domingo, 9 de agosto de 2020

O QUE É CASAMENTO

 

A DOUTRINA DO CASAMENTO NOS PADRÕES DE WESTMINSTER

SOB A OTÍCA DAS ESCRITURAS SAGRADAS

AULA 01: O QUE É CASAMENTO  ?

Rev. João França.[1]

CFW – CAP.XXIV – SEÇÃO 1: “O casamento deve ser entre um homem e uma mulher; tampouco é lícito ao homem ter mais de uma esposa, ou a esposa ter mais de um esposo, ao mesmo tempo

Introdução:

            Nos dias de hoje o casamento tem estado sob ataque da mídia televisiva radiofônica e impressa. Há muita confusão sobre este assunto inclusive na igreja evangélica de modo geral e nas igrejas oriundas da Reforma de modo específico. Nosso estudo aqui visa esclarecer alguns pontos importantes sobre este precioso tema.

            Inicialmente iríamos considerar o assunto do divórcio, mas observando este tema se faz necessário estudar primeiramente o casamento, pois, somente considerando o matrimônio é possível entender a posição reformada clássica sobre o divórcio e novo casamento. 

I – ASPECTOS DO CASAMENTO:

1.      Uma relação heterossexual [um homem e uma mulher] Mateus 19.5,6 – “5 e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? 6 De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem. (Mat 19:5-6 ARA)” no ato da criação Deus trouxe à existência uma relação entre Adão e Eva e não entre Adão e Ivo.

2.      O casamento é uma relação monogâmica: (Gn.2.24) – “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne. (Gen 2:24 ARA)” A CFW nos ensina com base na palavra de Deus que a relação que é Criada para o casamento é monogâmica.

 

II – O QUE É O CASAMENTO?

·         O  pensamento moderno nos ensina que o casamento é um acordo de convivên cia

·         A Escritura nos ensina de forma clara que Deus foi o autor do casamento (Gn.2.18-24; 3.10-14)

·         O casamento é uma instituição fundacional (alicerce):

·         a. A sociedade em todas as suas formas depende do casamento para existência.

·         b. o ataque ao casamento é uma forma de rebelião contra Deus que criou o casamento.

·         c. O ataque ao casamento se constitui um ataque a família sendo uma afronta a Igreja:

Ver Gênesis 7: 1; 19: 12-14; Josué 2:19; 6:23; Deuteronômio 11: 6; Atos 16:31; João 4:53; Atos 10: 2; 18: 8. De acordo com Josué 7:14, Deus dividiu a nação em tribos, casas e indivíduos. A palavra "casa" é usada como um edifício físico, o templo e o tabernáculo, a igreja (1 Timóteo 3: 5), uma linhagem familiar (tribo: Mateus 10: 6; Lucas 2: 4) e famílias individuais. Ual dual (Marcos 6: 4; Atos 7:10; 16:31). Uma "casa" incluía todos aqueles que viviam sob o teto (e, portanto, sob a autoridade da cabeça) da casa. Isso incluía escravos, parentes etc. No caso de Davi (Salmo 101: 2), era seu palácio e todos os que viviam nele. Mas ela podia ser tão pequena quanto um casal que morava sozinho. (ADAMS, el matrimonio)

III – FALSOS ENSINOS SOBRE O CASAMENTO.

1.      O Casamento é só para procriação:

a.       Ensino da Igreja Romana. –

b.      Alguns protestantes ensinam essa proposição.

c.       Dentro do casamento a procriação (o ter filhos) é permitido, mas não é base fundamental dele [Gn.1.28 – texto do mandato cultural].

2.      Casamento é ter relações sexuais:

d.      A união sexual não deve ser igualada e união matrimonial.

e.       O matrimônio é uma união que implica em união sexual ( 1ª Co 7.3-5)

f.       Se o casamento e a união sexual são a mesma coisa, então, a Bíblia não poderia falar de relações sexuais ilícitas; e quando tratasse da fornicação (porneia) chamaria de casamento informal; e o adultério não se chamaria de adultério, mas de bigamia informal.

g.      Deve-se lembrar que o matrimônio autoriza as relações sexuais, a lua de mel é santa neste aspecto (Hebreus 13.4)  



[1] Pastor na Igreja Presbiteriana do Brasil.

domingo, 24 de maio de 2020

O VALOR DOS SALMOS


O VALOR DOS SALMOS*.
ALLEN P. ROSS
Tradução: Rev. João França#.

É impossível expressar adequadamente o valor do livro dos Salmos à família  da fé. Por aproximadamente três mil anos os salmos têm estado no coração e na  vida espiritual do povo de Deus. A variedade de orações, louvores, hinos, meditações e liturgias na coleção cobrem todos os aspectos de viver para com Deus em um mundo antagônico à fé. Eles sempre foram importantes para a expressão da fé, tanto privada como corporativa. Em Israel a coleção dos salmos formava o livro de hinos do templo, com muitos salmos sendo designados para uso regular em certos dias e em diferentes ocasiões, incluindo festivais e dias santos.
Para os cristãos primitivos, os salmos eram também um tesouro porque o valor deles estão em suas orações e louvores do povo, mas também por causa de sua aplicação a Cristo nos Escritos do Novo Testamento. Ao longo da história, entretanto, os Salmos formaram as orações e os louvores das comunidades em adoração, eles vieram a ser bem conhecidos. Nas congregações cristãs modernas, no entanto, o uso dos salmos quase caiu em detrimento da vida espiritual da igreja, e as orações, hinos e cânticos que substituíram os salmos na adoração não têm a substância, poder e beleza que eles têm.
A mudança é significativa, tendo em vista a importância dos salmos ao longo da história da fé. Quando combinados com crença e entendimento, os salmos foram usados para informar doutrina, inspirar sermões e fornecer o principal recurso para o desenvolvimento da vida espiritual. Kirkpatrick escreveu:
Quando homens e mulheres, abandonando seus chamados comuns, dedicaram suas vidas à devoção e oração em mosteiros e comunidades, o canto dos salmos formava grande parte de seus exercícios religiosos. Com o tempo, a recitação do saltério tornou-se também uma obrigação clerical. Foram elaborados vários esquemas ou usos. Salmos fixos eram geralmente designados para certas horas canônicas, enquanto em outros serviços o restante dos salmos era recitado "em curso".[1]
Holladay ilustrou isso examinando a estrutura dos salmos nas diferentes ordens religiosas, observando que o arranjo se tornou o esboço para a vida de oração da comunidade.[2]
Ao longo da história da igreja, a grande importância do Livro dos Salmos foi reconhecida e proclamada repetidas vezes. Não é meu objetivo aqui coletar dezenas de testemunhas do fato; mas alguns exemplos servirão para apresentar o estudo do livro. Por exemplo, Agostinho descreveu o benefício espiritual que recebeu dos salmos quando escreveu:
Em que sotaques eu me dirigi a Ti, meu Deus, quando li os Salmos de Davi, aquelas canções fiéis, a linguagem da devoção que bane o espírito de orgulho. . . . Como eu te dirigi nesses Salmos! como meu amor por ti foi acendido por eles! Como eu queimei para recitá-los, era possível, em todo o mundo, como um antídoto para o orgulho da humanidade...[3]
Os salmos eram tão valorizados que era necessário um conhecimento profundo deles para a ordenação. Kirkpatrick citou alguns exemplos:
Gennadius, Patriarca de Constantinopla (458-471 d.C.), não ordenaria ninguém que não estivesse recitando diligentemente os salmos; o segundo Concílio de Nicéia (587 dC) concluiu que ninguém deveria ser consagrado bispo a menos que conhecesse o Saltério completamente; e o oitavo Concílio de Toledo (653 dC) ordenou que ninguém fosse promovido a nenhuma posição eclesiástica que não conhecesse perfeitamente toda a coleção[4]
Orar essas orações e cantar esses hinos foram reconhecidos como essenciais para a vida espiritual dos crentes, especialmente aqueles que liderariam as igrejas em devoção e adoração. E esse reconhecimento de sua importância continuou no mundo protestante. Martin Luther disse sobre a coleção: “Você pode, com razão, chamar o Saltério de uma Bíblia em miniatura, na qual todas as coisas descritas mais detalhadamente no restante das Escrituras são reunidas em um belo manual de concisão maravilhosa e atraente”[5]. João Calvino disse dos Salmos:
Aqui, os próprios profetas, vendo que são exibidos para nós como falando a Deus e abrindo todos os seus pensamentos e afetos mais íntimos, chamam, ou melhor, atraem cada um de nós para o exame de si mesmo em particular, para que nenhum dos muitos as enfermidades às quais estamos sujeitos e os muitos vícios com os quais abundamos, podem permanecer ocultos.[6]
E Hooker escreveu: “A escolha e a flor de todas as coisas lucrativas em outros livros, os Salmos contêm mais brevemente e mais comoventes expressões, devido à forma poética com que são escritas”.[7]
Várias coleções de versos foram impressas para a igreja depois Reforma, incluindo seleções dos Salmos, canções e hinos de outras partes da Bíblia, tradições medievais hinos tradicionais  litúrgicos e composições originais padronizadas apartir das Escrituras. Por exemplo, uma das primeiras e mais completas coleções de músicas bíblicas e poemas comparáveis foi The Hymns and Songs of the Church (1623), projetada para complementar o Saltério na liturgia. O New England Bay Psalm Book (1640) incluía versões métricas dos Salmos; tornou-se o texto autorizado para canto congregacional na Nova Inglaterra. Os hinos da igreja após a Reforma, então, foram modelados segundo os tipos no Livro dos Salmos - em 1640, havia mais de 300 edições do Saltério em inglês.[8] Quem estuda os salmos em detalhes entenderá por que eles se tornaram tão importantes para a vida espiritual da igreja; Perowne disse:
Não podemos orar os salmos sem perceber de maneira muito especial a comunhão dos santos, a unicidade da igreja militante  e da Igreja triunfante. Não podemos orar os Salmos sem ter nossos corações abertos, nossas afeições aumentadas, nossos pensamentos atraídos ao céu. Quem pode orar melhor está mais próximo de Deus, conhece melhor do Espírito de Cristo, é o mais preparado para o céu. [9]
O fato de o Saltério, por séculos, ter servido como livro de louvores e orações para a comunidade de adoração, bem como para indivíduos devotos em suas meditações particulares, deve ser suficiente para levar as igrejas de hoje a reconsiderar seu lugar na instrução e desenvolvimento da vida espiritual de a Igreja. Eles devem ser o modelo para nossos cânticos de louvor, as instruções para nossas orações e meditações e a inspiração para nossa busca pela piedade. Eles também devem ser considerados em benefício de nossa compreensão do que é a adoração, pois estavam inseparavelmente ligados à adoração de Israel por inspiração divina. Visto que a oração e o louvor - de fato, a adoração - devem ser informados, esses salmos devem ser interpretados corretamente, ensinados com clareza e pregados de maneira convincente. A igreja está perdendo uma de suas experiências mais ricas ao ignorar o Livro dos Salmos ou relegá-lo a uma leitura de rotina em um culto, sem qualquer explicação. Uma explicação clara, no entanto, não é fácil. Essa quem expunha os salmos para uso na vida espiritual e O culto ao povo de Deus encontrará alguns desafios. Eles Primeiro terá que resolver dificuldades textuais; e esta tarefa não é facilitada pelo fato de as traduções modernas optarem por uma ou outra das leituras disponíveis.
Outro desafio para o expositor vem das diferentes abordagens adotadas no estudo dos salmos nos comentários. Isso influenciará as traduções e interpretações de muitos salmos; e assim os expositores terão que pensar criticamente ao usar os vários recursos.
A própria poesia apresenta um desafio para a interpretação e aplicação dos salmos. Será necessário um pouco de prática para que os expositores possam trabalhar confortavelmente com as estruturas e figuras poéticas da poesia hebraica. Parte da linguagem poética é universal e, portanto, bastante direta; mas muito disso não é óbvio. Para explicar as imagens, será necessário conscientizar o uso da linguagem bíblica e da cultura do antigo Israel.
E, finalmente, a gramática e sintaxe hebraica representará um desafio para muitos expositores. Será óbvio para quem pesquisa como as várias Bíblias em inglês traduzem os tempos dos verbos e outras construções da língua que algum conhecimento nesta área é necessário. Se os expositores não estiverem familiarizados com as formas e construções do hebraico, terão que encontrar recursos confiáveis para ajudá-los a entender as traduções e comentários. Como nem sempre eles estão de acordo, os expositores terão que ponderar os argumentos e decidir qual deve ser a ênfase precisa de uma determinada linha de poesia, com base no contexto e no uso das Escrituras.
Os capítulos seguintes incluirão discussões sobre esses desafios em mais detalhes e oferecerão diretrizes para o estudo dos salmos nessas e em outras áreas. O próprio comentário tentará explicar o significado das palavras, as imagens bíblicas, as construções da linguagem e as variações de traduções e interpretações nos casos mais importantes do salmo, para que o expositor tenha mais informações com as quais fazer uma decisão interpretativa.


* Traduzido da obra A Commentary On The Psalms, pp. 25-29
# Formado em Teologia Reformada pelo SPN.
[1] A. F. Kirkpatrick, The Book of Psalms (Cambridge: At the University Press, 1914), ci.
[2] William L. Holladay, The Psalms through Three Thousand Years: Prayer book of a Cloud of Witnesses (Minneapolis: Augsburg Fortress, 1993), pp. 176—77 (veja as páginas 175—184 para um levantamento  do uso dos salmos no serviço divino).
[3] The Confessions of St. Augustine, ix. 4, in A Select Library of Nicene and Post-Nicene Fathers of the Christian Church, ed. by Philip SchafT (Edinburgh: T&T Clark, 1994 reprint), p. 131.
[4] Kirkpatrick, Psalms, cii.
[5] Works, ed. 1553, Vol. iii, 356. Para um  pouco mais de informação, veja  Holladay, The Psalms through Three Thousand Years, 192—195.
[6] John Calvin, Commentary on the Book of Psalms, Trans. By James Anderson. 3 Volumes (Grand Rapids: Eerdmans, 1963 reprint), p. xxxvii.
[7] Hooker, Ecclesiastical Polity, Book V, Chapter xxxvii, Par. 2.
[8] Veja Coburn Freer, Music for a King, 14—15; e Terence Cave, Devotional Poetry in France c. 1570—1613 (Cambridge, 1969).
[9] J.J.Stewart Perowne, The Book of Psalms (Grand Rapids: Zondervan, 1966 reimpressão da edição de 1878 ), 1:40.


sábado, 18 de maio de 2019

CREDOS E CONFISSÕES: OS SÍMBOLOS DE FÉ E A HISTÓRIA DA IGREJA


OS SÍMBOLOS DE FÉ  E A HISTÓRIA DA IGREJA
Rev. João Ricardo Ferreira de França.
Introdução:
 Talvez você já tenha estranhado o fato de falarmos em começar uma série de estudos sobre o Credo Apostólico. Como assim? Credo? Essa coisa não é de católico?
A igreja cristã ao longo do tempo tem negligenciado a sua herança credal e confessional.
Este curso é apresentado sob o tema: Credo e Confissões. E boa parte da igreja evangélica não sabe o que isso significa e, se isso tem importância.
Nosso estudo hoje vai tratar do uso dos símbolos de fé na história da Igreja.
I – DEFINIÇÃO DE SÍMBOLO
  1. A Palavra: O vocábulo Símbolo deriva do grego: Sumballon que é resultado da união entre uma preposição e um verbo grego “sun” [ junto com] e o verbo  ba,llw” [atirar, semear, jogar]
  2. A definição Própria: O símbolo “é uma veiculo de comunicação” que contribui para romper barreiras (MAIA, 2002, p.16.) Também pode ser usado para representar um povo, uma nação, uma crença: p.e: A Bandeira Nacional, o sinal da cruz, etc...
II – A IGREJA E OS SÍMBOLOS
A história da igreja está cheia de símbolos. O uso destes símbolos permitiu o cristianismo sobreviver quando a igreja era perseguida nos primórdios da fé cristã.
A igreja tem uma relação muito próxima com os símbolos primitivos da fé Cristã. Uma vez que a igreja se valeu deles vale apena estuar um pouco sobre eles.
2.1 – Símbolos
Os cristãos primitivos valiam-se dos símbolos para preservar a sua vida e manter viva a sua fé!
Em um mundo onde havia uma vasta adoração aos deuses, os cristãos quando presos e suspeitos de um culto monoteísta, declaravam estarem indo prestar culto ao peixe!
2.2 – Os Símbolos e a Origem do Credo:
2.3 – Os símbolos e os credos...
O primeiro teólogo a usar a palavra símbolo em referência a um corpo de teologia foi Cipriano em 250 d. C em suas cartas 69 ou 76 quando fazia referência à Novaciano que havia rompido com a fé da igreja. E foram os reformadores Lutero e Melanchton que usarem a palavra para os credos protestantes.
III – OS CREDOS E AS CONFISSÕES
3.1 – Origem da palavra credo:
Esta palavra é derivada do latim “credere” mostrando uma ação ativa com sentido de “eu creio”. A Bíblia apresenta a fé cristã em súmulas de fé.
3.2 – O Antigo Testamento:
Encontramos o termo hebraico “ [mv”[shem’ah] (ouve) era um tipo de “Credo Judeu” há uma gama de leitura no AT que apoontapara isso; Dt. 6.4-9; 11.13-21 e Num. 15.37-41. Era usado nas singogas e nas liturgias antigas: Dt. 26.5-9.
III – OS CREDOS E AS CONFISSÕES
3.2 – O Novo Testamento:
Consideremos agora o uso no Novo Testamento sobre o uso de um corpo de doutrinas que chamamos de Credo.
a)      As tradições apostólicas: No Novo Testamento o corpo de doutrinas é por vezes chamado de “tradições”, no grego temos a palavra “ paradosij” (2 Ts 2.15) tem sentido de “transmitir”, “entregar”, passar adiante.
b)      Doutrina dos Apóstolos: Ainda no Novo Testamento essas tradições são conhecidas como doutrina apostólica (Atos 2.42).
III – OS CREDOS E AS CONFISSÕES
C)Forma de doutrina:
Ainda o Novo Testamento apresenta o credo primitivo da igreja como sendo uma tipos ou modelo de doutrina. (Rm 6.16). O termo grego empregado é “tu,pon” = modelo, ou tipo.
d) Sã doutrina: Há também a ideia de que esse corpo doutrina é um corpo saudável (2 Tm 4.3; 1 Tm 4.6; Tito 1.9)
e) A Fé entregue: No ensino neotestamentário esse corpo doutrinário é apresentado como uma fé que é confiada (Judas 3)
f) Fé Santíssima: Há uma natureza atribuída ao conjunto de doutrinas no Novo Testamento (Judas 20)
III – OS CREDOS E AS CONFISSÕES
3.3 – As primeiras Confissões da Igreja:
Há texto no Novo Testamento que parecem indicar a s primeiras declarações confessionais da igreja cristã. Que podemos sumarizar como segue:
a)      Jesus, O cristo: Logo no inicio da fé cristã, a igreja se vê obrigada a declarar a messianidade de Cristo (Atos 5.42)
b)      Jesus Cristo é Senhor: A doutrina do senhorio de Cristo era uma resposta da igreja à exigência de se conhecer quem é realmente o soberano César ou Cristo? (Fp 2.11; 1Co.12.3)
c)      Jesus Cristo Filho de Deus: E outra declaração confessional da igreja era a filiação de Cristo (Atos 8.37; Mateus 16.16; 1ª João 4.15)
IV – O uso dos Credos e Confissões
Há igrejas cristãs que não possuem interesse pelos credos e nem pelas confissões de fé antigas. Existe um profundo desconhecimento sobre o assunto nas igrejas cristãs como um todo!
Até as Igrejas Herdeiras da Tradição Reformada não tem valorizado o uso de credos e confissões!
Muitos membros esboçam estranheza quando ouvem o nome credo! Associam logo ao catolicismo romano. Não olham o locus da súmula da fé contida nos credos e confissões. Como estes documentos devem ser usados pela igreja?
4.1 – Doutrinariamente:
Na igreja os credos sempre foram usados como expressão da doutrina, ou resumo das doutrinas fundamentais da fé cristã. (Atos 2.42; Efésios 4.5). O uso deles inicialmente tinha um caráter doutrinário-apologético. No século segundo os credos eram conhecidos como “regra de fé”
4.2 - Liturgicamente
  1. Rito Batismal: havia primitivamente na igreja a exigência de se declarar o escopo da fé cristã (credo) antes do batismo.  (Atos 8.37; Romanos 10.9)
  2. Rito Eucarístico: A santa ceia tinha um papel importante na vida litúrgica da igreja; e antes do fiel participar dela a igreja declarava sua fé por meio de hinos, oração e exposiçoes da leitura dos textos apostólicos (1ª Co.12.3; 16.22; Fp. 2.5-11)
  3. Recitação litúrgica: No quarto século a igreja passou a inserir o credo de forma a ser recitado após as leituras bíblicas da igreja, equiparando-se ao uso do shema conforme já vimos.
Conclusão:
Conforme já vimos neste estudo, o uso dos credos e confissões estão de acordo com a prática histórica da igreja. Devemos sempre lembrar que os credos e as confissões consistem em respostas humanas à revelação divina.
Seu uso histórico mostra-nos a importância de tê-los, pois, eles nos servem com guias e roteiros para avaliarmos o ensino nos púlpitos e na prática da igreja.
Nos credos e nas confissões encontramos os ensinos da Palavra de Deus sumarizados, nestes estudos estaremos explorando esses conteúdos


sábado, 15 de setembro de 2018

O PROBLEMA DO ANTIGO TESTAMENTO


IGREJA PRESBITERIANA DE RIACHÃO DO JACUÍPE – BA
O PROBLEMA DO ANTIGO TESTAMENTO
Rev. João Ricardo Ferreira de França.
Introdução:
            Agora nos cabe considerar a razão porque o Antigo Testamento é um problema para a igreja de hoje. Kaiser lembra-nos que em vez da igreja agradecer pela grande benção do Antigo Testamento, vive questionando sobre sua utilidade e rejeitando-o.[1] Qual é a problema do Antigo Testamento? Alguém já declarou: “O problema do Antigo Testamento, portanto, é não apenas um entre muitos. É o problema principal da teologia.[2] Ele assevera que o Antigo Testamento é o fundamental problema para seu estudo.
I - A QUESTÃO DO MITTE[3] NO ANTIGO TESTAMENTO.

Diante de vários problemas no estudo do Antigo Testamento há, entretanto, um que é fundamental – é a questão do mitte. Será que existe um tema que integre toda a revelação veterotestamentária? Há diversas propostas. O problema pode ser colocado da seguinte forma: “existe na fé veterotestamentária um núcleo central, do qual tudo parte e em torno ao qual tudo se move?”[4]
Qual é a grande ideia que governa o Antigo Testamento? Esta pergunta é feita por cada estudioso que se aproxima do Antigo Testamento. Assim, ele precisa buscar o telos (propósito, tema) do Antigo Testamento para entender toda a revelação de Deus.
Para Von Rad o “objeto da teologia veterotestamentária é o conjunto dos testemunhos da ação de Deus na história – tanto de acontecimentos que precederam cronologicamente os testemunhos, como no Hexateuco, como acontecimentos posteriores, como no caso dos profetas."[5]
O problema da abordagem de Von Rad é que ele faz a distinção entre a fé e os eventos históricos; assim, torna-se vazio o conceito de um centro unificador na Teologia Bíblica conforme proposta por ele; Kaiser nos alerta para o seguinte:

Depois de um quarto de século, porém, Gerhard von Rad veio completar quase um círculo completo e adotou a própria posição que merecera originalmente a repressão de Eichrodt. Ao separar a intenção ‘querigmática’, ou propósitos homiléticos, dos vários escritores do A.T dos fatos da história de Israel, Von Rad não somente negou qualquer fundamento genuíno para a confissão da fé que Israel tinha em Javé, como também mudou o objeto do estudo teológico de uma focalização sobre a Palavra de Deus e Sua obra, para os conceitos religiosos do povo de Deus. Para von Rad não havia a necessidade de fundamentar  o querigma da crença em qualquer realidade objetiva, ou qualquer história como evento. A Bíblia não é tanto a fonte da fé dos homens do A.T como uma expressão da sua fé [...] conforme a opinião dele, cada época  histórica tinha uma teologia sem igual a ela, com tensões internas, diversidade e contradições à teologia das demais épocas do A.T. De fato, não havia, para ele, nenhuma síntese na mente dos autores bíblicos ou nos textos, mas apenas a possibilidade de uma ‘tendência para a unificação’. O historicismo voltara! O A.T não possuía qualquer eixo central ou continuidade de um plano divino; pelo contrário, continua uma narrativa de como o povo lia religiosamente a sua própria história, sua tentativa de tornar reais e apresentar eventos e narrativas mais antigos.[6]

A resposta de Kaiser a Von Rad é verdadeira e legítima, pois, se abordarmos o texto dentro desta perspectiva não poderemos ter um centro unificador. E não existe uma Teologia Bíblica, mas várias formas confessionais, a fé não tem elementos históricos dentro deste esquema.

II - PROPOSTAS PARA UM CENTRO UNIFICADOR.

            Muitos estudiosos podem até julgar desnecessária tal abordagem, todavia, Hasel nos diz que “a questão da existência do que pode ser considerado o centro (do alemão Mitte) do Antigo Testamento é de suma importância para o estudo da teologia do Antigo Testamento e para a compreensão deste”[7]
            No entendimento de Hasel só se pode ter uma compreensão adequada do Antigo Testamento na tentativa de buscar nele um centro unificador. Neste momento avaliaremos algumas propostas com relação à grande ideia que o Antigo Testamento apresenta para cada um de nós.

a)      A Santidade de Deus.

A primeira proposta que percebemos é a da Santidade de Deus; esta proposta é adotada por homens como E.Sellin. O argumento dele em favor deste Mitte é o fato de que “isto caracteriza a natureza mais profunda e íntima do Deus do Antigo Testamento”[8].
            Sallin argumenta “que seu estudo se preocupa ‘apenas com a longa e única linha que termina no Evangelho: a palavra do Deus eterno nos escritos do Antigo Testamento”[9].
            O exegeta do Antigo Testamento pode expor o texto Bíblico tendo a noção fundamental que o tema central que norteia a mensagem veterotestamentária é a Santidade de Deus.
            Qual é o problema com esta proposta da Santidade? É que alguns livros do Antigo Testamento parece não ser dominado, em sua mensagem, por este tema: Os Históricos e os Sapienciais são exemplos claros disto. No livro de juízes a santidade de Deus parece não ser o tema que integra a sua mensagem, e muitos textos de provérbios e salmos não indicam esta perspectiva.

b) O Senhorio de Deus.
           
Esta proposta é interessante porque apresenta a realidade de que Deus é Senhor. Este Mitte é defendido como tema central do Antigo Testamento por Ludwing Köhler Para ele a afirmação “Deus é Senhor” é “a espinha dorsal da Teologia do Antigo Testamento” (KÖHLER, 1957, p. 35).
            O exegeta bíblico pode se valer deste conceito e trabalhar a sua exposição tendo este tema como sendo o que de fato unifica o Antigo Testamento. Mas, qual é o problema desta abordagem? É que os livros de juízes e sapienciais não nos apresenta este conceito de forma clara, se um tema não integra todos os livros do Antigo Testamento ele não pode ser eleito como Mitte para a mensagem central do Antigo Testamento.

c) O Governo e a Comunhão com Deus.
           
Esta proposta é de George Föhrer que tenta apresentar isso de forma muito interessante; pois, ele diz que apesar de se tentar por diversas vias a elaboração de um Mitte ele diz que “deveria ser possível falar de um núcleo central da fé e da teologia veterotestamentária.” Ele percebe a dificuldade de se escolher um único tema que integre toda a mensagem do Antigo Testamento e diz que

essa possibilidade poderia ser oferecida por dois tipos de conceitos: soberania de Deus e comunhão entre Deus e o homem [...] da soberania  e da comunhão com Deus, constituem o elemento unificador da multiplicidade, vinculando-se entre si como os dois pontos focais de uma elipse.[10]

            Mas esta abordagem também merece crítica, por isso, um pregador que deseja expor todo o Antigo Testamento não deveria se aferrar a esta temática; pois, esta linha de argumentação deixa de fora dois livros fundamentais: Ester e Cantares de Salomão. Ora, então, tal abordagem da mensagem central não é legítima.

d) A Promessa.
           
Este Mitte tem sido habilmente defendido por Walter C. Kaiser Jr., pois, ele sugere que o tema que integra toda a mensagem do Antigo Testamento tem sido a promessa. Tudo é promessa vinculada ao cumprimento. Para ele o Antigo Testamento é a promessa, e o Novo Testamento é o cumprimento.
            Ele diz que o “verdadeiro problema, declarado com singeleza, é o seguinte: Existe uma chave para um arranjo metódico e progressivo dos assuntos, temas e ensinos do Antigo Testamento?”[11]. Se a resposta for negativa, então, o que temos são diversas teologias do Antigo Testamento e assim a “ideia de uma teologia do Antigo Testamento como tal precisaria ser abandonada de modo permanente” (KAISER, 1984, p.23).
            Ele diz que o Mitte deve ser “textualmente demonstrado” tendo a abordagem canônica como canal de limitação da Teologia Bíblica. Este tema era conhecido no “AT sob uma constelação de termos. A mais antiga de tais expressões era ‘bênção’”[12] Mas Kaiser segue a noção de que o verbo falar no hebraico “significava prometer”, e assim, ele extrai das várias passagens que menciona a fala de Deus em termos de promessa a sua Teologia Bíblica. E diz que a “estas promessas Deus acrescentou Seu ‘compromisso’ ou ‘juramento’ assim tornando duplamente certas a palavra imediata de bênção e a palavra futura da promessa”[13]. Assim, ele oferece a chave que abre a porta para o tema unificador do Antigo Testamento. Ele apela para as fórmulas da promessa, como ele mesmo chama, em textos como Gênesis 15.7 “Eu sou o SENHOR que te tirei de Ur dos caldeus” dizendo que esta expressão é a que domina a promessa.[14] Qual é a vantagem deste método? Ele tende a enfatizar a unidade das Escrituras. No entanto, corre-se o risco de tornar o resultado artificial e subjetivo, uma vez que as diferentes categorias ou temas podem ser impostos pela teologia ao texto em lugar de naturalmente serem percebidos nele. Alguém já disse que:

Até mesmo temas considerados universais como o pacto podem acabar sendo usados de forma indiscriminada, torcendo os dados bíblicos, ou mesmo ignorando-os, para que o resultado se encaixe em um determinado padrão. Ainda que não incorra em todos esses perigos. (SOUZA, Teologia Bíblica: Um Esboço, aulas ministradas no segundo semestre do SPN no ano de 2007)

e) O Pacto.
           
A próxima proposta a ser avaliada é o conceito de aliança. Esta proposta é apresentada por Eichrot. Pois, “apartir deste conceito explicamos a unidade estrutural e a tendência básica permanente da mensagem do Antigo Testamento.”[15] Ele sugere que o conceito não deve ser limitado a noções doutrinárias[16], mas como sendo uma descrição viva do progresso revelacional.[17]
            Isto implica dizer que a “teologia de Eichrodt consiste numa das mais impressionantes tentativas de se compreender o Antigo Testamento como um todo, partindo não apenas de um centro, mas também do conceito unificador de ‘aliança’”[18].
            A postura que adotamos é a questão do pacto, todavia, temos algumas considerações apresentadas por Eichrodt, pois, ele fala como se houvesse várias formulações pactuais.
            Um problema na discussão da aliança é que ela não contempla de fato os livros sapienciais; mas Van Groningen percebendo esta falha no sistema pactual nos apresenta uma alternativa adjacente para o pacto, ele mesmo diz:

Tenho desenvolvido o conceito do "Cordão Dourado". Os três fios desse cordão dourado são o reino, o pacto e o mediador. O reino, estabelecido na criação, é o cenário; a aliança é o meio administrativo; e o mediador é (são) o agente da aliança servindo aos propósitos do reino. (GRONINGEN, 2008, p. 39)

            Diante destas informações o que o ministro da palavra deve fazer? Uma vez que o pregador consegue captar o Telos geral das Escrituras ele será capaz de trabalhar com os “sub-telos” (ADAMS, Jay. Conferência Fiel para Pasoteres e Líderes, 2000).
            O que são os sub-telos? “São os temas menores que se manifestam nos livros da Bíblia e que estão intimamente ligados com o telos maior das Escrituras”. (ADAMS, Jay. Conferência Fiel para Pasoteres e Líderes, 2000).
            Jay Adams nos mostra porque muitos sermões no Antigo Testamento parecem não possuir unidade:
Há poucas deficiências na pregação, tão completamente desastrosas em seus efeitos, quando a falha que ocorre, muito frequêntemente, em se determinar o telos (ou propósito) de uma porção que pode ser pregada. A passagem e, portanto, a própria Palavra de Deus, é deturpada, abusada e mal tratada quando seu propósito não foi determinado, resultando diretamente na perda de seu poder e autoridade[19]

Qual é o tema unificador que o exegeta deve identifica no Antigo Testamento? Uma vez respondida esta pergunta à sua Teologia Bíblica implicará em um trabalho exegético derivado unicamente das Escrituras.
           




[1] KAISER JR, Walter C. Pregando e Ensinando a partir do Antigo Testamento – Um guia para Igreja. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p.37.
[2] KRAELING, Emil G. The Old Testament Since The Reformation. New York: Schocken Rooks, 1969, p. 8 – minha tradução.
[3] Mitteé um termo alemão que significa – tema, centro e tem sido usado entre os teólogos bíblicos para desenvolver um tema que integre todo Antigo Testamento em sua mensagem e desenvolvimento.
[4]FOHRER, Georg. Estruturas Teológicas Fundamentais do Antigo Testamento. São Paulo: Ed. Paulinas, 1982, p. 137.

[5] idem.
[6] KAISER, Walter C. Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1984, p. 4-5 – ênfase nossa
[7] HASEL, Gerard  F. Teologia do Antigo Testamento. Rio de Janeiro: Juerp, 1987, p.57
[8] Apud,HASEL, Gehard F. Teologia do Antigo Testamento, Rio de Janeiro: Juerp, 1987, p.58
[9] Idem
[10] FOHRER, Georg. Estruturas Teológicas Fundamentais do Antigo Testamento. São Paulo: Ed. Paulinas, 1982, p. 141 – ênfase nossa.
[11] KAISER, Walter C. Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1984, p.22.
[12] Ibid, p.35
[13] Idem.
[14] Ibid, 36-37
[15] EICHRODT, Walther. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Ed. Hagnos, 2004, p. 9
[16] Ibid, p.10
[17] Idem
[18] Gehard F. Teologia do Antigo Testamento, Rio de Janeiro: Juerp, 1987, p.57
[19] ADAMS, Jay E. Preaching with Purpose. Grand Rapids: Baker, 1982, p.27