sexta-feira, 27 de maio de 2016

Uma Breve Palavra sobre Confessionalidade

UMA BREVE PALAVRA SOBRE CONFESSIONALIDADE

Rev. João Ricardo Ferreira de França*

A Confissão de Westminster (CFW) é uma exposição fiel das Escrituras conforme declara a Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil (CI/IPB) Capítulo 1. Art. 1º que diz: “A Igreja Presbiteriana do Brasil é uma federação de igrejas locais, que adota como única regra de fé e prática as Escrituras Sagradas do Velho e Novo Testamento e como sistema expositivo de  doutrina e prática a sua Confissão de Fé e os Catecismos Maior e Breve; rege-se pela presente Constituição; é pessoa jurídica, de acordo com as leis do Brasil, sempre representada civilmente pela sua Comissão Executiva e exerce o seu governo por meio de concílios e Indivíduos, regularmente instalados.”.
Será que a CFW é a melhor das Confissões porque é presbiteriana? Minha resposta é a seguinte: porque ela é bíblica e não porque é a melhor, embora considere a rainha de todas as confissões por sua precisão teológica, sua clareza nos tópicos teológicos e, por fim, por ser fruto de uma reflexão madura dos teólogos do século XVII.
A colocação do artigo indefinido aqui não significa que não considere a CFW e seus catecismos uma dentre tantas entenda-se aqui como uma alusão a sua biblicidade; assim como as demais confissões anteriores a ela, mais uma vez que ela é o amadurecimento da teologia reformada faz-se necessário dizer que a CFW é "a" exposição fiel!- exposição aqui não se iguala a pregação, mas a apresentação sistêmica das doutrinas apresentada nas Escrituras Sagradas.
Quanto a este aspecto deve-se ressaltar que: aqueles que confessam Teologia Reformada encontrarão na CFW - uma corrente hermenêutica com a qual todos devem estar atrelados ao que a própria CFW estabelece como regras seguras de uma interpretação das Escrituras logo em seu capítulo de abertura, e aplica tais regras nos capítulos subsequentes em sua totalidade confessional. Logo, alguém que subscreve proposicionalmente os símbolos de fé está obrigado a submeter-se a estas regras hermenêuticas reformadas!















* O autor é Ministro da Palavra pela Igreja Presbiteriana do Brasil. Sendo Ministro da Igreja Presbiteriana  de Riachão do Jacuípe – BA.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

A EFICÁCIA DO BATISMO.

A EFICÁCIA DO BATISMO.
Rev. João Ricardo Ferreira de França.
            Compete-nos tratar também deste tema que se relaciona com o Batismo Cristão que é o assunto da eficácia deste sacramento. Isto é importante porque na tradição romanista o sacramento do Batismo possui conotações regeneradoras, ou seja, para o catolicismo romano o batismo opera a salvação.
            Outra preocupação que nos faz ocupar deste assunto é fato de que na tradição evangélica-protestante há uma tendência ao rebatismo como padrão doutrinário ou mesmo como uma distinção entre os que seguem a doutrina ortodoxa e os que são heterodoxos ou até mesmo os que são tidos como heréticos.
1 – A Eficácia dos Sacramentos e a Confissão de Fé de Westminster:
            Qual é a validade dos sacramentos na vida cristã? Qualquer pessoa que ministrar os sacramentos deve ser aceito como válido? Geralmente a resposta que nós oferecemos a estas duas questões é que a validade do batismo e a sua eficácia depende de quem realizou o sacramento; entretanto a Confissão de Fé de Westmister apresenta uma resposta interessante:
III. A graça significada nos sacramentos ou por meio deles, quando devidamente usados, não é conferida por qualquer, poder neles existentes; nem a eficácia deles depende da piedade ou intenção de quem os administra, mas da obra do Espírito e da palavra da instituição, a qual, juntamente com o preceito que autoriza o uso deles, contém uma promessa de benefício aos que dignamente o recebem.[1]
            A declaração da Confissão de fé neste particular assegura que a validade dos sacramentos não é dependente da piedade (santidade) ou da intenção (pressuposto teológico) daquele que o administra. Isto se aplica aos dois sacramentos ordenados e estabelecidos pelo Senhor.
2 – A Validade e Eficácia do Batismo:
            A doutrina da comunhão dos santos é expressa no credo apostólico “Creio na Comunhão dos Santos” – geralmente se entende aqui uma comunhão mística e também a santa ceia como sendo a forma visível desta comunhão, pois, ela expressa a unidade da Igreja.
            Mas, quando estudamos a Carta de Paulo aos Efésios encontramos Paulo dizendo: “Há uma só fé, um só batismo” (Efésios 4.8). Será que a doutrina do sacramento do Batismo expressa exatamente a unidade? A unidade da fé expressa pelo Batismo tem deixado de ser analisado; e tem-se colocado para a Igreja uma postura de sermos negligente a este particular.
            Quando lemos esta expressão Paulina nos vem a mente a prática do rebatismo dentro da tradição evangélica-protestante. Está correto a prática do rebatismo? Quando presbiterianos, congregacionais, luteranos, anglicanos e reformados são recebidos em outras comunidades evangélicas são automaticamente constrangidos a rebatizar-se. Será que isso é válido?
            A Confissão de fé de Westminster quando toca nesta temática nos traz a lume uma resposta importante: “VII. O sacramento do batismo deve ser administrado uma só vez a uma mesma pessoa[2]
            A Confissão de Fé assegura-nos que o sacramento do Batismo deve ser administrado uma só vez sobre a mesma pessoa. Esta posição adotada é uma forma de combater os anabatistas que não aceitavam o pedobatismo[3]; bem como aqueles que julgavam o modo de batizar por aspersão errado e procuravam rebatizar por imersão. A Confissão de fé usa o texto de Tito 3.5 como fundamento para a sua posição.
            Mas, a grande questão é: Quanto aos que são oriundos do Catolicismo Romano, eles devem ser rebatizados? O tema em si mesmo é melindroso, polêmico e incômodo, pois, o presbiterianismo brasileiro é um dos poucos no mundo a rebatizar católicos quando estes se convertem ao protestantismo.
3 – Os Reformadores e a Validade do Batismo na tradição cristã:
            Devemos considerar a posição dos principais reformadores quanto a questão da validade do Batismo, como eles de fato encaravam o sacramento para entendermos a problemática a respeito deste polêmico assunto.
            Qual era a concepção dos primeiros reformadores a respeito da validade eficácia do Batismo como sacramento estabelecido por Cristo Jesus na Igreja? A sabedoria da igreja (ou ignorância como alguns poderão alegar) deve ser sempre ouvida quanto a este assunto, a catolicidade da Igreja reclama ser ouvida neste particular, inclusive na tradição Reformada.
3.1 – Martinho Lutero:
            Há muitos que asseguram que a validade do batismo está vinculado a quem administra: por exemplo, se for o batismo efetivado pelo pastor (evangélico ou protestante) este batismo deve ser aceito como válido, mas se for realizado por um sacerdote católico romano deve ser rejeitado.
Curioso é que este pensamento nunca esteve presente na mente dos primeiros reformadores, incluindo Matinho Lutero que afirma que o ser humano batiza e não batiza, então ele explica: “batiza, porque efetua a obra ao submergir o batizando. Não batiza, já que nesta obra não age por sua própria autoridade, mas representa Deus[...]” e ainda informa que “o batismo que recebemos por mãos de um ser humano, não é do ser humano, mas de Cristo e de Deus”.[4]
            A validade e eficácia do sacramento batismal não se vincula a intenção ou a pessoa quem o administra. Uma vez que este sacramento é outorgado por Deus à igreja por meio de um mandato divino, e o que o torna válido é invocação do Deus trino para isso, então, não demérito no sacramente por causa de quem o administra.
3.2 – Ulrich Zwínglio:
            Um dos reformadores pouco conhecido no Brasil chama-se Zwínglio ou Zuínglio foi reformador na cidade de Zurique na Suiça, ele sustentara que o batismo e a santa ceia não eram meios de graça, para ele estes sacramentos nada carregavam de redentivo.[5]. Para este reformador o sacramento do Batismo era símbolo da unidade, por isso, admite um só batismo.[6]   
3.3 – João Calvino:
            O reformador francês que residiu em Genebra e naquela cidade desenvolveu o ministério da Palavra. Elaborou uma teologia dos sacramentos que se faz presente em todas as confissões de fé reformadas incluindo os Padrões de Westminster (padrões doutrinários na Igreja Presbiteriana).
            Calvino segue a definição agostiniana para os sacramentos “uma forma visível de uma graça invisível”[7]O reformador de Genebra chama o sacramento do Batismo de uma “marca de nosso cristianismo” e do “sinal no qual somos recebidos na Igreja, para que enxertados em Cristo sejamos contados entre os filhos de Deus”.[8]
            Quanto ao tema da validade e eficácia do Batismo Calvino revela que tanto um quanto o outro não depende de quem celebra o sacramento, porque devemos receber o batismo como “se o recebêssemos das mãos do próprio Deus[...] pode-se deduzir daqui de que nem se tira, nem se acrescenta nada ao Sacramento a causa da dignidade de quem o administra [...] quando se envia uma carta não se importe quem seja o portador”.[9]
A tradição cristã Reformada nos deixa o legado de que o batismo tem a sua validade eficácia não por causa da intenção de quem administra. Isto também é assegurado na Confissão de Fé de Westminster quando trata dos sacramentos: “[...]; nem a eficácia deles depende da piedade ou intenção de quem os administra, mas da obra do Espírito e da palavra da instituição, a qual, juntamente com o preceito que autoriza o uso deles, contém uma promessa de benefício aos que dignamente o recebem. Ref. Rom. 2:28-29; I Ped. 3:21; Mat. 3:11; I Cor. 12:13; Luc. 22:19-20; I Cor. 11:26.”
O que nós aprendemos aqui sobre a validade e a eficácia do sacramento do Batismo? Que para “a validade do sacramento é essencial que seja ministrado ‘em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo’”.[10] Ou seja, quando lemos Mateus 28.19 temos alí o designativo de Deus que dá sentido e validade ao Batismo.
3.4 – O Anabatismo e sua Influência na Tradição Presbiteriana Brasileira.
            Já vimos que a Reforma Protestante rejeita de forma peremptória a ideia do rebatismo seja de protestantes ou católicos. Entretanto, como essa prática de rebatizar chegou nas igrejas evangélicas e protestantes?
            Existiu um movimento paralelo à Reforma chamado de Reforma Radical que é conhecido como Anabatismo. Conhecidos na história como Rebatizadores. Eles advogavam que o Batismo Infantil praticado pela Igreja Católica Romana era nulo em seu sentido, e por isso, passaram a rebatizar os que haviam sido batizados na infância, entretanto, as Igrejas oriundas da Reforma praticavam o pedobatismo, e logo, também foram alvos de críticas dos anabatistas que também passaram a rebatizar os protestantes que eram aspersionistas e pedobatistas.
            Tanto os Luteranos quanto os Calvinistas se opuseram ao movimento da Reforma Radical que questionavam a validade não apenas do modo de batismo (aspersão), os sujeitos (no caso os bebês) e a validade do batismo católico romano. No decorrer dos anos as igrejas evangélicas e protestantes, estas últimas, nunca rebatizadoras, agora se veem na obrigação de rebatizar católicos convertidos à tradição protestante ou evangélica.
            De modo particular o presbiterianismo brasileiro possui conotações anabatistas. No ano de 1888 o sínodo da IPB se reuniu sob a presidência do Rev. Blackford onde oficialmente a igreja presbiteriana do Brasil adotara os padrões de Westmisnter e nomeou uma comissão para tratar da validade ou nulidade do batismo católico romano. E essa comissão ao que tudo indica era favorável a validade do batismo romano. Isto ficar evidente na ata daquele concílio. Entretanto, o sínodo não aceitou o relatório da comissão. Havendo uma contestação por meio de um protesto da própria comissão que ficou lavrada na ata do sínodo, que declara:
Nós, abaixo assinados, protestamos contra a decisão do Sínodo, declarando inválido o batismo romano, visto o acharmos inconveniente: (1) Porque grande maioria dos teólogos da Igreja Protestante, incluindo Lutero, Calvino, Cumingham, os Hodges (Charles e Alexander) pai e filho, Patton, Schaff, Briggs e outros homens ilustres o têm como válido; (2) Porque é fato histórico que um só ramo da Igreja Presbiteriana do Sul dos Estados Unidos da América se declara contra a validade desse batismo e o Sínodo por este ato se opõe à posição das Igrejas chamadas Reformadas; (3) Porque as igrejas metodistas e Episcopal reconhecem ambas esse Batismo, e deve toda harmonia possível em questões dessa ordem; (4) Porque nessa questão deve haver a maior caridade possível.[11]
A prática de rebatizar pessoas que vieram do Catolicismo Romano prevaleceu na identidade protestante presbiteriana brasileira. A alma católica dos evangélicos brasileiro desconhece o fato de “que os evangélicos no Brasil estão entre os mais anti-católicos do mundo. Só para ilustrar (e sem entrar no mérito dessa polêmica) o Brasil é um dos poucos países onde convertidos do catolicismo são rebatizados nas igrejas evangélicas. ”[12]
No século XX esta prática “anabatista” na Igreja Presbiteriana do Brasil voltou a ser questionada pelo Rev. Salomão Ferraz no ano de 1915 publica seu livro Princípios e Métodos. Ferraz declara: “A inovação, a esquisitice, não é o fato de aceitar-se a validez do batismo da igreja romana, mas é exatamente o oposto. A praxe do rebatismo é que vem de encontro ao consenso da igreja universal, não só na atualidade, como desde as eras mais remotas, como teremos ocasião de demonstrar”[13]
Neste mesmo livro Ferraz falando da nutrição espiritual que bons livros de tradição católica nos oferecem como a imitação de Cristo. Assegura-nos que tanto protestantes como católicos são beneficiados pelas linhas deste livro. E que é uma loucura relegar a Igreja Romana como não cristã:
E era esse mesmo livro [a Imitação de Cristo] o predileto dos Whitefields e dos Wesleys, como ainda o é de milhares de cristãos evangélicos em nossos dias. E entretanto, só nós os protestantes é que possuímos toda a verdade, toda a santidade, toda a piedade, toda a doçura, toda a pureza e abnegação, toda a consagração e caridade; só nós é que temos direito ao nome de cristãos, e os católicos romanos, mesmo os mais piedosos e sinceros, esses, coitados! De cristãos só tem o nome, o rótulo, e mais nada! É o cúmulo da paixão partidária, é o extremo da cegueira de um sectarismo estreito e pernicioso![14]
Salomão Ferraz sumariza as razões pelas quais deve-se ir contra o rebatismo de católicos convertidos na fé cristã protestante:
Resumindo as nossas considerações, nós tiramos a conclusão de que a prática de rebatizar os romanistas, que se unem às igrejas evangélicas, é inteiramente descabida e insustentável, e isto pelos seguintes modos: a) É anti-católica e atentatória contra a catolicidade da igreja de Jesus Cristo, como é reconhecida em nossas doutrinas evangélicas. b) Vem de encontro à letra e ao espírito das Escrituras e dos nossos símbolos presbiterianos e ao uso de toda a igreja. Diz o Dr. Charles Hodge: ‘Nós não temos autoridade escriturística nem exemplo para a repetição do rito do batismo; e tal repetição é proibida pela nossa Confissão de Fé e contrária ao uso de toda a igreja cristã.’ (Church Polity 214)[15].
                No entendimento protestante a validade do batismo romano não se deve por causa da intenção e nem por causa de quem o administra; quando se nega a validade deste sacramento está se traindo toda a tradição da igreja cristã durante muitos séculos. Os teólogos reformados do século XVII afirmaram peremptoriamente que há validade sim no rito do batismo praticado no romanismo, Francis Turrentin declara:
A verdade acerca da doutrina do batismo pode ser considerada seja em sua essência, ou a seus efeitos, ou os ritos e as cerimônias usadas nele. No sentido anterior, reconhecemos que pela providência singular de Deus a doutrina verdadeira acerca do batismo permanece na Igreja de Roma porque nela se retém a essência do verdadeiro batismo, a saber, a água e a fórmula prescrita por Cristo, segundo a qual é administrado em nome da Trindade. Por essa razão, o batismo realizado nesta igreja é considerado válido e não pode ser repetido.[16]
                Então, quando analisamos a questão do rebatismo na tradição presbiteriana brasileira percebemos que a igreja no Brasil ignora completamente a catolicidade da igreja (o que a igreja sempre praticou ao longo dos séculos) e a sua própria tradição Reformada.
            Na igreja da américa o presbiterianismo norte-armericano no ano de 1835 na Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana havia declarado que a Igreja Católica Romana não “era uma igreja cristã”, e disso decorre o fato da nulidade de seu batismo. Grandes eruditos apoiaram essa decisão, entre os quais encontramos: Nec Grill e o eminente professor James H. Thornwell e os contrários a posição da Assembleia Geral encontramos Dr. Lorde e o sr. Atken. A Igreja Presbiteriana da América naquela ocasião, pela grande maioria declarou “nulo o batismo realizado pela Igreja Católica Romana. ”[17]
            Entretanto, em 1845 o eminente teólogo de Princeton o dr. Charles Hodge levanta objeções significativas a decisão da Igreja Presbiteriana quanto a este particular, e as palavras dele poderá ser muito bem dirigida à Igreja Presbiteriana em nossa nação:
Estariam os homens dispostos a perguntar que nova luz foi descoberta? Que austera necessidade induziu a Assembleia a declarar que viveram e morreram não batizados Calvino, Lutero e todos daquela geração, bem como milhares que tendo somente o batismo romano foram recebidos nas igrejas protestantes?[18]
            Trinta anos depois, essa resolução foi abolida. Entretanto, a resolução deixou a encargo dos conselhos locais a decisão de receber ou não por rebatismo os oriundos da Igreja Católica Romana, alguém declarou que tal resolução foi uma declaração de incapacidade teológica significativa.[19] No Brasil não se pode acusar a igreja aqui deste tipo de postura, mas pode-se dizer que nem tal incapacidade é cogitada, pelo contrário a postura anabatista é preferível porque parece ser mais cômodo.




[1] Confissão de Fé Capítulo XVII seção IIII.
[2] Confissão de Fé Capítulo XVIII seção 7
[3] Pedobatismo = ao batismo dos filhos dos crentes recém-nascidos.
[4] LUTERO, Matinho.  Do Cativeiro Babilônico da Igreja In: Obras Selecionadas, Volume II, p. 379.
[5] TILLICH, Paul. História do Pensamento Cristão, 1998, p.237.
[6] Apud, KLEIN, Carlos Jeremias. Batismo e Rebatismo  nas mais Diversas Tradições Cristãs. São Paulo: fonte Editorial, 2010, p.43-44.
[7] CALVINO, Juan. Institución de la Religón Cristiana. Barcelona: Felire, 1999, p. 1007-1008
[8] Ibid, p. 1028.
[9] Ibid, p. 1037.                                   
[10] HODGE, A.A. Esboços de Teológia. Tradução: F.J.C.S - Lisboa. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas (PES), 2001, p.846
[11] Apud, KLEIN, Carlos Jeremias. Batismo e Rebatismo  nas mais Diversas Tradições Cristãs. São Paulo: fonte Editorial, 2010, p.94
[12] LOPES, Augustus Nicodemos. A Alma Católica dos Evangélicos no Brasil. In: http://tempora-mores.blogspot.com.br/2006/11/alma-catlica-dos-evanglicos-no-brasil.html acessado em: 03/05/2016.
[13] FERRAZ, Salomão. Princípios e Métodos. http://icai-ts.org.br/ 1915,p.29
[14] Ibid, p. 18.
[15] Ibid, p.34.
[16] TURRETIN, Francis.  Los institutos de la Teologia Refutativa, Volume 3, 1685, p.405. – Ênfase nossa.
[17] KLEIN, Carlos Jeremias. Batismo e Rebatismo nas mais Diversas Tradições Cristãs. São Paulo: fonte Editorial, 2010, p.88.
[18] Apud, KLEIN, Carlos Jeremias. Batismo e Rebatismo nas mais Diversas Tradições Cristãs. São Paulo: fonte Editorial, 2010, p.89.
[19] LEORNAD, Émile-G. O Protestantismo Brasileiro. São Paulo: ASTE, 1981, p.107-108.

terça-feira, 5 de abril de 2016

O BATISMO CRISTÃO E O CULTO (PARTE I)

O BATISMO CRISTÃO E O CULTO
Rev. João Ricardo Ferreira de França.

Introdução:
            O tema que o nosso estudo neste momento se ocupa é deveras importante para a vida do povo de Deus. O batismo cristão tem, ao longo dos anos, tomado uma variada significação nos demais grupos cristãos e de diversas confissões. O Batismo é o rito de ingresso na Igreja de Deus. E, por esta razão, as Igrejas cristãs o tem em alta consideração pelo seu valor sacramental. Mas, o que é o Batismo Cristão? A Confissão de Fé de Westminster no capítulo 28 seção 1 responde:
O Batismo é um sacramento do Novo Testamento, instituído por Jesus Cristo, não só para a admissão solene do batizado na Igreja visível, mas também para servir-lhe de sinal e selo do pacto da graça, de seu enxerto em Cristo; de sua regeneração, ou remissão de pecados e de sua total entrega a Deus através de Jesus Cristo, para andar em novidade de vida. Este sacramento, segundo a ordenação do próprio Cristo, há de continuar em sua Igreja até ao final do mundo.[1]
            Esta definição nos coloca a incumbência de tratarmos este assunto com uma profunda seriedade e reverência. O que aprendemos, a partir desta definição, sobre Batismo?
I – O BATISMO É UM SACRAMENTO.
            O Batismo Cristão não meramente um rito de iniciação na comunidade cristã. Na verdade o Batismo Cristão é um sacramento do Novo Testmamento.
1.1  – O que é um Sacramento?
 O Catecismo Maior responde:
Um sacramento é uma santa ordenança instituída por Cristo em sua Igreja, para significar, selar e conferir àqueles que estão no pacto da graça os benefícios da mediação de Cristo; para os fortalecer e lhes aumentar a fé e todas as mais graças, e os obrigar à obediência; para testemunhar e nutrir o seu amor e comunhão uns para com os outros, e para distingui-los dos que estão fora.[2]
      De forma sintética podemos dizer que eles são “sinais e selos do pacto da graça.”[3] Ou seja, “um sacramento ilustra ou simboliza as promessas de Deus”.[4] A palavra de Deus esta palavra sinal para descrever a intenção de chamar a atenção para alguma coisa conforme vemos no Evangelho de João 2.11.
      Devemos ainda ressaltar que os sacramentos tem como função selar as promessas de Deus. Indicando assim a aprovação de Deus. A linguagem do selo nas Escrituras apontam para o fato de aquilo que é sinalizado e selo é autêntico e indica nosso real interesse em Cristo (Romanos 4.11).
1.2  – Os Sacramentos são sinais e selos distintivos do Pacto da Graça.
Outra verdade que precisamos ressaltar é que os sacramentos são marcas distintivas administradas aos que abandonaram o mundo de pecado. Em outras palavras os sacramentos fazem uma “diferença visível entre os que pertencem à igreja e o restante do mundo”[5] (Romanos 15.7,8) desde o Antigo Testamento esta distinção era indicada pelos sacramentos instituídos pelo próprio Deus (Êxodo 12.48).
II – O MODO DO BATISMO
            O segundo tema que nos ocupa neste estudo é quanto ao modo do batismo. Qual é a forma correta de batizar alguém? Tem havido três formas de entendimento sobre este assunto: Imersão, Efusão e Aspersão. Os modos efusão e aspersão  são tomados um pelo outro, de sorte que, o mundo cristão, quanto a este particular, divide-se em dois grupos: Os imersionistas e os Aspersionistas.
2.1 –  O uso dos Termos relacionados ao Bastismo:
            Neste interesse particular devemos tratar do termo Batismo conforme é empregado nas Escrituras Sagradas. Os que defendem a Imersão como único modo válido de batizar alguém sustenta que o termo “Batizar” significa “imergir”, e que por tanto, deve ser o único modo aceitável para se praticar o Batismo Cristão.
            Os termos gregos Baptw, baptizw|/ e batismouj empregados na Bíblia não possuem sentido único e nem sempre significa submergir. Antes estes termos significam “derramar sobre, lavar, limpar, tingir, manchar”.[6]
2.2 – Evidências bíblicas do Uso dos Termos:
            Vejamos agora o que de fato ensina as Escrituras Sagradas no uso destes vocábulos, pois, apenas com a demonstração bíblica podemos estabelecer o uso do termo Batizar e saber se o termo significa exclusivamente imergir.
a)      Marcos 7.4.
PORTUGUÊS
GREGO
Quando voltam da praça, não comem sem se aspergirem; e há muitas outras cousas que receberam para observar, como a lavagem de copos, jarros e vazos de metal e camas
καὶ ἀπὸ ἀγορᾶς, ἐὰν μὴ βαπτίσωνται, οὐκ ἐσθίουσι· καὶ ἄλλα πολλά ἐστιν ἃ παρέλαβον κρατεῖν, βαπτισμοὺς ποτηρίων καὶ ξεστῶν καὶ χαλκίων καὶ κλινῶν·

Vemos aqui neste texto que a tese de que o vocábulo batismo (βαπτισμοὺς) não significa exclusivamente imergir. Pode-se observar que a palavra “aspergir” reproduz o vocábulo grego “βαπτίσωνται”- baptisontai – que é uma outra forma do verbo “batizar” no grego. E o termo “lavagem” de copos, jarros e camas é o vocábulo “βαπτισμοὺς” – baptismous. Como imergir camas de dormir?
b)      Lucas 11.38.
PORTUGUÊS
GREGO
O fariseu, porém, admirou-se ao ver que Jesus não se lavara primeiro, antes de comer
ὁ δὲ Φαρισαῖος ἰδὼν ἐθαύμασεν ὅτι οὐ πρῶτον ἐβαπτίσθη πρὸ τοῦ ἀρίστου.
c)      Hebreus 9.10
PORTUGUÊS
GREGO
sendo somente, no tocante a comidas, e bebidas, e várias abluções, umas ordenanças da carne, impostas até um tempo de reforma.
μόνον ἐπὶ βρώμασι καὶ πόμασι καὶ διαφόροις βαπτισμοῖς καὶ δικαιώματα σαρκὸς, μέχρι καιροῦ διορθώσεως ἐπικείμενα.
Neste texto aprendemos que os judeus receberam o Batismo como algo que lhes foi imposto, e que tal é variado. O termo abluções no grego é “βαπτισμοῖς” [batismois]. Diante dos textos que temos pode-se perceber que nenhum deles assegura a posição de que o vocábulo Batismo signifique exclusivamente imergir; mas, parece indicar outra direção quanto o sentido que o termo é usado nas Escrituras.



[1] HODGE, A.A. A Confissão de Fé de Westminster Comentada. Tradução: Valter Graciano Martins. São Paulo: Editora os Puritanos, p.457.
[2] Catecismo Maior de Westminster  resposta à pergunta 162.
[3] Confissão de Fé de Westminster, Capítulo 27. Seção 1ª
[4] LUCAS, Sean Michael. O Cristão Presbiteriano – Convicções, Práticas e Histórias. Tradução: Elizabeth Gomes. São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p.88.
[5] Confissão de Fé de Westminster, Capítulo 27. Seão 1ª.
[6] HODGE, Charles. O Batismo Cristão Imersão ou Aspersão? Tradução: Sabatini Lalli. São Paulo: Cultura Cristã, 2003, p.9.

domingo, 13 de março de 2016

Exposição em 1ª Coríntios 4.6-13

Exposição Bíblica:
!ª Coríntios:
Rev. João Ricardo Ferreira de França
Texto:
6 Estas coisas, irmãos, apliquei-as figuradamente a mim mesmo e a Apolo, por vossa causa, para que por nosso exemplo aprendais isto: não ultrapasseis o que está escrito; a fim de que ninguém se ensoberbeça a favor de um em detrimento de outro. 7 Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido? 8 Já estais fartos, já estais ricos; chegastes a reinar sem nós; sim, tomara reinásseis para que também nós viéssemos a reinar convosco. 9 Porque a mim me parece que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, em último lugar, como se fôssemos condenados à morte; porque nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos, como a homens. 10 Nós somos loucos por causa de Cristo, e vós, sábios em Cristo; nós, fracos, e vós, fortes; vós, nobres, e nós, desprezíveis. 11 Até à presente hora, sofremos fome, e sede, e nudez; e somos esbofeteados, e não temos morada certa, 12 e nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos; 13 quando caluniados, procuramos conciliação; até agora, temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos.
 (1Co 4:6-13 ARA)
Introdução:
            Paulo agora passa aplicar e a exortar com maior severidade a Igreja de corinto por suas práticas partidaristas; e claro, o apóstolo aqui tenciona trazê-los novamente a sobriedade para que eles vivam em uma comunhão saudável para o bem da Igreja. E para tanto, Paulo assegura que tudo que havia dito anteriormente serve para alguns propósitos específicos.
            Por que Paulo exalta tanto o trabalho dos ministros da palavra? Por que o apóstolo nessa passagem dá aos pregadores tanta importância no seio da igreja.
I – OS MINISTROS SÃO MODELOS E EXEMPLOS DO REBANHO. (VS.6ª)
            Aqui o apóstolo Paulo assegura-nos que os pastores são exemplos ou modelos para o rebanho de Deus. Ele nos diz: “Estas coisas, irmãos, apliquei-as figuradamente a mim mesmo e a Apolo, por vossa causa, para que por nosso exemplo aprendais isto: não ultrapasseis o que está escrito; a fim de que ninguém se ensoberbeça a favor de um em detrimento de outro. (1Co 4:6 ARA)”
            Paulo aqui nos assegura que ele e Apolo eram figuras, emblemas ou modelos de serviço a Deus para o bem comum da igreja e não para a divisão. O pronome demonstrativo “Estas” na língua grega “Ταῦτα ” [tauta] que significa “estas coisas” se refere as figuras de “agricultores, edificadores e mordomos” – ou seja, aqui Paulo combate de maneira peremptória a ideia da divisão. Estas figuras Paulo aplica aos apóstolos / pastores da igreja que trabalharam para edificação da igreja, mostrando que eles eram exemplos de vida piedosa que os corintos estavam necessitando.
            Tinha também como finalidade o ensinar algo aqueles crentes. Era que ao formentar divisões dentro da igreja aqueles irmãos estavam ultrapassando a “doutrina de Cristo” ou indo “além do que está escrito”.
            Paulo aplica isso de forma figurativa a ele e a Apolo com o objetivo de ensinar (μάθητε) aos crentes que eles não podem fugir ou ir além da palavra revelada, ou seja, A palavra de Deus não ensina e nem apóia divisões no seio da igreja de Deus. Aqui ao dizer que eles não deveriam ultrapassar o que está escrito (γέγραπται) ele está ressaltando a autoridade absoluta das Escrituras para a vida da Igreja, ou seja, a Bíblia é a nossa única regra de fé que pode nos instruir como nos comportarmos na vida da igreja. Então, quando eu tento semear a contenda e a divisão na igreja de Deus, eu simplesmente estou ultrapassando aquilo que está escrito.
            A implicação disso é que os pastores devem ser modelos a ponto de preservarem a unidade da Igreja por meio da Palavra de Cristo Jesus. Eles são agricultores, dispenseiros e mordomos na casa de Deus para que a mesma viva unidade diante de Deus.
II – O ORGULHO NÃO DEVE FAZER PARTE DO CARÁTER CRISTÃO (VS 6b-7):
            Ainda no verso 6 e 7 deste capítulo Paulo apresenta um segunda finalidade para o seu tom exortativo na presente carta. Paulo diz que o seu exemplo juntamente com Apolo tem também como o objetivo combater o orgulho dos coríntios: “a fim de que ninguém se ensoberbeça a favor de um em detrimento de outro.  7 Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido? (1Co 4:6-7 ARA)”
            Paulo revela-nos que o  fato de alguns criarem partidos dentro da igreja não compreenderam a simplicidade dos ministros da palavra que cooperavam para o crescimento saudável e harmonioso na igreja. E assim, uma vez que havia preferência de pastores havia muito rancor no seio da igreja. Pois, no verso seis a expressão “a favor de um em detrimento de outro” no grego “εἷς ὑπὲρ τοῦ ἑνὸς φυσιοῦσθε κατὰ τοῦ ἑτέρου. (1Co 4:6 BYZ)” [eis hyper tou henos fysiousthe kata tou heterou] pode ser traduzido da seguinte forma: “a cada favor de um e contra o outro”.
            Ou seja, os crentes preferiam um pastor e se colocavam contra o outro, e assim, estava a igreja dividida. A soberba é algo tão desdenhoso que o apóstolo no verso 7 declara: “Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido? (1Co 4:7 ARA)”
            Paulo assegura que aqueles que são orgulhosos não tem motivo para serem assim, porque em nada são diferentes dos demais, pois, todos tem recebido de Deus a sua porção cabível, e quando se ostentam comportam-se como se nunca tivessem recebido alguma coisa da parte de Deus, a instrução e o ensino dos ministros da palavra chegaram até eles, e estes crentes não deveriam criar preferências – pois, tanto Paulo, como Apolo e Cefas foram servos por meio dos quais a graça de Deus havia chegado até eles.
III - A AUTO-SUFICIÊNCIA ESPIRITUAL GERA O DECLÍNIO DA IGREJA (VS.8-13).
            A terceira verdade que precisamos considerar é que a Igreja de Corinto estava em um declínio espiritual por causa de sua auto-suficiência.
 8 Já estais fartos, já estais ricos; chegastes a reinar sem nós; sim, tomara reinásseis para que também nós viéssemos a reinar convosco. 9 Porque a mim me parece que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, em último lugar, como se fôssemos condenados à morte; porque nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos, como a homens. 10 Nós somos loucos por causa de Cristo, e vós, sábios em Cristo; nós, fracos, e vós, fortes; vós, nobres, e nós, desprezíveis. 11 Até à presente hora, sofremos fome, e sede, e nudez; e somos esbofeteados, e não temos morada certa, 12 e nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos; 13 quando caluniados, procuramos conciliação; até agora, temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos.
            Paulo agora usa de um recurso chamado de ironia, em seu tom irônico Paulo começa a condenar a auto-suficiência daquela igreja. Quando diz no verso 8: “ Já estais fartos, já estais ricos; chegastes a reinar sem nós; sim, tomara reinásseis para que também nós viéssemos a reinar convosco.”
            A expressão “já estais fartos” no grego é uma única palavra “κεκορεσμένοι ” [kekoresmenoi] é uma palavra usada para ser satisfeito de alimento, ter o suficiente. Ou seja, é como se Paulo dissesse: “vocês pensam que tem toda a comida espiritual de que necessitam”. Ou seja, vocês acham que não precisam de pastores para cuidar da vida espiritual de vocês! Acham que  podem cuidar da alma sozinhos, que não precisam da instrução bíblica, de aconselhamento, de doutrina. Vocês já estão fartos espiritualmente.
            Paulo mostra sua indignação que sente por estes crentes desprezarem seu pastorado e seu apostolado na igreja. E, então ele fala que este grupo chegou a reinar sem ele e os demais ministros da palavra. Expressa um desejo que isso fosse uma realidade, entretanto, a interjeição “tomara” no grego “ὄφελόν ” [ofelon] gramaticalmente aponta para a impossibilidade do cumprimento desse reinar sem os ministros da palavra.
            Nos versos seguintes o apóstolo revela-nos os riscos que passara para o bem estar do rebanho de Deus que se julga auto-suficiente espiritualmente. Ele passa a pintar em cores dramáticas os perigos que enfrentara para pastorear aquela igreja e as demais que estavam sob sua tutela.
“Porque a mim me parece que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, em último lugar, como se fôssemos condenados à morte; porque nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos, como a homens. (1Co 4:9 ARA)”
            Ainda de forma irônica Paulo revela que a igreja o tem tratado com desprezo, pois, sabemos que na hierarquia da dons dado a igreja e primeiro lugar está o apostolado, entretanto, parece que o sofrimento deles os tem relegados ao ultimo lugar na igreja. Alguns termos aqui são dramáticos, quando diz que ele os demais apóstolos foram colocados como que condenados a morte “ἀπέδειξεν ὡς ἐπιθανατίους (1Co 4:9 WHO)” o termo grego “ἀπέδειξεν”{apedeixen} era usado na cultura da época para apresentar diante das arenas aqueles que seriam condenados a morte naquele momento; como se daria aquela morte? Ela seria “um espetáculo” conforme vemos no grego “θέατρον (1Co 4:9 WHO)” [theatron] era um teatro para o mundo, era um show matar os pastores! Para o mundo era natural matar os ministros da Palavra, era simplesmente engraçado desprezá-los.
            E a igreja estava fazendo o mesmo com os seus ministros, e a igreja tem feito o mesmo com seus pastores na atualidade! Paulo mais uma vez usa cores fortes agora para mostrar a intensidade do  desprezo:
10 Nós somos loucos por causa de Cristo, e vós, sábios em Cristo; nós, fracos, e vós, fortes; vós, nobres, e nós, desprezíveis. 11 Até à presente hora, sofremos fome, e sede, e nudez; e somos esbofeteados, e não temos morada certa,  12 e nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos; 13 quando caluniados, procuramos conciliação; até agora, temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos.
 (1Co 4:10-13 ARA)
            A igreja era sábia, tinha o padrão de ser uma igreja esclarecida, mas o seu pastor era tido como louco, por pregar a sabedoria de Cristo. Ele era fraco, mas os crentes da igreja fortalecidos na verdade do evangelho. Tudo o que Paulo é menor grau a igreja era superior, ou seja, Paulo ironiza a atitude da igreja em desprezá-lo por causa da auto-suficiência que nutriam.
            Nos versos seguintes o apóstolo apresenta as suas circunstâncias pessoais, revelando as privações que um ministro da palavra está sujeito por amor a obra do Senhor. Ou seja, muitas vezes o ministro não tem o alimento cotidiano, é perseguido e maltratado.
            No verso 12 Paulo revela que houve até necessidade de trabalhar para suprir suas necessidades porque aquela igreja, toda suficiente em si mesma, desprezavam o seu pastor não sustentando-o financeiramente, antes ele fora motivo de injúria e calúnia; e, como ministro do evangelho se via obrigado a bendizer aqueles que queriam devotar-lhe só calúnia e injúria.
            E concluí no verso 13 – dizendo que todos os ministros são alvos de calunias, mas que devem sempre buscar a conciliação, e mesmo assim, tudo que ocorre de errado recai sobre eles, pois, este é o sentido aqui da expressão “temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos.”