segunda-feira, 16 de maio de 2016

A EFICÁCIA DO BATISMO.

A EFICÁCIA DO BATISMO.
Rev. João Ricardo Ferreira de França.
            Compete-nos tratar também deste tema que se relaciona com o Batismo Cristão que é o assunto da eficácia deste sacramento. Isto é importante porque na tradição romanista o sacramento do Batismo possui conotações regeneradoras, ou seja, para o catolicismo romano o batismo opera a salvação.
            Outra preocupação que nos faz ocupar deste assunto é fato de que na tradição evangélica-protestante há uma tendência ao rebatismo como padrão doutrinário ou mesmo como uma distinção entre os que seguem a doutrina ortodoxa e os que são heterodoxos ou até mesmo os que são tidos como heréticos.
1 – A Eficácia dos Sacramentos e a Confissão de Fé de Westminster:
            Qual é a validade dos sacramentos na vida cristã? Qualquer pessoa que ministrar os sacramentos deve ser aceito como válido? Geralmente a resposta que nós oferecemos a estas duas questões é que a validade do batismo e a sua eficácia depende de quem realizou o sacramento; entretanto a Confissão de Fé de Westmister apresenta uma resposta interessante:
III. A graça significada nos sacramentos ou por meio deles, quando devidamente usados, não é conferida por qualquer, poder neles existentes; nem a eficácia deles depende da piedade ou intenção de quem os administra, mas da obra do Espírito e da palavra da instituição, a qual, juntamente com o preceito que autoriza o uso deles, contém uma promessa de benefício aos que dignamente o recebem.[1]
            A declaração da Confissão de fé neste particular assegura que a validade dos sacramentos não é dependente da piedade (santidade) ou da intenção (pressuposto teológico) daquele que o administra. Isto se aplica aos dois sacramentos ordenados e estabelecidos pelo Senhor.
2 – A Validade e Eficácia do Batismo:
            A doutrina da comunhão dos santos é expressa no credo apostólico “Creio na Comunhão dos Santos” – geralmente se entende aqui uma comunhão mística e também a santa ceia como sendo a forma visível desta comunhão, pois, ela expressa a unidade da Igreja.
            Mas, quando estudamos a Carta de Paulo aos Efésios encontramos Paulo dizendo: “Há uma só fé, um só batismo” (Efésios 4.8). Será que a doutrina do sacramento do Batismo expressa exatamente a unidade? A unidade da fé expressa pelo Batismo tem deixado de ser analisado; e tem-se colocado para a Igreja uma postura de sermos negligente a este particular.
            Quando lemos esta expressão Paulina nos vem a mente a prática do rebatismo dentro da tradição evangélica-protestante. Está correto a prática do rebatismo? Quando presbiterianos, congregacionais, luteranos, anglicanos e reformados são recebidos em outras comunidades evangélicas são automaticamente constrangidos a rebatizar-se. Será que isso é válido?
            A Confissão de fé de Westminster quando toca nesta temática nos traz a lume uma resposta importante: “VII. O sacramento do batismo deve ser administrado uma só vez a uma mesma pessoa[2]
            A Confissão de Fé assegura-nos que o sacramento do Batismo deve ser administrado uma só vez sobre a mesma pessoa. Esta posição adotada é uma forma de combater os anabatistas que não aceitavam o pedobatismo[3]; bem como aqueles que julgavam o modo de batizar por aspersão errado e procuravam rebatizar por imersão. A Confissão de fé usa o texto de Tito 3.5 como fundamento para a sua posição.
            Mas, a grande questão é: Quanto aos que são oriundos do Catolicismo Romano, eles devem ser rebatizados? O tema em si mesmo é melindroso, polêmico e incômodo, pois, o presbiterianismo brasileiro é um dos poucos no mundo a rebatizar católicos quando estes se convertem ao protestantismo.
3 – Os Reformadores e a Validade do Batismo na tradição cristã:
            Devemos considerar a posição dos principais reformadores quanto a questão da validade do Batismo, como eles de fato encaravam o sacramento para entendermos a problemática a respeito deste polêmico assunto.
            Qual era a concepção dos primeiros reformadores a respeito da validade eficácia do Batismo como sacramento estabelecido por Cristo Jesus na Igreja? A sabedoria da igreja (ou ignorância como alguns poderão alegar) deve ser sempre ouvida quanto a este assunto, a catolicidade da Igreja reclama ser ouvida neste particular, inclusive na tradição Reformada.
3.1 – Martinho Lutero:
            Há muitos que asseguram que a validade do batismo está vinculado a quem administra: por exemplo, se for o batismo efetivado pelo pastor (evangélico ou protestante) este batismo deve ser aceito como válido, mas se for realizado por um sacerdote católico romano deve ser rejeitado.
Curioso é que este pensamento nunca esteve presente na mente dos primeiros reformadores, incluindo Matinho Lutero que afirma que o ser humano batiza e não batiza, então ele explica: “batiza, porque efetua a obra ao submergir o batizando. Não batiza, já que nesta obra não age por sua própria autoridade, mas representa Deus[...]” e ainda informa que “o batismo que recebemos por mãos de um ser humano, não é do ser humano, mas de Cristo e de Deus”.[4]
            A validade e eficácia do sacramento batismal não se vincula a intenção ou a pessoa quem o administra. Uma vez que este sacramento é outorgado por Deus à igreja por meio de um mandato divino, e o que o torna válido é invocação do Deus trino para isso, então, não demérito no sacramente por causa de quem o administra.
3.2 – Ulrich Zwínglio:
            Um dos reformadores pouco conhecido no Brasil chama-se Zwínglio ou Zuínglio foi reformador na cidade de Zurique na Suiça, ele sustentara que o batismo e a santa ceia não eram meios de graça, para ele estes sacramentos nada carregavam de redentivo.[5]. Para este reformador o sacramento do Batismo era símbolo da unidade, por isso, admite um só batismo.[6]   
3.3 – João Calvino:
            O reformador francês que residiu em Genebra e naquela cidade desenvolveu o ministério da Palavra. Elaborou uma teologia dos sacramentos que se faz presente em todas as confissões de fé reformadas incluindo os Padrões de Westminster (padrões doutrinários na Igreja Presbiteriana).
            Calvino segue a definição agostiniana para os sacramentos “uma forma visível de uma graça invisível”[7]O reformador de Genebra chama o sacramento do Batismo de uma “marca de nosso cristianismo” e do “sinal no qual somos recebidos na Igreja, para que enxertados em Cristo sejamos contados entre os filhos de Deus”.[8]
            Quanto ao tema da validade e eficácia do Batismo Calvino revela que tanto um quanto o outro não depende de quem celebra o sacramento, porque devemos receber o batismo como “se o recebêssemos das mãos do próprio Deus[...] pode-se deduzir daqui de que nem se tira, nem se acrescenta nada ao Sacramento a causa da dignidade de quem o administra [...] quando se envia uma carta não se importe quem seja o portador”.[9]
A tradição cristã Reformada nos deixa o legado de que o batismo tem a sua validade eficácia não por causa da intenção de quem administra. Isto também é assegurado na Confissão de Fé de Westminster quando trata dos sacramentos: “[...]; nem a eficácia deles depende da piedade ou intenção de quem os administra, mas da obra do Espírito e da palavra da instituição, a qual, juntamente com o preceito que autoriza o uso deles, contém uma promessa de benefício aos que dignamente o recebem. Ref. Rom. 2:28-29; I Ped. 3:21; Mat. 3:11; I Cor. 12:13; Luc. 22:19-20; I Cor. 11:26.”
O que nós aprendemos aqui sobre a validade e a eficácia do sacramento do Batismo? Que para “a validade do sacramento é essencial que seja ministrado ‘em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo’”.[10] Ou seja, quando lemos Mateus 28.19 temos alí o designativo de Deus que dá sentido e validade ao Batismo.
3.4 – O Anabatismo e sua Influência na Tradição Presbiteriana Brasileira.
            Já vimos que a Reforma Protestante rejeita de forma peremptória a ideia do rebatismo seja de protestantes ou católicos. Entretanto, como essa prática de rebatizar chegou nas igrejas evangélicas e protestantes?
            Existiu um movimento paralelo à Reforma chamado de Reforma Radical que é conhecido como Anabatismo. Conhecidos na história como Rebatizadores. Eles advogavam que o Batismo Infantil praticado pela Igreja Católica Romana era nulo em seu sentido, e por isso, passaram a rebatizar os que haviam sido batizados na infância, entretanto, as Igrejas oriundas da Reforma praticavam o pedobatismo, e logo, também foram alvos de críticas dos anabatistas que também passaram a rebatizar os protestantes que eram aspersionistas e pedobatistas.
            Tanto os Luteranos quanto os Calvinistas se opuseram ao movimento da Reforma Radical que questionavam a validade não apenas do modo de batismo (aspersão), os sujeitos (no caso os bebês) e a validade do batismo católico romano. No decorrer dos anos as igrejas evangélicas e protestantes, estas últimas, nunca rebatizadoras, agora se veem na obrigação de rebatizar católicos convertidos à tradição protestante ou evangélica.
            De modo particular o presbiterianismo brasileiro possui conotações anabatistas. No ano de 1888 o sínodo da IPB se reuniu sob a presidência do Rev. Blackford onde oficialmente a igreja presbiteriana do Brasil adotara os padrões de Westmisnter e nomeou uma comissão para tratar da validade ou nulidade do batismo católico romano. E essa comissão ao que tudo indica era favorável a validade do batismo romano. Isto ficar evidente na ata daquele concílio. Entretanto, o sínodo não aceitou o relatório da comissão. Havendo uma contestação por meio de um protesto da própria comissão que ficou lavrada na ata do sínodo, que declara:
Nós, abaixo assinados, protestamos contra a decisão do Sínodo, declarando inválido o batismo romano, visto o acharmos inconveniente: (1) Porque grande maioria dos teólogos da Igreja Protestante, incluindo Lutero, Calvino, Cumingham, os Hodges (Charles e Alexander) pai e filho, Patton, Schaff, Briggs e outros homens ilustres o têm como válido; (2) Porque é fato histórico que um só ramo da Igreja Presbiteriana do Sul dos Estados Unidos da América se declara contra a validade desse batismo e o Sínodo por este ato se opõe à posição das Igrejas chamadas Reformadas; (3) Porque as igrejas metodistas e Episcopal reconhecem ambas esse Batismo, e deve toda harmonia possível em questões dessa ordem; (4) Porque nessa questão deve haver a maior caridade possível.[11]
A prática de rebatizar pessoas que vieram do Catolicismo Romano prevaleceu na identidade protestante presbiteriana brasileira. A alma católica dos evangélicos brasileiro desconhece o fato de “que os evangélicos no Brasil estão entre os mais anti-católicos do mundo. Só para ilustrar (e sem entrar no mérito dessa polêmica) o Brasil é um dos poucos países onde convertidos do catolicismo são rebatizados nas igrejas evangélicas. ”[12]
No século XX esta prática “anabatista” na Igreja Presbiteriana do Brasil voltou a ser questionada pelo Rev. Salomão Ferraz no ano de 1915 publica seu livro Princípios e Métodos. Ferraz declara: “A inovação, a esquisitice, não é o fato de aceitar-se a validez do batismo da igreja romana, mas é exatamente o oposto. A praxe do rebatismo é que vem de encontro ao consenso da igreja universal, não só na atualidade, como desde as eras mais remotas, como teremos ocasião de demonstrar”[13]
Neste mesmo livro Ferraz falando da nutrição espiritual que bons livros de tradição católica nos oferecem como a imitação de Cristo. Assegura-nos que tanto protestantes como católicos são beneficiados pelas linhas deste livro. E que é uma loucura relegar a Igreja Romana como não cristã:
E era esse mesmo livro [a Imitação de Cristo] o predileto dos Whitefields e dos Wesleys, como ainda o é de milhares de cristãos evangélicos em nossos dias. E entretanto, só nós os protestantes é que possuímos toda a verdade, toda a santidade, toda a piedade, toda a doçura, toda a pureza e abnegação, toda a consagração e caridade; só nós é que temos direito ao nome de cristãos, e os católicos romanos, mesmo os mais piedosos e sinceros, esses, coitados! De cristãos só tem o nome, o rótulo, e mais nada! É o cúmulo da paixão partidária, é o extremo da cegueira de um sectarismo estreito e pernicioso![14]
Salomão Ferraz sumariza as razões pelas quais deve-se ir contra o rebatismo de católicos convertidos na fé cristã protestante:
Resumindo as nossas considerações, nós tiramos a conclusão de que a prática de rebatizar os romanistas, que se unem às igrejas evangélicas, é inteiramente descabida e insustentável, e isto pelos seguintes modos: a) É anti-católica e atentatória contra a catolicidade da igreja de Jesus Cristo, como é reconhecida em nossas doutrinas evangélicas. b) Vem de encontro à letra e ao espírito das Escrituras e dos nossos símbolos presbiterianos e ao uso de toda a igreja. Diz o Dr. Charles Hodge: ‘Nós não temos autoridade escriturística nem exemplo para a repetição do rito do batismo; e tal repetição é proibida pela nossa Confissão de Fé e contrária ao uso de toda a igreja cristã.’ (Church Polity 214)[15].
                No entendimento protestante a validade do batismo romano não se deve por causa da intenção e nem por causa de quem o administra; quando se nega a validade deste sacramento está se traindo toda a tradição da igreja cristã durante muitos séculos. Os teólogos reformados do século XVII afirmaram peremptoriamente que há validade sim no rito do batismo praticado no romanismo, Francis Turrentin declara:
A verdade acerca da doutrina do batismo pode ser considerada seja em sua essência, ou a seus efeitos, ou os ritos e as cerimônias usadas nele. No sentido anterior, reconhecemos que pela providência singular de Deus a doutrina verdadeira acerca do batismo permanece na Igreja de Roma porque nela se retém a essência do verdadeiro batismo, a saber, a água e a fórmula prescrita por Cristo, segundo a qual é administrado em nome da Trindade. Por essa razão, o batismo realizado nesta igreja é considerado válido e não pode ser repetido.[16]
                Então, quando analisamos a questão do rebatismo na tradição presbiteriana brasileira percebemos que a igreja no Brasil ignora completamente a catolicidade da igreja (o que a igreja sempre praticou ao longo dos séculos) e a sua própria tradição Reformada.
            Na igreja da américa o presbiterianismo norte-armericano no ano de 1835 na Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana havia declarado que a Igreja Católica Romana não “era uma igreja cristã”, e disso decorre o fato da nulidade de seu batismo. Grandes eruditos apoiaram essa decisão, entre os quais encontramos: Nec Grill e o eminente professor James H. Thornwell e os contrários a posição da Assembleia Geral encontramos Dr. Lorde e o sr. Atken. A Igreja Presbiteriana da América naquela ocasião, pela grande maioria declarou “nulo o batismo realizado pela Igreja Católica Romana. ”[17]
            Entretanto, em 1845 o eminente teólogo de Princeton o dr. Charles Hodge levanta objeções significativas a decisão da Igreja Presbiteriana quanto a este particular, e as palavras dele poderá ser muito bem dirigida à Igreja Presbiteriana em nossa nação:
Estariam os homens dispostos a perguntar que nova luz foi descoberta? Que austera necessidade induziu a Assembleia a declarar que viveram e morreram não batizados Calvino, Lutero e todos daquela geração, bem como milhares que tendo somente o batismo romano foram recebidos nas igrejas protestantes?[18]
            Trinta anos depois, essa resolução foi abolida. Entretanto, a resolução deixou a encargo dos conselhos locais a decisão de receber ou não por rebatismo os oriundos da Igreja Católica Romana, alguém declarou que tal resolução foi uma declaração de incapacidade teológica significativa.[19] No Brasil não se pode acusar a igreja aqui deste tipo de postura, mas pode-se dizer que nem tal incapacidade é cogitada, pelo contrário a postura anabatista é preferível porque parece ser mais cômodo.




[1] Confissão de Fé Capítulo XVII seção IIII.
[2] Confissão de Fé Capítulo XVIII seção 7
[3] Pedobatismo = ao batismo dos filhos dos crentes recém-nascidos.
[4] LUTERO, Matinho.  Do Cativeiro Babilônico da Igreja In: Obras Selecionadas, Volume II, p. 379.
[5] TILLICH, Paul. História do Pensamento Cristão, 1998, p.237.
[6] Apud, KLEIN, Carlos Jeremias. Batismo e Rebatismo  nas mais Diversas Tradições Cristãs. São Paulo: fonte Editorial, 2010, p.43-44.
[7] CALVINO, Juan. Institución de la Religón Cristiana. Barcelona: Felire, 1999, p. 1007-1008
[8] Ibid, p. 1028.
[9] Ibid, p. 1037.                                   
[10] HODGE, A.A. Esboços de Teológia. Tradução: F.J.C.S - Lisboa. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas (PES), 2001, p.846
[11] Apud, KLEIN, Carlos Jeremias. Batismo e Rebatismo  nas mais Diversas Tradições Cristãs. São Paulo: fonte Editorial, 2010, p.94
[12] LOPES, Augustus Nicodemos. A Alma Católica dos Evangélicos no Brasil. In: http://tempora-mores.blogspot.com.br/2006/11/alma-catlica-dos-evanglicos-no-brasil.html acessado em: 03/05/2016.
[13] FERRAZ, Salomão. Princípios e Métodos. http://icai-ts.org.br/ 1915,p.29
[14] Ibid, p. 18.
[15] Ibid, p.34.
[16] TURRETIN, Francis.  Los institutos de la Teologia Refutativa, Volume 3, 1685, p.405. – Ênfase nossa.
[17] KLEIN, Carlos Jeremias. Batismo e Rebatismo nas mais Diversas Tradições Cristãs. São Paulo: fonte Editorial, 2010, p.88.
[18] Apud, KLEIN, Carlos Jeremias. Batismo e Rebatismo nas mais Diversas Tradições Cristãs. São Paulo: fonte Editorial, 2010, p.89.
[19] LEORNAD, Émile-G. O Protestantismo Brasileiro. São Paulo: ASTE, 1981, p.107-108.

terça-feira, 5 de abril de 2016

O BATISMO CRISTÃO E O CULTO (PARTE I)

O BATISMO CRISTÃO E O CULTO
Rev. João Ricardo Ferreira de França.

Introdução:
            O tema que o nosso estudo neste momento se ocupa é deveras importante para a vida do povo de Deus. O batismo cristão tem, ao longo dos anos, tomado uma variada significação nos demais grupos cristãos e de diversas confissões. O Batismo é o rito de ingresso na Igreja de Deus. E, por esta razão, as Igrejas cristãs o tem em alta consideração pelo seu valor sacramental. Mas, o que é o Batismo Cristão? A Confissão de Fé de Westminster no capítulo 28 seção 1 responde:
O Batismo é um sacramento do Novo Testamento, instituído por Jesus Cristo, não só para a admissão solene do batizado na Igreja visível, mas também para servir-lhe de sinal e selo do pacto da graça, de seu enxerto em Cristo; de sua regeneração, ou remissão de pecados e de sua total entrega a Deus através de Jesus Cristo, para andar em novidade de vida. Este sacramento, segundo a ordenação do próprio Cristo, há de continuar em sua Igreja até ao final do mundo.[1]
            Esta definição nos coloca a incumbência de tratarmos este assunto com uma profunda seriedade e reverência. O que aprendemos, a partir desta definição, sobre Batismo?
I – O BATISMO É UM SACRAMENTO.
            O Batismo Cristão não meramente um rito de iniciação na comunidade cristã. Na verdade o Batismo Cristão é um sacramento do Novo Testmamento.
1.1  – O que é um Sacramento?
 O Catecismo Maior responde:
Um sacramento é uma santa ordenança instituída por Cristo em sua Igreja, para significar, selar e conferir àqueles que estão no pacto da graça os benefícios da mediação de Cristo; para os fortalecer e lhes aumentar a fé e todas as mais graças, e os obrigar à obediência; para testemunhar e nutrir o seu amor e comunhão uns para com os outros, e para distingui-los dos que estão fora.[2]
      De forma sintética podemos dizer que eles são “sinais e selos do pacto da graça.”[3] Ou seja, “um sacramento ilustra ou simboliza as promessas de Deus”.[4] A palavra de Deus esta palavra sinal para descrever a intenção de chamar a atenção para alguma coisa conforme vemos no Evangelho de João 2.11.
      Devemos ainda ressaltar que os sacramentos tem como função selar as promessas de Deus. Indicando assim a aprovação de Deus. A linguagem do selo nas Escrituras apontam para o fato de aquilo que é sinalizado e selo é autêntico e indica nosso real interesse em Cristo (Romanos 4.11).
1.2  – Os Sacramentos são sinais e selos distintivos do Pacto da Graça.
Outra verdade que precisamos ressaltar é que os sacramentos são marcas distintivas administradas aos que abandonaram o mundo de pecado. Em outras palavras os sacramentos fazem uma “diferença visível entre os que pertencem à igreja e o restante do mundo”[5] (Romanos 15.7,8) desde o Antigo Testamento esta distinção era indicada pelos sacramentos instituídos pelo próprio Deus (Êxodo 12.48).
II – O MODO DO BATISMO
            O segundo tema que nos ocupa neste estudo é quanto ao modo do batismo. Qual é a forma correta de batizar alguém? Tem havido três formas de entendimento sobre este assunto: Imersão, Efusão e Aspersão. Os modos efusão e aspersão  são tomados um pelo outro, de sorte que, o mundo cristão, quanto a este particular, divide-se em dois grupos: Os imersionistas e os Aspersionistas.
2.1 –  O uso dos Termos relacionados ao Bastismo:
            Neste interesse particular devemos tratar do termo Batismo conforme é empregado nas Escrituras Sagradas. Os que defendem a Imersão como único modo válido de batizar alguém sustenta que o termo “Batizar” significa “imergir”, e que por tanto, deve ser o único modo aceitável para se praticar o Batismo Cristão.
            Os termos gregos Baptw, baptizw|/ e batismouj empregados na Bíblia não possuem sentido único e nem sempre significa submergir. Antes estes termos significam “derramar sobre, lavar, limpar, tingir, manchar”.[6]
2.2 – Evidências bíblicas do Uso dos Termos:
            Vejamos agora o que de fato ensina as Escrituras Sagradas no uso destes vocábulos, pois, apenas com a demonstração bíblica podemos estabelecer o uso do termo Batizar e saber se o termo significa exclusivamente imergir.
a)      Marcos 7.4.
PORTUGUÊS
GREGO
Quando voltam da praça, não comem sem se aspergirem; e há muitas outras cousas que receberam para observar, como a lavagem de copos, jarros e vazos de metal e camas
καὶ ἀπὸ ἀγορᾶς, ἐὰν μὴ βαπτίσωνται, οὐκ ἐσθίουσι· καὶ ἄλλα πολλά ἐστιν ἃ παρέλαβον κρατεῖν, βαπτισμοὺς ποτηρίων καὶ ξεστῶν καὶ χαλκίων καὶ κλινῶν·

Vemos aqui neste texto que a tese de que o vocábulo batismo (βαπτισμοὺς) não significa exclusivamente imergir. Pode-se observar que a palavra “aspergir” reproduz o vocábulo grego “βαπτίσωνται”- baptisontai – que é uma outra forma do verbo “batizar” no grego. E o termo “lavagem” de copos, jarros e camas é o vocábulo “βαπτισμοὺς” – baptismous. Como imergir camas de dormir?
b)      Lucas 11.38.
PORTUGUÊS
GREGO
O fariseu, porém, admirou-se ao ver que Jesus não se lavara primeiro, antes de comer
ὁ δὲ Φαρισαῖος ἰδὼν ἐθαύμασεν ὅτι οὐ πρῶτον ἐβαπτίσθη πρὸ τοῦ ἀρίστου.
c)      Hebreus 9.10
PORTUGUÊS
GREGO
sendo somente, no tocante a comidas, e bebidas, e várias abluções, umas ordenanças da carne, impostas até um tempo de reforma.
μόνον ἐπὶ βρώμασι καὶ πόμασι καὶ διαφόροις βαπτισμοῖς καὶ δικαιώματα σαρκὸς, μέχρι καιροῦ διορθώσεως ἐπικείμενα.
Neste texto aprendemos que os judeus receberam o Batismo como algo que lhes foi imposto, e que tal é variado. O termo abluções no grego é “βαπτισμοῖς” [batismois]. Diante dos textos que temos pode-se perceber que nenhum deles assegura a posição de que o vocábulo Batismo signifique exclusivamente imergir; mas, parece indicar outra direção quanto o sentido que o termo é usado nas Escrituras.



[1] HODGE, A.A. A Confissão de Fé de Westminster Comentada. Tradução: Valter Graciano Martins. São Paulo: Editora os Puritanos, p.457.
[2] Catecismo Maior de Westminster  resposta à pergunta 162.
[3] Confissão de Fé de Westminster, Capítulo 27. Seção 1ª
[4] LUCAS, Sean Michael. O Cristão Presbiteriano – Convicções, Práticas e Histórias. Tradução: Elizabeth Gomes. São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p.88.
[5] Confissão de Fé de Westminster, Capítulo 27. Seão 1ª.
[6] HODGE, Charles. O Batismo Cristão Imersão ou Aspersão? Tradução: Sabatini Lalli. São Paulo: Cultura Cristã, 2003, p.9.

domingo, 13 de março de 2016

Exposição em 1ª Coríntios 4.6-13

Exposição Bíblica:
!ª Coríntios:
Rev. João Ricardo Ferreira de França
Texto:
6 Estas coisas, irmãos, apliquei-as figuradamente a mim mesmo e a Apolo, por vossa causa, para que por nosso exemplo aprendais isto: não ultrapasseis o que está escrito; a fim de que ninguém se ensoberbeça a favor de um em detrimento de outro. 7 Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido? 8 Já estais fartos, já estais ricos; chegastes a reinar sem nós; sim, tomara reinásseis para que também nós viéssemos a reinar convosco. 9 Porque a mim me parece que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, em último lugar, como se fôssemos condenados à morte; porque nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos, como a homens. 10 Nós somos loucos por causa de Cristo, e vós, sábios em Cristo; nós, fracos, e vós, fortes; vós, nobres, e nós, desprezíveis. 11 Até à presente hora, sofremos fome, e sede, e nudez; e somos esbofeteados, e não temos morada certa, 12 e nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos; 13 quando caluniados, procuramos conciliação; até agora, temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos.
 (1Co 4:6-13 ARA)
Introdução:
            Paulo agora passa aplicar e a exortar com maior severidade a Igreja de corinto por suas práticas partidaristas; e claro, o apóstolo aqui tenciona trazê-los novamente a sobriedade para que eles vivam em uma comunhão saudável para o bem da Igreja. E para tanto, Paulo assegura que tudo que havia dito anteriormente serve para alguns propósitos específicos.
            Por que Paulo exalta tanto o trabalho dos ministros da palavra? Por que o apóstolo nessa passagem dá aos pregadores tanta importância no seio da igreja.
I – OS MINISTROS SÃO MODELOS E EXEMPLOS DO REBANHO. (VS.6ª)
            Aqui o apóstolo Paulo assegura-nos que os pastores são exemplos ou modelos para o rebanho de Deus. Ele nos diz: “Estas coisas, irmãos, apliquei-as figuradamente a mim mesmo e a Apolo, por vossa causa, para que por nosso exemplo aprendais isto: não ultrapasseis o que está escrito; a fim de que ninguém se ensoberbeça a favor de um em detrimento de outro. (1Co 4:6 ARA)”
            Paulo aqui nos assegura que ele e Apolo eram figuras, emblemas ou modelos de serviço a Deus para o bem comum da igreja e não para a divisão. O pronome demonstrativo “Estas” na língua grega “Ταῦτα ” [tauta] que significa “estas coisas” se refere as figuras de “agricultores, edificadores e mordomos” – ou seja, aqui Paulo combate de maneira peremptória a ideia da divisão. Estas figuras Paulo aplica aos apóstolos / pastores da igreja que trabalharam para edificação da igreja, mostrando que eles eram exemplos de vida piedosa que os corintos estavam necessitando.
            Tinha também como finalidade o ensinar algo aqueles crentes. Era que ao formentar divisões dentro da igreja aqueles irmãos estavam ultrapassando a “doutrina de Cristo” ou indo “além do que está escrito”.
            Paulo aplica isso de forma figurativa a ele e a Apolo com o objetivo de ensinar (μάθητε) aos crentes que eles não podem fugir ou ir além da palavra revelada, ou seja, A palavra de Deus não ensina e nem apóia divisões no seio da igreja de Deus. Aqui ao dizer que eles não deveriam ultrapassar o que está escrito (γέγραπται) ele está ressaltando a autoridade absoluta das Escrituras para a vida da Igreja, ou seja, a Bíblia é a nossa única regra de fé que pode nos instruir como nos comportarmos na vida da igreja. Então, quando eu tento semear a contenda e a divisão na igreja de Deus, eu simplesmente estou ultrapassando aquilo que está escrito.
            A implicação disso é que os pastores devem ser modelos a ponto de preservarem a unidade da Igreja por meio da Palavra de Cristo Jesus. Eles são agricultores, dispenseiros e mordomos na casa de Deus para que a mesma viva unidade diante de Deus.
II – O ORGULHO NÃO DEVE FAZER PARTE DO CARÁTER CRISTÃO (VS 6b-7):
            Ainda no verso 6 e 7 deste capítulo Paulo apresenta um segunda finalidade para o seu tom exortativo na presente carta. Paulo diz que o seu exemplo juntamente com Apolo tem também como o objetivo combater o orgulho dos coríntios: “a fim de que ninguém se ensoberbeça a favor de um em detrimento de outro.  7 Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido? (1Co 4:6-7 ARA)”
            Paulo revela-nos que o  fato de alguns criarem partidos dentro da igreja não compreenderam a simplicidade dos ministros da palavra que cooperavam para o crescimento saudável e harmonioso na igreja. E assim, uma vez que havia preferência de pastores havia muito rancor no seio da igreja. Pois, no verso seis a expressão “a favor de um em detrimento de outro” no grego “εἷς ὑπὲρ τοῦ ἑνὸς φυσιοῦσθε κατὰ τοῦ ἑτέρου. (1Co 4:6 BYZ)” [eis hyper tou henos fysiousthe kata tou heterou] pode ser traduzido da seguinte forma: “a cada favor de um e contra o outro”.
            Ou seja, os crentes preferiam um pastor e se colocavam contra o outro, e assim, estava a igreja dividida. A soberba é algo tão desdenhoso que o apóstolo no verso 7 declara: “Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido? (1Co 4:7 ARA)”
            Paulo assegura que aqueles que são orgulhosos não tem motivo para serem assim, porque em nada são diferentes dos demais, pois, todos tem recebido de Deus a sua porção cabível, e quando se ostentam comportam-se como se nunca tivessem recebido alguma coisa da parte de Deus, a instrução e o ensino dos ministros da palavra chegaram até eles, e estes crentes não deveriam criar preferências – pois, tanto Paulo, como Apolo e Cefas foram servos por meio dos quais a graça de Deus havia chegado até eles.
III - A AUTO-SUFICIÊNCIA ESPIRITUAL GERA O DECLÍNIO DA IGREJA (VS.8-13).
            A terceira verdade que precisamos considerar é que a Igreja de Corinto estava em um declínio espiritual por causa de sua auto-suficiência.
 8 Já estais fartos, já estais ricos; chegastes a reinar sem nós; sim, tomara reinásseis para que também nós viéssemos a reinar convosco. 9 Porque a mim me parece que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, em último lugar, como se fôssemos condenados à morte; porque nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos, como a homens. 10 Nós somos loucos por causa de Cristo, e vós, sábios em Cristo; nós, fracos, e vós, fortes; vós, nobres, e nós, desprezíveis. 11 Até à presente hora, sofremos fome, e sede, e nudez; e somos esbofeteados, e não temos morada certa, 12 e nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos; 13 quando caluniados, procuramos conciliação; até agora, temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos.
            Paulo agora usa de um recurso chamado de ironia, em seu tom irônico Paulo começa a condenar a auto-suficiência daquela igreja. Quando diz no verso 8: “ Já estais fartos, já estais ricos; chegastes a reinar sem nós; sim, tomara reinásseis para que também nós viéssemos a reinar convosco.”
            A expressão “já estais fartos” no grego é uma única palavra “κεκορεσμένοι ” [kekoresmenoi] é uma palavra usada para ser satisfeito de alimento, ter o suficiente. Ou seja, é como se Paulo dissesse: “vocês pensam que tem toda a comida espiritual de que necessitam”. Ou seja, vocês acham que não precisam de pastores para cuidar da vida espiritual de vocês! Acham que  podem cuidar da alma sozinhos, que não precisam da instrução bíblica, de aconselhamento, de doutrina. Vocês já estão fartos espiritualmente.
            Paulo mostra sua indignação que sente por estes crentes desprezarem seu pastorado e seu apostolado na igreja. E, então ele fala que este grupo chegou a reinar sem ele e os demais ministros da palavra. Expressa um desejo que isso fosse uma realidade, entretanto, a interjeição “tomara” no grego “ὄφελόν ” [ofelon] gramaticalmente aponta para a impossibilidade do cumprimento desse reinar sem os ministros da palavra.
            Nos versos seguintes o apóstolo revela-nos os riscos que passara para o bem estar do rebanho de Deus que se julga auto-suficiente espiritualmente. Ele passa a pintar em cores dramáticas os perigos que enfrentara para pastorear aquela igreja e as demais que estavam sob sua tutela.
“Porque a mim me parece que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, em último lugar, como se fôssemos condenados à morte; porque nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos, como a homens. (1Co 4:9 ARA)”
            Ainda de forma irônica Paulo revela que a igreja o tem tratado com desprezo, pois, sabemos que na hierarquia da dons dado a igreja e primeiro lugar está o apostolado, entretanto, parece que o sofrimento deles os tem relegados ao ultimo lugar na igreja. Alguns termos aqui são dramáticos, quando diz que ele os demais apóstolos foram colocados como que condenados a morte “ἀπέδειξεν ὡς ἐπιθανατίους (1Co 4:9 WHO)” o termo grego “ἀπέδειξεν”{apedeixen} era usado na cultura da época para apresentar diante das arenas aqueles que seriam condenados a morte naquele momento; como se daria aquela morte? Ela seria “um espetáculo” conforme vemos no grego “θέατρον (1Co 4:9 WHO)” [theatron] era um teatro para o mundo, era um show matar os pastores! Para o mundo era natural matar os ministros da Palavra, era simplesmente engraçado desprezá-los.
            E a igreja estava fazendo o mesmo com os seus ministros, e a igreja tem feito o mesmo com seus pastores na atualidade! Paulo mais uma vez usa cores fortes agora para mostrar a intensidade do  desprezo:
10 Nós somos loucos por causa de Cristo, e vós, sábios em Cristo; nós, fracos, e vós, fortes; vós, nobres, e nós, desprezíveis. 11 Até à presente hora, sofremos fome, e sede, e nudez; e somos esbofeteados, e não temos morada certa,  12 e nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos; 13 quando caluniados, procuramos conciliação; até agora, temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos.
 (1Co 4:10-13 ARA)
            A igreja era sábia, tinha o padrão de ser uma igreja esclarecida, mas o seu pastor era tido como louco, por pregar a sabedoria de Cristo. Ele era fraco, mas os crentes da igreja fortalecidos na verdade do evangelho. Tudo o que Paulo é menor grau a igreja era superior, ou seja, Paulo ironiza a atitude da igreja em desprezá-lo por causa da auto-suficiência que nutriam.
            Nos versos seguintes o apóstolo apresenta as suas circunstâncias pessoais, revelando as privações que um ministro da palavra está sujeito por amor a obra do Senhor. Ou seja, muitas vezes o ministro não tem o alimento cotidiano, é perseguido e maltratado.
            No verso 12 Paulo revela que houve até necessidade de trabalhar para suprir suas necessidades porque aquela igreja, toda suficiente em si mesma, desprezavam o seu pastor não sustentando-o financeiramente, antes ele fora motivo de injúria e calúnia; e, como ministro do evangelho se via obrigado a bendizer aqueles que queriam devotar-lhe só calúnia e injúria.
            E concluí no verso 13 – dizendo que todos os ministros são alvos de calunias, mas que devem sempre buscar a conciliação, e mesmo assim, tudo que ocorre de errado recai sobre eles, pois, este é o sentido aqui da expressão “temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos.”


domingo, 6 de março de 2016

Salmo 1 – Dois caminhos, dois destinos

Salmo 1 – Dois caminhos, dois destinos.
Rev. João Ricardo Ferreira de França
Introdução:
O saltério é bastante conhecido dos crentes na igreja de nossos tempos. Mas, é bastante negligenciado na atualidade, Muitos ignoram que o Saltério é a formação de cinco livros (Liv. I cap.1-41; Liv II cap. 42-72; Liv III cap. 73-89;  Liv. IV cap.90-106; Liv.V cap.107-150).
O Título: A palavra Hebraica para o título do livro de Salmos é “~yLihit. rp,se” [Sepher Thehilim] cuja tradução seria “livro dos louvores”. A autoria do livro de Salmos é múltipla, boa parte deles foi escrito por Davi.
            O salmo 1 é classificado como um salmo sapiencial ou didático é um cântico que evoca a sabedoria da lei de Deus para uma vida piedosa dos crentes. Este salmo apresenta dois caminhos e dois destinos; é conhecido como o livro da porta do saltério. Toda a interpretação dos salmos em certo sentido, perpassa por este salmo.
I – O CAMINHO DOS JUSTOS (VS.1-3)
            A primeira palavra que ocupa nossa mente neste instante certamente é o termo “bem-aventurado”. Na língua hebraica temos “אַ֥שְֽׁרֵי (‘asherei)” o sentido aqui é “que ditoso!” “quão feliz”. O mundo que conhecemos vive a cata de felicidade, os homens estão desejosos de fugir da tristeza, e por isso, procuram alegria no sexo, nas drogas, na bebida desenfreada – o homem de hoje quer felicidade a qualquer custo. Mas, a verdadeira felicidade só é possível quando o homem procurar trilhar  o caminho apontado por este salmo. Mas, como podemos trilhar o caminho da felicidade que este salmo nos apresenta?
1. Assumindo algumas posturas negativas:
(a) Não “andar” no “conselho dos ímpios”: o verbo andar aqui no hebraico “הָלַךְ (Psa 1:1 WTT)” oferece o sentido de um “estilo de vida” se realmente desejamos alcançar a felicidade precisamos rejeitar o estilo de vida que não agrada Deus. Aqui no verso primeiro é nos apresentado uma gradação de atitudes que o homem e mulher temente a Deus deve tomar “não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. (Psa 1:1 ARA)” – a palavra “ímpio”[ רְשָׁ֫עִ֥ים  Rasha’im]indica aquele que conhece a aliança, mas deliberadamente a quebra. Aqui vemos o processo de decadência daquele que não é bem-aventurado:
1) Primeiro ele se deixa influência pelos conselhos dos ímpios. Devemos evitar amizades com ímpios que declaradamente são inimigos de Deus
2) Aquele que não bem-aventurado participa do caminho dos pecadores, ele vive com o estilo de vida de forma clara;
3) Terceiro, o homem que não é bem-aventurado se indentifica com o mundo e vive com os escarnecedores. Abraçam o mundo e o mundanismo.
2. Assumindo uma postura positiva para com a Lei de Deus.(vs. 2)
“Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. (Psa 1:2 ARA)”
            Agora o salmista apresenta o aspecto positivo no qual o homem pode encontrar a felicidade.
a) Tendo prazer na Lei de Deus: O homem que procura a felicidade longe da Palavra de Deus está vivendo para a infelicidade. A palavra Lei “תוֹרַ֥ת (Psa 1:2 WTT)” significa “instrução”, “ensino”. O prazer do Cristão é conhecer a Lei de Deus. Estudá-la e amá-la. Na verdade a tradução “prazer” em nossa versão reproduz “חֶ֫פְצ֥וֹ (hefetso)” o sentido do hebraico que é “deleitar-se” na lei de Deus. Indicando também a ideia de “propósito” ou “interesse” – o interesse daquele que procura a felicidade é conhecer a palavra de Deus.
b) Meditando e aplicando a Lei em nossa vida diariamente: “e na sua lei medita de dia e de noite. (Psa 1:2 ACF)”. O sentido aqui é que o justo ele “rumina”, como o boi faz com sua comida, a lei de Deus em sua mente e em seu coração.
O verso 3 nos apresenta os resultados destas posturas dos justos:
Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará”. (Psa 1:3 ACF)  - o resultado de se viver segundo a vontade de Deus é importante para o justo. Ele será próspero. Estão sempre seguros, pois, suas raízes são alimentadas pela água da palavra de Deus.
II – O CAMINHO DOS ÍMPIOS (VS. 4,5)
Como é o caminho dos ímpios?
1. É marcado pela instabilidade:
Os ímpios não são assim; são, porém, como a palha que o vento dispersa.”
2. Sem esperança:
Por isso, os perversos não prevalecerão no juízo, nem os pecadores, na congregação dos justos.”
III – A GRANDE DIFERENÇA (vs.6)
Pois o SENHOR conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá. (Psa 1:6 ARA)



domingo, 7 de fevereiro de 2016

A PREDESTINAÇÃO

A PREDESTINAÇÃO
Rev. João Ricardo Ferreira de França.
EXPOSIÇÃO BÍBLICA:
Efésios 1.5: “..em amor os predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade,.”
Introdução: Estamos aqui diante de uma declaração estupenda. Uma verdadeira declaração que nos coloca mais baixo que o chão que pisamos. Eis aqui uma verdade solene, uma verdade da eternidade, uma verdade que procede da vontade de Deus.
       O apóstolo quer que nos concentremos mais uma vez em uma das visões mais gloriosa, quer que subamos mais um degrau até o maravilho céu. Olhando com o olhar da eternidade. Olhando para a própria eternidade. A grandeza da revelação aqui é gritante.
       Este texto revela-nos grandes coisas sobre Deus e a sua ação redentora sobre nós; revela-nos a nossa ignorância sobre o seu ser e sobre sua vontade absoluta.
I – A PREDESTINAÇÃO UMA DOUTRINA QUE REVEL O AMOR DE DEUS.
       Bem, aqui de imediato lidamos com um termo muito importante o verbo “predestinou” algumas pessoas sabem que nós cremos na doutrina da predestinação; todavia, acham que se esta doutrina vem de Deus, dizem eles, então, Deus não cheio de amor.
       Ora, esta concepção erra exatamente ai. Porque o nosso texto nos diz: “E em amor nos predestinou....” – nós não fomos predestinados em “ódio” ou “pelo ódio”, ou pelo pecado de “acepção de pessoas” – não! Nós fomos predestinados em amor.
       A predestinação é uma prova de amor. Sim, amor , o amor eterno, todavia, um amor que não se compra, que não se conquista por méritos humanos, e assim, somente assim entendemos que fomos alvos da maior graça dos céus – o amor de Deus Pai em nos predestinar.
       O pai nos predestinou para ele “porque nos amou” de forma soberana. Em amor “a igreja foi predestinada” agora, a expressão em amor no grego é “evn avga,ph|(” este deve o primeiro aspecto a ser considerado, que a Predestinação revela o amor de Deus. Esta a primeira implicação clara do texto que temos diante de nós.
II – SOMOS PREDESTINADOS PARA SERMOS DE DEUS.
       Mas, a pergunta que se levanta para o nosso texto é a seguinte: “O que Deus fez em amor”? Nos predestinou para ele. Isso é importante. Algumas pessoas dizem: “ah, se há predestinação, então podemos fazer o que quisermos, pecarmos a vontade, viver na farra, viver uma vida licenciosa” – notem que não fomos predestinados para o mundo ; o texto nos informa outra realidade, nos diz que fomos predestinados para Deus e não para o mundo. Nós somos obras de suas mãos e devemos obedecer a sua palavra. Esta expressão ainda tem algo a nos dizer: “nos predestinou para ele” alguns aqui podem até achar o seguinte, bem se fui predestinado vou viver para mim mesmo, para o meu bel prazer, viver uma vida que não importa o que acontecer, ele já predestinou tudo. Então, eu posso fazer o que quero, e o que der na telha, não! Não! Não é isso que texto dizendo. O texto nos diz que fomos “predestinados para ele” – ou seja, somos criados e trazidos ao mundo com o propósito de que a nossa vida deve ser sempre para ele; tudo  o que somos é para ele, porque tudo é dele, ele é absoluto e ninguém pode discutir com sua soberania. Augusta e absoluta. O verbo predestinou aqui tem muito a nos dizer:
1) é um verbo que está em uma ação passada que não pode ser repetida, mas que seus resultados são duradouros. Ou seja, uma vez predestinados, os homens nunca poderão larga ou deixar sua condição de predestinado – seja para vida, ou seja para a morte.
2) o verbo mostra toda a ação vinda da parte de Deus. Pois, a voz deste verbo é ativa. Então, ele deliberadamente decidiu predestinar todas as coisas. Isso nos leva para o segundo aspecto deste texto. Ou seja, nos conduz para a pergunta basilar:
III – QUAL A FINALIDADE DESTA PREDESTINAÇÃO?
3.1 – A adoção de Filhos
“para a adoção de filhos” isso aqui é importante. Sim, fomos adotados na família de Deus; esta é a finalidade da predestinação, para que sejamos adotados. O termo “adoção” que aparece aqui tem implicações gritantes; vejam:
       1. Que Por natureza não somos filhos de Deus: esta é a primeira grande implicação que o substantivo “ui`oqesi,an” tem a nos informar, então, é um ledo engano, quando pregadores dizem que todos são filhos de Deus. Não são. Mais adiante Paulo vai nos lembrar que estávamos mortos nos nossos delitos e pecados e que éramos por natureza filhos da ira... (Efésios 2.1-3).
       2. Que somos incapazes de nos tornar filhos de Deus aparte de sua predestinação.  Este é outro aspecto culminante desta palavra “adoção” – quando queremos adotar um filho, nós planejamos como vamos fazer, plenejamos e ordenamos nossas finanças, idealizamos tudo. Notem, eles só podem vir a ser filhos se os nossos projetos e planos tiverem perfeita capacidade de se concretizar.
       Notaram que não somos filhos, ou nos fazemos filhos, por algum esforço que provem de nós? Não cabe aqui o livre-arbítrio, não cabe aqui as boas obras, cabe aqui mais uma vez a escolha livre e soberana de Deus sendo manifestada por causa de sua predestinação. Este é um aspecto fundamental para que nós consideremos esta gloriosa verdade, isso deve provocar em nós duas atitudes:
1) Humildade – Deus me quis em sua família, ele me amou desde toda eternidade para me fazer um filho seu!
2) Louvou: - louvar a Deus por tão grandioso amor. Imensurável amor, incalculável amor que nos fez ser filhos por adoção.
3.2 – Jesus Cristo – o meio pelo qual somos adotados na família de Deus.
       Mas, notemos que esta adoção nunca vincula-se somente a predestinação ela precisa de um mediador, observe o nosso texto mais uma vez: “por meio de Jesus Cristo”. Cristo é o mediador do seu povo, é o resgataor, é por meio de Cristo, e por causa de Cristo que podemos ser inseridos, podemos ser trazidos ao seio da família de Deus, pois, é precisamente isso que vemos no grego “dia. VIhsou/ cristou/ eivj auvto,n” – literalmente temos “por meio de Jesus Cristo para ele”, em outras palavras, apenas em Cristo somos entregues ao Pai. Somente em Cristo temos acesso a casa do Pai. Glorioso é este evangelho.
IV – O FUNDAMENTO DA PREDESTINAÇÃO E ADOÇÃO: A VONTADE DE DEUS.
       Mas onde tudo isso se fundamenta? Sim tudo deve ter um alicerce. Que alicerce é esse?  “segundo o beneplácito de sua vontade” “kata. th.n euvdoki,an tou/ qelh,matoj auvtou/” – sim, aqui Paulo nos informa que toda a obra da predestinação que inclui a nossa adoção e mediação em Cristo Jesus se fundamenta nesta “eudokiam tou thelematos theou” – ou seja, é o querer de Deus que tudo isso ocorra, é a vontade boa e agradável do Senhor.
       A nossa salvação, a nossa inclusão na família de Deus não depende de nenhum livre-arbítrio humano, de nenhum esforço humano, apenas, somente da vontade santa, augusta e amorosa de Deus.

       E o seu propósito, o conselho de sua vontade. Notem ele não pede conselho a ninguém a sua vontade é o seu conselho, o seu executar de tudo o que temos e tudo o que somos. Amém!

sábado, 23 de janeiro de 2016

AJUDANDO O PRÓXIMO - MOBILIDADE SOCIAL NA IGREJA DE RIACHÃO DO JACUÍPE-BA

Atenção membros da IP DE Riachão DO Jacuípe a nossa igreja tem se mobilizado na arrecadação de donativos para os jacuipenses que encontram-se desabrigados na nossa cidade, por isso, quem tiver algum donativo (roupas, calçados, itens de higiene pessoal) favor levar hoje à igreja, a partir das 14:00hs. 


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

EFÉSIOS 1.4 - A DOUTRINA DA ELEIÇÃO

A DOUTRINA DA ELEIÇÃO
Rev, João Ricardo Ferreira de França.
Exposição Bíblica:
Efésios 1.4: “assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor ”
Introdução:
            No nosso último encontro com Paulo e o ensino que decorre deste capítulo de Efésios 1. E a grande pergunta que levantamos como uma pessoa recebe todas as bênçãos espirituais? Ou ainda como uma pessoa antes incrédula torna-se em cristã? Muitas pessoas, e igrejas diriam que a pessoa se torna cristã mediante o ato de crer; é isso que está em voga no ensino da maioria das igrejas evangélicas de nosso país.
            Outros declaram que a pessoa torna-se cristã mediante o sacrifício de Cristo Jesus – isso faz parte da vida cristã – mas não é a causa matriz da fé cristã ser professada por uma pessoa. Paulo não parte de nada que iniciara neste mundo para tratar desta questão; na verdade ele vai até a eternidade, antes da fundação do mundo, e parte daquilo que Deus pai planejou antes de todos os tempos. E assim temos  a estupenda doutrina da eleição apresentada neste texto. A partir deste texto consideraremos as seguintes ideias:
I – Deus, O pai o autor da eleição
II – Deus o filho,  o meio da eleição
III – O tempo da Eleição
IV – o propósito da eleição.
I – DEUS PAI – O AUTOR DA ELEIÇÃO.
            Já temos observado que Paulo nunca começa com o homem, ele começa com Deus. E aqui neste texto não é diferente, notemos como o  apóstolo começa “assim como nos escolheu...”
            A doutrina da eleição ou predestinação começa em Deus, na ação de Deus em escolher. Há duas maneiras como lidar com este  assunto. A primeira, é que fomos escolhidos por Deus simplesmente como fato de sua satisfação, como resultado de seu bom prazer ou como diz a escritura “segundo o beneplácito de sua vontade” (efésios 1.5); a outra forma de entender essa doutrina é sustentar a ideia de que Deus escolheu baseando-se no seu conhecimento prévio de que você iria crer em Jesus, então Deus fez a escolha e apostou em você.
            Mas quando nos aproximamos deste texto percebemos que a segunda ideia não condiz com a revelação da Palavra de Deus. Notem como Paulo diz: “assim nos escolheu...” o verbo grego escolher aqui é “ἐξελέξατο (exelexato)” significa “escolher, selecionar” e implica na escolha de uns e rejeição de outros. Descreve a ação de Deus em escolher pecadores, aponta para uma escolha de Deus.
            Todas as bênçãos incluindo a salvação é possível porque Deus escolheu certos homens e certas mulheres para serem alvos de sua graça redentora, é isso que Paulo deixa em relevo para nós.
            A Bíblia simplesmente afirma a verdade de que Deus fez uma escolha. Ele escolheu pecadores, ele escolheu a você para segui-lo e amá-lo. Devemos reconhecer essa doutrina como sendo uma doutrina de Deus. Isso nos leva mais adiante, e nos exorta a rejeitar todo o pensamento de dizer que não entendemos o que Deus está fazendo, ou acusar de ser uma doutrina injusta lembre-se que é Deus quem nos escolhe e não somos nós que o escolhemos “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda. (Joh 15:16 ARA)”
II – DEUS O FILHO, O MEIO DA ELEIÇÃO
            Isso nos leva para o segundo aspecto a ser encarado neste assunto, é que a doutrina aqui enunciada neste texto não fala que apenas fomos escolhidos, ela nos diz onde somos eleitos, onde se manifesta a nossa predestinação. Deus nos separou do mundo da humanidade em Cristo Jesus. Não é isto que nos ensina essa passagem que temos diante de nós:
assim como nos escolheu, nele
            Não há eleição sem Cristo ou aparte de Cristo; o ensino da escritura é que Deus deu o seu filho alguns para que ele pudesse salvar; a eleição se mostra quando pai chama os pecadores e os entrega a Cristo, lembre-se do que é-nos ensinado em João 17.2,6 “assim como lhe deste poder sobre toda carne, para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste; eram teus, e tu mos deste, e guardaram a tua palavra. ” somos como que presentes de Deus entregues ao Filho.
            Notem como essa expressão “nele” é importante em todo o nosso texto, ela ocorre três vezes: v.4,v.11,vs,13. A relação do crente com Cristo é fundamental para a obra da redenção, então, o está em Cristo é ter a garantia de que de fato fomos eleitos por Deus. Cristo é o meio como isso é demonstrado e revelado à igreja.
III – O TEMPO DA ELEIÇÃO.
            O terceiro aspecto a respeito da eleição diz respeito ao seu tempo. Quando se deu a eleição? Quando foi que Deus de fato planejou a eleição e predestinação dos homens?
            O apóstolo Paulo responde dizendo “antes da fundação do mundo” daqui nós aprendemos que a eleição não se dá no tempo e no espaço conforme conhecemos; a eleição não se restringe aos minutos da humanidade.
            O apóstolo nos diz que o tempo da eleição está na eternidade passada. Aqui no grego temos a expressão: “πρὸ καταβολῆς κόσμου (Eph 1:4 BGT)” “o significado da expressão é desde a eternidade”. A eleição tem o seu tempo na eternidade. Foi na eternidade que Deus planejou a eleição dos homens para a salvação.
IV – O PROPÓSITO DA ELEIÇÃO
            Isso nos leva para a finalidade dessa escolha de Deus. É-nos dito aqui que fomos eleitos “para sermos santos e irrepreensíveis perante ele em amor...”  o que Paulo quer nos dizer é que o propósito de Deus é ratificar completamente os efeitos do pecado e da queda do homem.
            O foco da eleição é a santidade, ou pureza da vida cristã. A eleição visa promover a vida de santidade da igreja e não do pecado. Muitos há que dizem que a doutrina da eleição incentiva as práticas pecaminosas, mas quando olhamos para esse trecho da Palavra de Deus reconhecemos que isso é tolice.
            Essa vida de santidade é acima de tudo diante de Deus! Devemos viver a nossa santidade como que estivéssemos sempre diante de Deus.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

EFÉSIOS 1.3 - LOUVANDO AO DEUS DA ALIANÇA

LOUVANDO AO DEUS DA ALIANÇA.
Exposição Bíblica em Efésios 1.3:
Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, (Eph 1:3 ARA)”
INTRODUÇÃO:
            Após contemplarmos Paulo lidando com a questão da graça de Deus em termos tão chocante, agora nos deparamos ainda mais com essa certeza de a graça age em nosso favor, mesmo sem merecermos. A maior questão sobre este tema importante é que muitos de nós ignoramos as doutrinas relacionadas com a graça de Deus; ou seja, é a falta de conhecimento que reduz a nossa percepção da graça libertadora de Cristo Jesus.
            A falta de conhecimento “sempre foi o maior problema do povo de Deus”. Essa foi uma das mensagens de Oséias desde o Antigo Testamento. Ele assegurava que o povo de Deus naquele tempo estava morrendo “por falta de conhecimento” (Oséias 4.6). Este texto tem grandes verdades, profundos ensinos que precisamos estudar neste momento:
I – COMPREENDER A VERDADE DA REDENÇÃO SEMPRE NOS LEVA O LOUVOR.
            Considere comigo como o apóstolo começa este versículo. “Bendito...” “Εὐλογητὸς (Eph 1:3 BGT)” este adjetivo grego aponta para alguém que é digno de todo o louvor. O apóstolo Paulo começa de forma categórica aclamando Deus como sendo o objeto digno de todo o louvor.
            Qual é a intenção de Paulo aqui ao usar este adjetivo? Calvino ressalta que a intenção do apóstolo era de incitar “o coração dos efésios à gratidão, deixá-los todos inflamados e, assim, enchê-los, até o transbordamento”.
            Veja como está escrito “Bendito o Deus...” em outras palavras é “louvado seja Deus” – ao compreender a ação da graça redentora do Deus trino devemos render graças a Deus. O louvor rompe em nossos lábios quando realmente entendemos a doutrina da graça e soberania de Deus conforme apresentada nas páginas das Escrituras.
            O Louvor faz parte da vida cristã. O louvor é simplesmente inevitável. Se de fato captamos o que significa as palavras “graça” e “paz”, conforme vimos domingo passado; então, não podemos ter outra atitude senão louvar a Deus.
            Essa nota de louvor expressa por Paulo serve também como uma forma de mostrar o contraste gritante entre o crente e o incrédulo. Uma vez que a “graça” e “paz” que os santos desfrutam é resultado da obra de Cristo, logo o louvor surge nos lábios dos que são alvos dessas verdades. Por isso, o louvor deveria ser a característica essencial de todos os santos – Deus deve ser visto como “Bendito”. Eis, aqui o que nos diferencia do mundo, pois, o mundo é deveras “mísero e infeliz; vive cheio de maldições e de queixas. Entretanto, o louvor, a ação de graças e contentamento marcam o cristão e mostram que ele não mais do mundo. Isso tudo porque ele aprendeu a dizer “Bendito o Deus...”!
            Mas, isso tem implicações para o culto que oferecemos a Deus. No culto nós louvamos a Deus com a mente e com coração; ou seja, não devemos vir a igreja para simplesmente buscar as bênçãos de Deus, ou mesmos, simplesmente para ouvir sermões – devemos vir à igreja servir e adorar a Deus. E dizer no culto com o coração cheio de alegria e com mente mergulhada nesta verdade “Bendito o Deus e pai....”.
II – DEUS DEVE SER LOUVADO
            O segundo princípio que o nosso texto estabelece para nós. É que o Deus Trino deve ser louvado. Mas, pelo quê você tem louvado a Deus? Talvez você louva a Deus porque ele lhe deu uma boa casa, um bom emprego ou coisa do tipo; entretanto, aprendemos aqui que “Deus deve ser louvado porque Ele é o que Ele é.” Ele não existe para satisfazer os nossos caprichos, as nossas determinações, ele precisa ser louvado porque ele é o nosso Deus e pelo o que ele fez em nosso  favor, nos resgatando da morte e do inferno.
            Devemos louvar a Deus porque ele nos tem abençoado. Isso é importante porque note como o nosso texto apresenta isso: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado” – quero chamar a sua atenção para essa expressão: “que nos tem abençoado” no grego temos a seguinte construção: “ὁ εὐλογήσας ἡμᾶς (Eph 1:3 WHO)”
            Isso é deveras importante em nossos dias, pois, se tem ensinado na igreja atual que Deus nos abençoará indicando algo futuro; os tele evangelistas dizem – façam isso, façam aquilo, se esforcem porque Deus abençoará vocês. Mas, notem como Paulo usa o passado “que nos tem abençoado”.
            O tempo verbal aqui no grego indica uma ação passada  mas com resultados prolongados. Ou seja, Deus já nos abençoou de forma plena e completa. Então, ele deve ser louvado porque ele já fez e tem feito isso! Ele já nos abençoou. Ele nos deu não algumas bênçãos, como tem ensinado o sistema pentecostal, pelo contrário, ele já nos legou todas as bênçãos espirituais que carecíamos..
III – DEVEMOS CONSIDERAR A MANEIRA PELA QUAIS TAIS BENÇÃOS VEM A NÓS.
            Considere mais uma vez o nosso texto: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, (Eph 1:3 ARA)”. Percebem? Estas bênçãos vem até cada um de nós em Cristo Jesus.
            Ora, a igreja evangélica atual tem rejeitado esse princípio imperecível, pois, ela tem pregado as bênçãos pelo esforço humano. Aquele linguajar “tem que pagar o preço” ou “eu paguei o preço para ser abençoado assim”, mas o que evangelho ensina aqui para nós é que isso nos vem somente e unicamente em Cristo. Todas as bênçãos vêm exclusivamente no Senhor Jesus e por intermédio dele. Ele não tem assistente algum [ não tem Maria, não tem Pedro, não tem José, não tem Paulo] é somente ele e nele. Porque ele é o único mediador entre Deus e os homens.
            Isso revela-nos a necessidade de irmos a Cristo com tudo o que somos para obter dele tudo que ele nos outorga como beneficio de seu sacrifício na cruz do calvário.
IV – CONSIDEREMOS A NATUREZA DESSAS BENÇÃOS
            Paulo procura ressaltar a natureza dessas bênçãos sobre os santos, ele declara: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual
            Aprendemos aqui que as bênçãos são espirituais. Essas bênçãos vem de Cristo conforme vimos, entretanto, podemos dizer que são bênçãos mediadas pelo Espírito Santo. É o Espírito Santo quem nos possibilitar a termos tais bênçãos em nossas vidas. O termo espirituais aqui no grego “πνευματικῇ (Eph 1:3 WHO)” tal adjetivo indica       que tais bênçãos são também outorgadas e aplicadas pelo Espírito – apontando para a natureza espiritual das bênçãos descritas aqui.
            Isso é importante, pois, o cenário evangélico atual tem ensinado que os crentes devem buscar bênçãos materiais, por meio de campanhas, jejuns e até doação financeira na igreja.
            E a posição real dessas bênçãos aplicadas pelo Espírito restringe-se aos “lugares celestiais em Cristo...” ou seja, tais bênçãos elas vem dos céus para nós, descem do trono de Deus para os seus eleitos; não temos participação algum nisso, é o Espírito Santo que vem até nós aplica a obra de Cristo em nossas vidas. Conforme já vimos  são todas as bênçãos em Cristo Jesus nada falta e a perspectiva de Paulo é sempre nas regiões celestiais em Cristo.