduos devotos em suas meditações particulares, deve ser suficiente para levar as igrejas de hoje a reconsiderar seu lugar na instrução e desenvolvimento da vida espiritual de a Igreja. Eles devem ser o modelo para nossos cânticos de louvor, as instruções para nossas orações e meditações e a inspiração para nossa busca pela piedade. Eles também devem ser considerados em benefício de nossa compreensão do que é a adoração, pois estavam inseparavelmente ligados à adoração de Israel por inspiração divina. Visto que a oração e o louvor - de fato, a adoração - devem ser informados, esses salmos devem ser interpretados corretamente, ensinados com clareza e pregados de maneira convincente. A igreja está perdendo uma de suas experiências mais ricas ao ignorar o Livro dos Salmos ou relegá-lo a uma leitura de rotina em um culto, sem qualquer explicação. Uma explicação clara, no entanto, não é fácil. Essa quem expunha os salmos para uso na vida espiritual e O culto ao povo de Deus encontrará alguns desafios. Eles Primeiro terá que resolver dificuldades textuais; e esta tarefa não é facilitada pelo fato de as traduções modernas optarem por uma ou outra das leituras disponíveis.
Outro desafio para o expositor vem das diferentes abordagens adotadas no estudo dos salmos nos comentários. Isso influenciará as traduções e interpretações de muitos salmos; e assim os expositores terão que pensar criticamente ao usar os vários recursos.
A própria poesia apresenta um desafio para a interpretação e aplicação dos salmos. Será necessário um pouco de prática para que os expositores possam trabalhar confortavelmente com as estruturas e figuras poéticas da poesia hebraica. Parte da linguagem poética é universal e, portanto, bastante direta; mas muito disso não é óbvio. Para explicar as imagens, será necessário conscientizar o uso da linguagem bíblica e da cultura do antigo Israel.
E, finalmente, a gramática e sintaxe hebraica representará um desafio para muitos expositores. Será óbvio para quem pesquisa como as várias Bíblias em inglês traduzem os tempos dos verbos e outras construções da língua que algum conhecimento nesta área é necessário. Se os expositores não estiverem familiarizados com as formas e construções do hebraico, terão que encontrar recursos confiáveis para ajudá-los a entender as traduções e comentários. Como nem sempre eles estão de acordo, os expositores terão que ponderar os argumentos e decidir qual deve ser a ênfase precisa de uma determinada linha de poesia, com base no contexto e no uso das Escrituras.
Os capítulos seguintes incluirão discussões sobre esses desafios em mais detalhes e oferecerão diretrizes para o estudo dos salmos nessas e em outras áreas. O próprio comentário tentará explicar o significado das palavras, as imagens bíblicas, as construções da linguagem e as variações de traduções e interpretações nos casos mais importantes do salmo, para que o expositor tenha mais informações com as quais fazer uma decisão interpretativa.


* Traduzido da obra A Commentary On The Psalms, pp. 25-29
# Formado em Teologia Reformada pelo SPN.
[1] A. F. Kirkpatrick, The Book of Psalms (Cambridge: At the University Press, 1914), ci.
[2] William L. Holladay, The Psalms through Three Thousand Years: Prayer book of a Cloud of Witnesses (Minneapolis: Augsburg Fortress, 1993), pp. 176—77 (veja as páginas 175—184 para um levantamento  do uso dos salmos no serviço divino).
[3] The Confessions of St. Augustine, ix. 4, in A Select Library of Nicene and Post-Nicene Fathers of the Christian Church, ed. by Philip SchafT (Edinburgh: T&T Clark, 1994 reprint), p. 131.
[4] Kirkpatrick, Psalms, cii.
[5] Works, ed. 1553, Vol. iii, 356. Para um  pouco mais de informação, veja  Holladay, The Psalms through Three Thousand Years, 192—195.
[6] John Calvin, Commentary on the Book of Psalms, Trans. By James Anderson. 3 Volumes (Grand Rapids: Eerdmans, 1963 reprint), p. xxxvii.
[7] Hooker, Ecclesiastical Polity, Book V, Chapter xxxvii, Par. 2.
[8] Veja Coburn Freer, Music for a King, 14—15; e Terence Cave, Devotional Poetry in France c. 1570—1613 (Cambridge, 1969).
[9] J.J.Stewart Perowne, The Book of Psalms (Grand Rapids: Zondervan, 1966 reimpressão da edição de 1878 ), 1:40.