RUA LANDULFO ALVES, 618 - D - BARRA - PRÓXIMO À RODOVIÁRIA.
sábado, 17 de agosto de 2019
sábado, 18 de maio de 2019
CREDOS E CONFISSÕES: OS SÍMBOLOS DE FÉ E A HISTÓRIA DA IGREJA
OS SÍMBOLOS DE FÉ E A HISTÓRIA
DA IGREJA
Rev. João Ricardo Ferreira de França.
Introdução:
Talvez você já tenha
estranhado o fato de falarmos em começar uma série de estudos sobre o Credo
Apostólico. Como assim? Credo? Essa coisa não é de católico?
A igreja cristã ao longo do tempo tem negligenciado a sua
herança credal e confessional.
Este curso é apresentado sob o tema: Credo e Confissões. E
boa parte da igreja evangélica não sabe o que isso significa e, se isso tem
importância.
Nosso estudo hoje vai tratar do uso dos símbolos de fé na
história da Igreja.
I – DEFINIÇÃO DE
SÍMBOLO
- A
Palavra: O vocábulo Símbolo deriva do grego: Sumballon que é resultado da união entre uma preposição e
um verbo grego “sun” [ junto com]
e o verbo “ba,llw” [atirar, semear, jogar]
- A
definição Própria: O símbolo “é uma veiculo de comunicação” que
contribui para romper barreiras (MAIA, 2002, p.16.) Também pode ser usado
para representar um povo, uma nação, uma crença: p.e: A Bandeira Nacional,
o sinal da cruz, etc...
II – A IGREJA E OS
SÍMBOLOS
A história da igreja está cheia de símbolos. O uso destes
símbolos permitiu o cristianismo sobreviver quando a igreja era perseguida nos
primórdios da fé cristã.
A igreja tem uma relação muito próxima com os símbolos
primitivos da fé Cristã. Uma vez que a igreja se valeu deles vale apena estuar
um pouco sobre eles.
2.1 – Símbolos
Os cristãos primitivos valiam-se dos símbolos para preservar
a sua vida e manter viva a sua fé!
Em um mundo onde havia uma vasta adoração aos deuses, os
cristãos quando presos e suspeitos de um culto monoteísta, declaravam estarem
indo prestar culto ao peixe!
2.2 – Os Símbolos e a Origem do Credo:
2.3 – Os símbolos e os credos...
O primeiro teólogo a usar a palavra símbolo em referência a
um corpo de teologia foi Cipriano em 250 d. C em suas cartas 69 ou 76 quando
fazia referência à Novaciano que havia rompido com a fé da igreja. E foram os
reformadores Lutero e Melanchton que usarem a palavra para os credos
protestantes.
III – OS CREDOS E AS CONFISSÕES
3.1 – Origem da palavra credo:
Esta palavra é derivada do latim “credere” mostrando uma
ação ativa com sentido de “eu creio”. A Bíblia apresenta a fé cristã em súmulas
de fé.
3.2 – O Antigo Testamento:
Encontramos o termo hebraico “ [mv”[shem’ah] (ouve) era um
tipo de “Credo Judeu” há uma gama de leitura no AT que apoontapara isso; Dt.
6.4-9; 11.13-21 e Num. 15.37-41. Era usado nas singogas e nas liturgias
antigas: Dt. 26.5-9.
III – OS CREDOS E AS CONFISSÕES
3.2 – O Novo Testamento:
Consideremos agora o uso no Novo Testamento sobre o uso de
um corpo de doutrinas que chamamos de Credo.
a)
As tradições apostólicas: No Novo
Testamento o corpo de doutrinas é por vezes chamado de “tradições”, no grego
temos a palavra “ paradosij” (2 Ts 2.15) tem sentido de “transmitir”,
“entregar”, passar adiante.
b)
Doutrina dos Apóstolos: Ainda no
Novo Testamento essas tradições são conhecidas como doutrina apostólica (Atos
2.42).
III – OS CREDOS E AS CONFISSÕES
C)Forma de doutrina:
Ainda o Novo Testamento apresenta o credo primitivo da
igreja como sendo uma tipos ou modelo de doutrina. (Rm 6.16). O termo
grego empregado é “tu,pon” = modelo, ou tipo.
d) Sã doutrina: Há também a ideia de que esse
corpo doutrina é um corpo saudável (2 Tm 4.3; 1 Tm 4.6; Tito 1.9)
e) A Fé entregue: No ensino neotestamentário
esse corpo doutrinário é apresentado como uma fé que é confiada (Judas 3)
f) Fé Santíssima: Há uma natureza atribuída ao
conjunto de doutrinas no Novo Testamento (Judas 20)
III – OS CREDOS E AS CONFISSÕES
3.3 – As primeiras Confissões da Igreja:
Há texto no Novo Testamento que parecem indicar a s
primeiras declarações confessionais da igreja cristã. Que podemos sumarizar
como segue:
a)
Jesus, O cristo: Logo no inicio da
fé cristã, a igreja se vê obrigada a declarar a messianidade de Cristo (Atos
5.42)
b)
Jesus Cristo é Senhor: A doutrina
do senhorio de Cristo era uma resposta da igreja à exigência de se conhecer
quem é realmente o soberano César ou Cristo? (Fp 2.11; 1Co.12.3)
c)
Jesus Cristo Filho de Deus: E
outra declaração confessional da igreja era a filiação de Cristo (Atos 8.37;
Mateus 16.16; 1ª João 4.15)
IV – O uso dos Credos e Confissões
Há igrejas cristãs que não possuem interesse pelos credos e
nem pelas confissões de fé antigas. Existe um profundo desconhecimento sobre o
assunto nas igrejas cristãs como um todo!
Até as Igrejas Herdeiras da Tradição Reformada não tem
valorizado o uso de credos e confissões!
Muitos membros esboçam estranheza quando ouvem o nome credo!
Associam logo ao catolicismo romano. Não olham o locus da súmula da fé
contida nos credos e confissões. Como estes documentos devem ser usados pela
igreja?
4.1 – Doutrinariamente:
Na igreja os credos sempre foram usados como expressão da
doutrina, ou resumo das doutrinas fundamentais da fé cristã. (Atos 2.42;
Efésios 4.5). O uso deles inicialmente tinha um caráter doutrinário-apologético.
No século segundo os credos eram conhecidos como “regra de fé”
4.2 - Liturgicamente
- Rito
Batismal: havia primitivamente na igreja a exigência de se declarar o
escopo da fé cristã (credo) antes do batismo. (Atos 8.37; Romanos 10.9)
- Rito
Eucarístico: A santa ceia tinha um papel importante na vida litúrgica
da igreja; e antes do fiel participar dela a igreja declarava sua fé por
meio de hinos, oração e exposiçoes da leitura dos textos apostólicos (1ª
Co.12.3; 16.22; Fp. 2.5-11)
- Recitação
litúrgica: No quarto século a igreja passou a inserir o credo de forma
a ser recitado após as leituras bíblicas da igreja, equiparando-se ao uso
do shema conforme já vimos.
Conclusão:
Conforme já vimos neste estudo, o uso dos credos e
confissões estão de acordo com a prática histórica da igreja. Devemos sempre
lembrar que os credos e as confissões consistem em respostas humanas à
revelação divina.
Seu uso histórico mostra-nos a importância de tê-los, pois,
eles nos servem com guias e roteiros para avaliarmos o ensino nos púlpitos e na
prática da igreja.
Nos credos e nas confissões encontramos os ensinos da
Palavra de Deus sumarizados, nestes estudos estaremos explorando esses
conteúdos
sábado, 15 de setembro de 2018
O PROBLEMA DO ANTIGO TESTAMENTO
IGREJA PRESBITERIANA DE RIACHÃO DO JACUÍPE – BA
O PROBLEMA DO ANTIGO TESTAMENTO
Rev. João Ricardo Ferreira de França.
Introdução:
Agora nos cabe considerar a razão
porque o Antigo Testamento é um problema para a igreja de hoje. Kaiser lembra-nos
que em vez da igreja agradecer pela grande benção do Antigo Testamento, vive questionando
sobre sua utilidade e rejeitando-o.[1]
Qual é a problema do Antigo Testamento? Alguém já declarou: “O problema do Antigo Testamento, portanto, é não
apenas um entre muitos. É o problema principal da teologia.”[2]
Ele assevera que o Antigo Testamento é o fundamental problema para seu estudo.
I - A QUESTÃO DO MITTE[3]
NO ANTIGO TESTAMENTO.
Diante de vários problemas no
estudo do Antigo Testamento há, entretanto, um que é fundamental – é a questão
do mitte. Será que existe um tema que
integre toda a revelação veterotestamentária? Há diversas propostas. O problema
pode ser colocado da seguinte forma: “existe na fé veterotestamentária um
núcleo central, do qual tudo parte e em torno ao qual tudo se move?”[4]
Qual é a grande ideia que governa o
Antigo Testamento? Esta pergunta é feita por cada estudioso que se aproxima do
Antigo Testamento. Assim, ele precisa buscar o telos (propósito, tema) do Antigo Testamento para entender toda a
revelação de Deus.
Para Von Rad o “objeto da teologia
veterotestamentária é o conjunto dos testemunhos da ação de Deus na história –
tanto de acontecimentos que precederam cronologicamente os testemunhos, como no
Hexateuco, como acontecimentos posteriores, como no caso dos profetas."[5]
O problema da abordagem de Von Rad
é que ele faz a distinção entre a fé e os eventos históricos; assim, torna-se
vazio o conceito de um centro unificador na Teologia Bíblica conforme proposta
por ele; Kaiser nos alerta para o seguinte:
Depois de um quarto de século, porém, Gerhard von
Rad veio completar quase um círculo completo e adotou a própria posição que
merecera originalmente a repressão de Eichrodt. Ao separar a intenção
‘querigmática’, ou propósitos homiléticos, dos vários escritores do A.T dos
fatos da história de Israel, Von Rad não somente negou qualquer fundamento genuíno para a confissão da fé que
Israel tinha em Javé, como também mudou o objeto do estudo teológico de uma
focalização sobre a Palavra de Deus e Sua obra, para os conceitos religiosos do
povo de Deus. Para von Rad não havia a necessidade de fundamentar o querigma da crença em qualquer realidade
objetiva, ou qualquer história como evento. A Bíblia não é tanto a fonte da fé
dos homens do A.T como uma expressão da sua fé [...] conforme a opinião dele,
cada época histórica tinha uma teologia
sem igual a ela, com tensões internas, diversidade e contradições à teologia
das demais épocas do A.T. De fato, não havia, para ele, nenhuma síntese na
mente dos autores bíblicos ou nos textos, mas apenas a possibilidade de uma
‘tendência para a unificação’. O historicismo voltara! O A.T não possuía qualquer eixo central ou continuidade de um plano
divino; pelo contrário, continua uma narrativa de como o povo lia
religiosamente a sua própria história, sua tentativa de tornar reais e
apresentar eventos e narrativas mais antigos.[6]
A resposta de
Kaiser a Von Rad é verdadeira e legítima, pois, se abordarmos o texto dentro
desta perspectiva não poderemos ter um centro unificador. E não existe uma
Teologia Bíblica, mas várias formas confessionais, a fé não tem elementos históricos
dentro deste esquema.
II - PROPOSTAS PARA UM CENTRO UNIFICADOR.
Muitos
estudiosos podem até julgar desnecessária tal abordagem, todavia, Hasel nos diz
que “a questão da existência do que pode ser considerado o centro (do alemão Mitte) do Antigo Testamento é de suma
importância para o estudo da teologia do Antigo Testamento e para a compreensão
deste”[7]
No
entendimento de Hasel só se pode ter uma compreensão adequada do Antigo
Testamento na tentativa de buscar nele um centro unificador. Neste momento
avaliaremos algumas propostas com relação à grande ideia que o Antigo
Testamento apresenta para cada um de nós.
a) A
Santidade de Deus.
A primeira
proposta que percebemos é a da Santidade de Deus; esta proposta é adotada por
homens como E.Sellin. O argumento dele em favor deste Mitte é o fato de que “isto caracteriza a natureza mais profunda e
íntima do Deus do Antigo Testamento”[8].
Sallin
argumenta “que seu estudo se preocupa ‘apenas com a longa e única linha que
termina no Evangelho: a palavra do Deus eterno nos escritos do Antigo
Testamento”[9].
O
exegeta do Antigo Testamento pode expor o texto Bíblico tendo a noção
fundamental que o tema central que norteia a mensagem veterotestamentária é a
Santidade de Deus.
Qual
é o problema com esta proposta da Santidade? É que alguns livros do Antigo
Testamento parece não ser dominado, em sua mensagem, por este tema: Os
Históricos e os Sapienciais são exemplos claros disto. No livro de juízes a
santidade de Deus parece não ser o tema que integra a sua mensagem, e muitos
textos de provérbios e salmos não indicam esta perspectiva.
b) O Senhorio de Deus.
Esta proposta
é interessante porque apresenta a realidade de que Deus é Senhor. Este Mitte é defendido como tema central do
Antigo Testamento por Ludwing Köhler Para ele a afirmação “Deus é Senhor” é “a
espinha dorsal da Teologia do Antigo Testamento” (KÖHLER, 1957, p. 35).
O
exegeta bíblico pode se valer deste conceito e trabalhar a sua exposição tendo
este tema como sendo o que de fato unifica o Antigo Testamento. Mas, qual é o
problema desta abordagem? É que os livros de juízes e sapienciais não nos
apresenta este conceito de forma clara, se um tema não integra todos os livros
do Antigo Testamento ele não pode ser eleito como Mitte para a mensagem central do Antigo Testamento.
c) O Governo e a Comunhão com
Deus.
Esta proposta
é de George Föhrer que tenta apresentar isso de forma muito interessante; pois,
ele diz que apesar de se tentar por diversas vias a elaboração de um Mitte ele diz que “deveria ser possível
falar de um núcleo central da fé e da teologia veterotestamentária.” Ele
percebe a dificuldade de se escolher um único tema que integre toda a mensagem
do Antigo Testamento e diz que
essa possibilidade poderia ser oferecida por dois
tipos de conceitos: soberania de Deus e comunhão entre Deus e o homem [...] da
soberania e da comunhão com Deus, constituem o elemento unificador da multiplicidade,
vinculando-se entre si como os dois pontos focais de uma elipse.[10]
Mas
esta abordagem também merece crítica, por isso, um pregador que deseja expor
todo o Antigo Testamento não deveria se aferrar a esta temática; pois, esta
linha de argumentação deixa de fora dois livros fundamentais: Ester e Cantares
de Salomão. Ora, então, tal abordagem da mensagem central não é legítima.
d) A Promessa.
Este Mitte tem sido habilmente defendido por
Walter C. Kaiser Jr., pois, ele sugere que o tema que integra toda a mensagem
do Antigo Testamento tem sido a promessa. Tudo é promessa vinculada ao
cumprimento. Para ele o Antigo Testamento é a promessa, e o Novo Testamento é o
cumprimento.
Ele
diz que o “verdadeiro problema, declarado com singeleza, é o seguinte: Existe
uma chave para um arranjo metódico e progressivo dos assuntos, temas e ensinos
do Antigo Testamento?”[11]. Se a
resposta for negativa, então, o que temos são diversas teologias do Antigo
Testamento e assim a “ideia de uma teologia do Antigo Testamento como tal
precisaria ser abandonada de modo permanente” (KAISER, 1984, p.23).
Ele
diz que o Mitte deve ser
“textualmente demonstrado” tendo a abordagem canônica como canal de limitação
da Teologia Bíblica. Este tema era conhecido no “AT sob uma constelação de
termos. A mais antiga de tais expressões era ‘bênção’”[12] Mas
Kaiser segue a noção de que o verbo falar no hebraico “significava prometer”, e
assim, ele extrai das várias passagens que menciona a fala de Deus em termos de
promessa a sua Teologia Bíblica. E diz que a “estas promessas Deus acrescentou
Seu ‘compromisso’ ou ‘juramento’ assim tornando duplamente certas a palavra
imediata de bênção e a palavra futura da promessa”[13]. Assim,
ele oferece a chave que abre a porta para o tema unificador do Antigo
Testamento. Ele apela para as fórmulas da promessa, como ele mesmo chama, em
textos como Gênesis 15.7 “Eu sou o SENHOR que te tirei de Ur dos caldeus”
dizendo que esta expressão é a que domina a promessa.[14] Qual é
a vantagem deste método? Ele tende a enfatizar a unidade das Escrituras. No
entanto, corre-se o risco de tornar o resultado artificial e subjetivo, uma vez
que as diferentes categorias ou temas podem ser impostos pela teologia ao texto
em lugar de naturalmente serem percebidos nele. Alguém já disse que:
Até mesmo temas considerados universais como o pacto
podem acabar sendo usados de forma indiscriminada, torcendo os dados bíblicos,
ou mesmo ignorando-os, para que o resultado se encaixe em um determinado
padrão. Ainda que não incorra em todos esses perigos. (SOUZA, Teologia Bíblica: Um Esboço, aulas
ministradas no segundo semestre do SPN no ano de 2007)
e) O Pacto.
A próxima
proposta a ser avaliada é o conceito de aliança. Esta proposta é apresentada
por Eichrot. Pois, “apartir deste conceito explicamos a unidade estrutural e a
tendência básica permanente da mensagem do Antigo Testamento.”[15] Ele
sugere que o conceito não deve ser limitado a noções doutrinárias[16], mas
como sendo uma descrição viva do progresso revelacional.[17]
Isto
implica dizer que a “teologia de Eichrodt consiste numa das mais
impressionantes tentativas de se compreender o Antigo Testamento como um todo,
partindo não apenas de um centro, mas também do conceito unificador de
‘aliança’”[18].
A
postura que adotamos é a questão do pacto, todavia, temos algumas considerações
apresentadas por Eichrodt, pois, ele fala como se houvesse várias formulações
pactuais.
Um
problema na discussão da aliança é que ela não contempla de fato os livros
sapienciais; mas Van Groningen percebendo esta falha no sistema pactual nos
apresenta uma alternativa adjacente para o pacto, ele mesmo diz:
Tenho desenvolvido o conceito do "Cordão
Dourado". Os três fios desse cordão dourado são o reino, o pacto e o
mediador. O reino, estabelecido na criação, é o cenário; a aliança é o meio
administrativo; e o mediador é (são) o agente da aliança servindo aos
propósitos do reino. (GRONINGEN, 2008, p. 39)
Diante
destas informações o que o ministro da palavra deve fazer? Uma vez que o
pregador consegue captar o Telos geral
das Escrituras ele será capaz de trabalhar com os “sub-telos” (ADAMS, Jay. Conferência Fiel para Pasoteres e Líderes, 2000).
O
que são os sub-telos? “São os temas menores que se manifestam nos livros da
Bíblia e que estão intimamente ligados com o telos maior das Escrituras”. (ADAMS, Jay. Conferência Fiel para Pasoteres e Líderes, 2000).
Jay
Adams nos mostra porque muitos sermões no Antigo Testamento parecem não possuir
unidade:
Há poucas deficiências na pregação, tão completamente
desastrosas em seus efeitos, quando a falha que ocorre, muito frequêntemente,
em se determinar o telos (ou
propósito) de uma porção que pode ser pregada. A passagem e, portanto, a
própria Palavra de Deus, é deturpada, abusada e mal tratada quando seu propósito
não foi determinado, resultando diretamente na perda de seu poder e autoridade[19]
Qual é o tema
unificador que o exegeta deve identifica no Antigo Testamento? Uma vez
respondida esta pergunta à sua Teologia Bíblica implicará em um trabalho
exegético derivado unicamente das Escrituras.
[1]
KAISER JR, Walter C. Pregando e
Ensinando a partir do Antigo Testamento – Um guia para Igreja. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p.37.
[2] KRAELING, Emil G. The Old Testament Since The Reformation.
New York: Schocken Rooks, 1969, p. 8 – minha tradução.
[3]
Mitte – é um termo alemão que significa – tema, centro e tem sido
usado entre os teólogos bíblicos para desenvolver um tema que integre todo
Antigo Testamento em sua mensagem e desenvolvimento.
[4]FOHRER, Georg. Estruturas Teológicas Fundamentais do
Antigo Testamento. São Paulo: Ed. Paulinas, 1982, p. 137.
[5] idem.
[6] KAISER, Walter C. Teologia do Antigo Testamento, São
Paulo: Vida Nova, 1984, p. 4-5 – ênfase nossa
[8] Apud,HASEL, Gehard F. Teologia
do Antigo Testamento, Rio de Janeiro: Juerp, 1987, p.58
[9] Idem
[10] FOHRER, Georg. Estruturas Teológicas Fundamentais do
Antigo Testamento. São Paulo: Ed. Paulinas, 1982, p. 141 – ênfase nossa.
[11] KAISER, Walter C. Teologia do Antigo Testamento, São
Paulo: Vida Nova, 1984, p.22.
[12] Ibid, p.35
[13] Idem.
[14] Ibid, 36-37
[16] Ibid, p.10
[17] Idem
[18] Gehard F. Teologia do Antigo Testamento, Rio de
Janeiro: Juerp, 1987, p.57
sexta-feira, 3 de agosto de 2018
A IMPORTÂNCIA DO ANTIGO TESTAMENTO
A IMPORTÂNCIA DO ANTIGO TESTAMENTO HOJE.
Rev. João França.*
Introdução:
Nos dias hodiernos temos presenciado
uma espécie de rejeição ao Antigo Testamento. Especialmente quando procuramos
em nossas listagens de sermões (se por acaso tenhamos alguma) quantos nós
pregamos no Antigo Testamento, iremos observar o quanto o negligenciamos!
Por que há tanta negligência neste
particular? Uma das respostas a ser oferecidas trata-se da distância cultural
entre o texto do Antigo Testamento e a nossa cultura atual. Richard Pratt jr,
declara:
[...]nosso tempo é diferente do mundo do Antigo Testamento. Os avanços
tecnológicos criam um distanciamento. Não usamos carruagens e espadas; usamos
misseis nucleares e sistemas de defesa
por satélite. Sociologicamente, não somos doze tribos vivendo na Palestina;
somos inúmeros congregações por todo o mundo. Até mesmo o caráter sobrenatural
de muitos acontecimentos fazem com que pareçam distantes de nós. Os evangélicos
creem que os milagres relatados na Bíblia ocorreram de fato. O machado de ferro
de Eliseu literalmente boiou na água (2º Reis 6.1-7); fogo do céu realmente
caiu sobre o sacrifício de Salomão no
Templo (2º Crônicas 7.1)[1]
A importância deste texto Antigo se
revela na necessidade que temos de compreender as verdades do Novo Testamento a
luz do Antigo; esse pressuposição é básica pra a compreensão da mensagem e
relevância do texto veterotestamentário. Walter C. Kaiser Jr nos lembra que é
chegado “o momento de uma nova avaliação das nossas razões para evitar esta seção
da Bíblia. Juntamente com um argumento favorável a procurar no Antigo
Testamento as respostas para as questões contemporâneas...”[2] É precisamente esta avaliação supramenciona
por Kaiser que precisamos encarar, se acreditamos na unidade entre os testamentos,
se cremos que a primeira parte das Escrituras se reveste de plena autoridade de
igual modo a segunda parte.
A importância de
se estudar o Antigo Testamento está no fato de que o mesmo é a fonte de
revelação pactual para o povo de Deus. Aquilo que é dito sobre a totalidade das
Escrituras se aplica de modo peculiar ao Velho Testamento, nas palavras de van
Groaningen:
O registro
escrito contém uma variedade de gêneros literários. experiências são
registradas de um modo jornalístico. A maior parte do registro consiste de
eventos históricos descritos, avaliados, interpretados, vários tipos de
material legal, pronunciamentos proféticos, admoestações em forma de sermão,
diálogos hinos e orações. Mas incluídas em tudo isto, explícita ou
implicitamente, estão as comunicações verbais de Deus. Tais comunicações
são fonte de unidade, harmonia,
significado, propósito e valor do registro escrito.[3]
.Então, essa singela consideração já por si mesma suficiente para nos
apresentar a suficiência e a importância do Antigo Testamento para os nossos
dias. Reconhecer o caráter revelacional do Velho Testamento é fundamental para
a prática da exegese saudável. Juan F. Martínez apresenta uma avaliação com
perspicácia singular:
Para muitos
cristãos o Antigo Testamento (AT) é algo assim como o apêndice do corpo humano.
Se suspeita que em algum tempo passado teve certa importância, porém, no dia de
hoje a sua utilidade é marginal. A parte de alguns salmos e uma série de
histórias e biografias, o AT tende a ser um livro fechado para a margem da vida
da igreja.[...] Porém se temos de “desmarginalizar” o AT, é vital entender a
importância de sua mensagem para a vida e ensino da igreja. [4]
Walter C. kaiser Jr, nos apresenta algumas razões importantes pelas quais
devemos considerar a importância do texto veterotestamentário. Alegando que o
próprio texto sagrado sai em sua própria defesa[5],
e apresenta de forma bem lacônica tal defesa:
1.
O Antigo
Testamento é a Poderosa Palavra de Deus: Kaiser argumenta que a primeira
seção da Bíblia está além de ser uma mera palavra de mortais escrita para a
humanidade, o livro sagrado possui uma variedade de estilos, revelando a
individualidade, dons e talentos dos escritores, mas ressalta que a “preparação
dos autores foi uma obra de Deus” e que a mensagem registrada resulta da
revelação de Deus. Argumentando que a vocação profética pode-se dá desde o
ventre (Jr. 1.4-5) ou pode ser tardia (Is.1-5), a insistência dos autores em
afirmar que recebiam uma revelação de Deus e que deveriam ser distinguidas de
suas própria palavras, norteiam a maneira como estudar a revelação divina no
Antigo testamento (Jr. 23.28,29), Kaiser argumenta que nenhum cristão do Novo
Testamento, incluindo o apóstolo Paulo aceitaria uma diminuição do Antigo
testamento, e ressalta a importância do mesmo ao escrever sobre sua suficiência
em termos tão majestosos (2ª Tim 3.16-17)[6]
2.
O Antigo
Testamento nos leva a Jesus, o Messias: Combatendo a ideia
dispensacionalista (a ruptura entre o Antigo e Novo Testamento) Kaiser nos diz
que tal ruptura traz em seu bojo um dos resultados mais trágicos na história do
povo pactual. Pois, sugere que no Antigo Testamento não há nada de messiânico a
ser buscado, a ser estudado, na verdade o Novo Testamento fica sem sentido
completamente. Walter Kaiser argumenta que o conceito messiânico está no âmago da
mensagem do Antigo Testamento onde há aproximadamente 456 textos veterotestamentários
que fazem alusão direta ao Messias. E segue argumento em prol da defesa de que
o Velho Testamento aponta para Cristo desde o pentecostes (Atos 2.16-36) e
textos relacionados como Joel 2.28-31; e o salmo 16, 110, eles são claramente apresentados
no Novo Testamento como messiânicos e aplicados a Cristo, e a conclusão
inescapável é que o Antigo Testamento conduz os homens a Cristo, pois, o Antigo
Testamento fala de Jesus (Jo. 5.39)[7]
3. O Antigo Testamento trata das questões da
vida: Acredito que boa parte da negação da importância do Antigo Testamento
está naquilo que chamamos da “Ditadura da relevância”! O Velho Testamento
parece ser um texto muito distante e não tem nada a dizer à nossa cultura
atual. Kaiser mais uma vez fala dessa relevância. Revelando que o escopo do
Antigo Testamento “sobre grandes questões da vida é extremamente amplo e
assombroso no seu aspecto prático”, então, ele ilustra isso de forma
interessante; como, as questões ecológicas e da dignidade humana expressa nos
primeiros capítulos de Gênesis (1-11); sobre as relações intimas e conjugais
expressas em Cantares de Salomão, e “uma teologia da cultura, no livro de
Eclesiastes”. As leis morais e o valor da vida humana conforme ensinada no
Antigo Testamento mostram a sua relevância para hoje é singular.[8]
4. O Antigo Testamento foi usado como a
Autoridade Exclusiva na Igreja Primitiva: Esta argumentação é magnânima. A
ênfase ao termo “Está escrito” e a palavra “Escritura” foi amplamente usado nos
dias da Igreja Primitiva. o termo grego “gra,fh”
[grafê] e o seu correlato “gra,fai”[grafai]
na maioria de suas ocorrências no Novo Testamento se faz alusão ou referência
ao Antigo Testamento. O Cristo ressurreto fundamenta todo seus sofrimento e
glorificação nas Escrituras do Antigo Testamento ( Lucas 24.25-26).[9]
CONSIDERAÇÕES FINAIS:
O Antigo Testamento é importante para a
igreja Cristã porque sua mensagem é
como um alicerce no qual toda a teologia das Escrituras é construída; sem ele a
mensagem redentiva não encontra sentido é justificativa.
O Antigo Testamento é relevante para nós
hoje porque o Apóstolo Paulo assegura esta verdade em Romanos 15.4: “pois, tudo quanto, outrora foi escrito para
o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das
Escrituras, tenhamos esperança”
O argumento de Paulo é claro, que o Antigo
Testamento é suficiente em matéria de doutrina e vida! Todo ensino (conhecimento,
compreensão) que a igreja cristã possui é derivado e oriundo do Antigo
Testamento. Todo conforto e consolo que a igreja neotestamentária precisa encontra-se
no Velho Testamento, nele somos consolados e instruídos, no livro dos Salmos, por
exemplo, somos confortados; e, em Provérbios somos instruídos na sabedoria; só
para termos alguns exemplos do Antigo Testamento.
* O autor é
Ministro da Palavra e dos Sacramentos pela Igreja Presbiteriana do Brasil
(IPB). Fundador do Centro de Estudos Presbiteriano. Atualmente é professor de
Línguas Bíblicas (Hebraico e Grego) e de exegese (Antigo e Novo Testamento) no
Seminário Presbiteriano Fundamentalista do Brasil – Patos – PB.; Mestrando em
Teologia pelo Instituto Bereano de Teologia
(IBETEO) – Brumado –BA. É professor de Filosofia e Ética na Faculdade
Regional de Riachão do Jacuípe – BA (FARJ). É casado em tem uma casal de
filhos.
[1] PRATT JR, Richard. Ele nos deu História – Um Guia Completo para Interpretação das Histórias do
Antigo Testamento, São Paulo: 2004,
p. 358.
[2]
KAISER JR, Walter C. Pregando e
Ensinando a Partir do Antigo Testamento – Um Guia para a Igreja. Tradução: Degmar
Ribas. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p.21.
[3] GRONINGEN, Gerard van. Revelação Messiânica no Antigo Testamento.
Tradutor: Cláudio Wagner. São Paulo: Cultura Cristã, 2003, p. 54-55.
[4]
MARTÍNEZ, Juan F. A Mensagem do Antigo
Testamento para a Igreja de Hoje. Tradutor: João Ricardo Ferreira de França.
São Raimundo Nonato – PI: Centro de
Estudos Presbiteriano, 2010, p. 5.
[5] KAISER JR, Walter C. Pregando e Ensinando a Partir do Antigo
Testamento – Um Guia para a Igreja. Tradução: Degmar Ribas. Rio de Janeiro:
CPAD, 2009, p.22
[6] ibid,p.22-27.
[7] Ibid, p.27-30.
[8] Ibid, p. 30-31
[9] Ibid, 31-33.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
quarta-feira, 24 de janeiro de 2018
O PACTO DE DEUS COM O HOMEM
ESTUDO NA CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER
Capítulo 7 – Do Pacto
de Deus com o Homem
Rev. João Ricardo
Ferreira de França.
INTRODUÇÃO:
A doutrina
do pacto é importante para a igreja cristã. Ela ensina que Deus antes de todos
os tempos planejou uma forma de salvar o homem que havia caído no pecado,
conforme estudamos no capítulo 6 da Confissão de Fé de Westmisnter; e o meio
pelo qual Deus provê a redenção e o resgate da comunhão com ele é através da
relação pactual.
I – O QUE É PACTO?
O vocábulo “Pacto”. Sproul nos
lembra que o “conceito de pacto é de vital importância para nosso entendimento
do Cristianismo bíblico”.[1]
Um definição que podemos oferecer, a partir do vocábulo hebraico berith, é que pacto “é uma relação que
envolve ‘juramentos e obrigações’ e compromissos mútuos, embora não
necessariamente iguais”.[2] Robertson diz: “Em seu aspecto
mais essencial, aliança é aquilo que une pessoas. Nada está mais perto do
coração do conceito bíblico de aliança do que a imagem de um laço inviolável.[3]Louis
Berkhof oferece a seguinte definição para aliança ou pacto:
A palavra berith pode indicar um acordo mútuo
voluntário (diplêurico), mas também uma disposição ou um arranjo imposto por
uma parte a outra (monoplêurico). Seu sentido exato não depende da etimologia
da palavra, nem do desenvolvimento histórico do conceito, mas, simplesmente das
partes interessadas.[4]
Robertson reforça esta definição “Aliança
é um pacto de sangue soberanamente administrado.”[5]
Entre os puritanos era comum entender a aliança como uma referência a
“promessa, estipulações e obrigações mútuas entre duas partes”[6]
E Van Deursen nos lembra que o “Pacto de Deus é
a base no qual se fundamenta nossa vida, e a atmosfera em que respiramos”.[7]
II – A NECESSIDADE DE
PACTO (Seção I):
I.
Tão grande é a distância entre Deus e a criatura, que, embora as criaturas
racionais lhe devam obediência a Ele
como seu Criador, nunca poderiam fruir nada Dele como bem-aventurança e recompensa,
senão por alguma voluntária condescendência da parte de Deus, a qual Ele se agradou
expressar por meio de um pacto
Os teólogos de
Westminster compreenderam que existe uma distância moral e relacional. A
distância moral se dá devido ao homem tem caído em pecado, mas também há uma
distância na relação de Deus com o homem, esta distância se expressa no
relacionamento entre Criador e criatura.
1.
A
distância entre o Criador e a Criatura:
Nesta seção nós
aprendemos que existe essa distância substanciosa a confissão nos oferece o
texto de Isaías 40.13-17 como prova para esta distância:
13
Quem guiou o Espírito do SENHOR? Ou, como seu conselheiro, o ensinou? 14
Com quem tomou ele conselho, para que lhe desse compreensão? Quem o instruiu na
vereda do juízo, e lhe ensinou sabedoria, e lhe mostrou o caminho de
entendimento? 15 Eis que as nações são consideradas por ele como um
pingo que cai de um balde e como um grão de pó na balança; as ilhas são como pó
fino que se levanta.16 Nem todo o Líbano basta para queimar, nem os
seus animais, para um holocausto.17 Todas as nações são perante ele
como coisa que não é nada; ele as considera menos do que nada, como um vácuo.
2. A condescendência do
Criador:
A CFW na nos
ensina que a despeito desta distância aprove ao Criador (Deus)
misericordiosamente condescender até o homem. Deus veio ao homem. Deve-se
ressaltar que tal condescendência divina é pré-lapsariana conforme encontra-se
em Gênesis 2.16-17: “E o SENHOR Deus lhe
deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do
conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres,
certamente morrerás.”
Deus se pactua
com homem com o objetivo de diminuir a distância existência entre o Criador e a
criatura. O fato de Deus outorgar a lei moral a Adão equivale a estabelecer,
ainda que implicitamente, “uma aliança”, pois, esta lei foi dada no coração do
home (Romanos 2.14-15), e no capítulo 2 de Gênesis temos de fato “a forma da
aliança”[8]
No livro dos
Salmos 113.5-8 nos mostra essa condescendência de Deus em favor do homem
pecador:
Quem
há semelhante ao SENHOR, nosso Deus, cujo trono está nas alturas, que se
inclina para ver o que se passa no céu e sobre a terra? Ele ergue do pó o
desvalido e do monturo, o necessitado, para o assentar ao lado dos príncipes,
sim, com os príncipes do seu povo.
Deus é o único
que vem em direção dos homens, o ato de se inclinar indica que Deus se preocupa
com as coisas dos homens.
3.
O
Relacionamento entre Deus e o Homem se expressa por meio de um Pacto:
A terceira
verdade que esta seção da CFW nos ensina é que essa condescendência divina se
dá a conhecer por meio “de um pacto”. Na realidade há aqueles que sustentam que
em Adão não encontramos pacto algum! A Escritura é muito clara ao tratar desta
questão, ainda que o termo pacto não apareça, aprendemos pela Escritura em
Oséias 6.7 que havia um pacto no Éden. Pois, o profeta “proclamou que Israel, como Adão, tinha quebrado o pacto porque
tinha sido infiel a Yahweh”.[9]
III
– ADÃO E O PACTO (Seção II)
II. O primeiro pacto feito com o
homem era um pacto de obras (Gl 3:12) no qual a vida foi prometida a Adão e
nele à sua posteridade (Rm 10:5; Rm 5:12-20) sob a condição de perfeita obediência
pessoal (Gn 2:17; Gl 3:10).
Na segunda
seção deste capítulo da CFW somos introduzidos ao pacto das obras. Algumas
pessoas ao ler essa declaração da Confissão “o primeiro pacto feito com o home
era um pacto de obras...” entende que aqui se faz referência a uma salvação por
meio do esforço de Adão. Isto suscita outro debate ainda gigantesco no que
tange a recompensa prometida no pacto: o céu ou a terra? Seria o céu o vida continuada no jardim?[10]Há
aqueles que temem usar o vocábulo “Pacto de obras” e usam a nomenclatura de “pacto
de vida”. Turrentini sustenta que Adão recebeu “a promessa da vida eterna e
celestial de modo que (uma vez terminado seu curso de obediência) ele seria
conduzido ao céu”.[11]Nesta
seção nós aprendemos:
1.
Que
este pacto envolvia uma promessa de vida.
Este tem sido o ensino da teologia bíblica da Reforma. É o que nos ensina
Gálatas 3.12. O pacto que Deus fez com Adão no Jardim do Éden envolvia a vida,
como também envolvia a morte, são elementos fundamentais no estabelecimento de
um pacto.
2. Que esta vida foi prometida a Adão e a toda sua Descendência:
Todos os descendentes de Adão receberam juntamente com ele a promessa da
vida, esta vida poderia ser a vida eterna ou mesmo a confirmação eterna no
estado de graça. Em Romanos 10.5 e Romanos 5.12-20 vemos isso de forma clara ,
estávamos e estamos tão intimamente ligados a Adão que a Promessa de vida que
ele recebeu era também promessa para nós que descendemos dele.
3. Que este pacto exigia uma perfeita obediência à lei pactual.
Este é o último aspecto a ser analisado na segunda seção de nossa
Confissão, este pacto que Deus fez com Adão exigia que ele tivesse uma perfeita
obediência à lei de Deus. Isto é bem claro nos textos como tais: Gênesis 2.17;
Gálatas 3.10.
[1] SPROUL, R.C. Everyone’s A Theologian – An Introduction to Systematic Theology.
Orlando: Reformation Trust. 2014, p.105
[2] HORTON, Michael. Introducing Covenant Theology . Grand
Rapids: Baker Books, 2009, p.10
[3] ROBERTSON, O. PALMER. O Cristo dos Pactos. Tradução: Amério
J. Ribeiro. Campinas - SP: Luz para
o Caminho, 1997, p.8
[4] BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Tradução: Odayr Olivetti.,
Campinas: Cultura Cristã, 2980 p.256
[5] ROBERTSON, O. PALMER. O Cristo dos Pactos. Tradução: Amério
J. Ribeiro. Campinas - SP: Luz para
o Caminho, 1997, p.8
[6] BEEKE, Joel R.; JONES, Mark. Teologia Puritana – Doutrina para a Vida.
São Paulo: Vida Nova 2016, p. 330.
[7] VAN DEURSEN, Frans. El Pacto de Dios. Barcelona: Felire,
1994, p.3.
[8] Veja-se BEEKE, Joel R.;
JONES, Mark. Teologia Puritana –
Doutrina para a Vida. São Paulo: Vida Nova , 2016, p. 335.
[9] GRONINGEN, Gerard Van. Criação e Consumação – O Reino, a Aliança e
o Mediador – Volume I. Tradução: Denise Meister. São Paulo: 2002, p.89.
[10] BEEKE, Joel R.; JONES, Mark. Teologia Puritana – Doutrina para a Vida.
São Paulo: Vida Nova, 2016, p. 342.
[11] TURRETIN, Francis. Compêndio de Teologia Apologética - 8.6.1. São Paulo: Cultura
Cristã, 2011, , p.727.
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